Reflexões do Leopardo

Reflexões do Leopardo
Reflexões do Leopardo

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

As antinomias de abraçar a História, a Verdade e a chanceler Merkel

Irene Flunser Pimentel - acabadinha de chegar de Berlim, quiçá depois de trocar impressões com a chanceler  - , nas boas graças dos "mírdia" da praça lusa, aos micros da Antena 1, Rádio Pública, paga pelos impostos dos cidadãos, abriu a semana fazendo a defesa da atitude "corajosa" da chanceler Angela Merkel, política "controversa", cuja qual, arrostando a animosidade dos outros líderes da União Europeia (UE) - subentenda-se a rica, a que comanda - falou forte na necessidade de acolher os emigrantes da guerra na Síria e de os redistribuir pelas potências europeias, livrando a Itália, a Suiça, a Alemanha do peso excessivo que os ditos emigrantes representam na economia destes países acolhentes.
Irene F. Pimentel reconhece que a chanceler Merkel reconhece que a voz Merkel ainda não encontra a sintonia desejada nos restantes líderes europeus, que os emigrantes continuam concentrados em acampamentos de condições imperfeitas - subentenda-se para o beriosvska - , porém, Pimentel sublinha a atitude "inédita", "isenta" da chanceler que arrisca mesmo ((imagine-se ! ) o não se recandidatar ao cargo de chanceler (mais ou menos semelhante ao "tremendo fardo do homem branco em elevar os pretos à civilização branca" do poeta inglês Rudyard Kipling, que publicou o poema pela primeira vez em 1898 sob o título "The White Man's Burden).

Ora, a realidade indica que a chanceler Merkel prepara a sua recandidatura ao cargo de líder na UE, que as suas dissensões com os outros líderes de peso na UE serão varridas para debaixo do tapete em altura asada e para contento e alegria de todos.

Na verdade, umas horas depois da "científica" defesa Pimentel do "histórico" murro na mesa  Merkel "inédito, isento e corajoso", tudo foi posto em causa por um Sindicato da Hotelaria português que revelou existir "uma verdadeira rede mafiosa" a funcionar na UE, cuja rede mafiosa mantem empregados estranjeiros - isto é, da Europa pobre - do ramo da hotelaria, a trabalhar em "condições de autêntica escravatura". E, o Sindicato da Hotelaria português citava números: enquanto um trabalhador alemão do ramo hoteleiro aufere um salário mensal ultrapassando os 3000 euros, um trabalhador português não ganha mais de 700 euros; verificam-se situações semelhantes, e piores, noutros países da UE; só na Alemanha devem existir para cima de 1000 empregados portugueses "a laborar nestas condições de escravatura; o número destes empregados-escravos é difícil de precisar devido exactamente às condições de escravatura; o caso já foi denunciado ás autoridades da UE concernentes e posto nos Tribunais pelo Sindicato da Hotelaria português e por outros Sindicatos.

Logo, portanto, por consequência, a chanceler Merkel  eeee
e a sua defensora e hagiógrafa Pimentel não podem assobiar para o lado, ignorar, fingir que estas realidades não acontecem.

Se consultarmos as crónicas curriculares sobre Irene Flunser Pimentel( IFP) as coisas resultam piores.

Anabela Mota Ribeiro , que navega em águas ideológicas semelhantes às de Pimentel , e que serve a hagiografia de IFP como IFP serve a hagiografia de Merkel , numa entrevista, pausada- -pausada, a Pimentel, conta-nos com palavras da dita cuja IFP   - filha rica de uma suiça-alemã, "protestante" (IFP nega que a mãe fosse de ascendência judaica), e de um médico português, comunista ortodoxo, "totalitário" - , foi uma menina rica, privelegiada, aluna do Liceu Francês, "uma menina rica bem comportada durante a ditadura". Pimentel , em voz directa, assegura-nos que nunca esteve no PCP (haja deus !) , esteve sim, sempre, em organizações de extrema-esquerda. "O PCP é revisionista, dá vontade de rir."
Anabela Mota Ribeiro relata-nos que IFP  "misturou coisas do totalitarismo comunista, do surrealismo, da cinefilia, do Maio de 68, dos valores anarcas e libertários". Leu bastante Sartre e, especialmente, Simone de Beauvoir  Com 30 anos (em 1978), depois de ter passarinhado pela FEC (M-L) , pelo "O Grito do Povo", no PCP (R),  Pimentel terá reparado que não tinha casado, não tinha filhos, não tinha um curso. Na actualidade IFP prossegue por casar, sem filhos e vive com duas gatas.
A carreira universitária de Pimentel começa, pois a partir de 78. Licenceia-se em História na Faculdade de Letras de Lisboa, advém mestre e doutora em História Institucional e Política do Século XX na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Em 2007 é galardoada com o Prémio Pessoa. Em 2012 é-lhe atribuído o Prémio Máxima de Literatura na categoria de Ensaio pela obra "A Cada Um o Seu Lugar". Em Maio de 2015 é condecorada com a Legião de Honra (talvez já tenha a jazida assegurada no Panteão Nacional, conjecturo eu).

Portanto, portantos (ou será "por tantos"?...), por consequência, carreira fulgurante como um raio do Olimpo (germânico).
Sobram apenas uns detalhezitos, umas miúçalhas que atrapalham a compreensão. Pimentel, mai'la sua hagiógrafa, garante que só andou na "política" até 1978, o que é difícil de concatenar com a índole dos seus cursos, o conteúdo dos livros , artigos, colaborações a várias mãos, programas audiovisuais em que participou - todos a rodar em torno do Estado Novo (respeitosamente nunca o apoda de fascismo), do Movimento Nacional Feminino, do cardeal Cerejeira, "o príncipe perfeito da Igreja"  com a louvaminha sinuosa mas encarniçada a laurear a chanceler Merkel.  
Cereja no topo do bolo, Pimentel aterra-nos com a confissão de que o seu arquivo na PIDE desapareceu!!... Todavia esta confissão pode ser objecto de perguntas e suposições desconfiadas (ele há gente para tudo!...). De onde desapareceu o arquivo-Pimentel? Dos dossier's da PIDE/DGS, na António Maria Cardoso? Da Torre do Tombo? É que os dossier's da PIDE/DGS, na António Maria Cardoso, os que desapareceram, de facto, foi os que a PIDE  destruiu e foram os dos ... seus colaboradores. Se designa a Torre do Tombo, deve indicar o ano em que deu conta do desaparecimento e que Governo ou Governos podem ser responsabilizados por tal. Quando as bestas batem com as patas nas poças, a lama esperricha em muitas direcções, mas as bestas são irresponsáveis... 

Das intenções subliminares que IFP desenhou para si própria, ou que outros desenharam para ela, resulta razoavelmente transparente que a personagem  Pimentel pretende não deixar o campo imagético da resistência ao fascismo salazarista ao PCP , aos seus aliados, aos Sindicatos que lutaram de facto contra a ditadura e pagaram essa resistência com longas penas encarcerados ou a própria vida; pretende granjear uma auréola, a partir da qual se propõe intervir na política internacional como na situação presente da chanceler Merkel.   

Pimentel , numa grã "finale" operática, resume-se afirmando que "foi mais antifascista do que comunista", "que não tem heróis", "que as coisas são como são, mas poderiam ser de outro modo", "que já mentiu com frequência e pode voltar a ter necessidade de mentir" , que "gosta muito da palavra "compaixão", cuja explicita, "com-paixão".

É, pois, legitimo perguntarmos a nós próprios (não vá dar-se o caso de Pimentel se encontrar em dia nefasto, em dia de "necessidades") que mais surpresas surpreendentes o Futuro nos reservará nos dossier's Pimentel...  
  













Resultado de imagem para fotos ou imagens de Irene Flunser Pimentel   Resultado de imagem para fotos ou imagens de Irene Flunser Pimentel  Resultado de imagem para fotos ou imagens de Irene Flunser Pimentel





                                                         Resultado de imagem para fotos ou imagens de Irene Flunser Pimentel





Amplexos desconfiadamente confiantes na Luta

do Leopardo 

Sem comentários:

Enviar um comentário