Reflexões do Leopardo

Reflexões do Leopardo
Reflexões do Leopardo

sábado, 22 de julho de 2017

Um assalto aos Palácios de Inverno... no terraço do Vitória

Sim senhora, ontem desfrutei uma grande noite no terraço do Centro de Trabalho Vitória do PCP, a meio da Av. da Liberdade, em Lisboa. Como se sabe, deste terraço tem-se acesso a uma panorâmica superlativa de Lisboa. Em frente, está o que resta do Parque Mayer, com os seus Teatros de Revista e o Cine-Teatro Capitólio, espaço onde se fez, em seu tempo, combates de Luta Livre com o José Luis e o Tarzan Taborda ( atleta de respeito, que regressara de França, onde arriscara o corpanzil em filmes a fazer as cenas dos "cascadeur" ) e umas barraquinhas de tiro ao alvo, a penduricalhos de barro, ao lado das quais também se podia manjar umas bifanas,  uns pregos, umas iscas no pão, diluídas num tintol carrascão. Enfim, quase uma Feira Popular em miniatura, aberta todo o ano. Sinto soidades !

Mas não fui ao Vitória para apreciar as vistas ou apreciar do alto umas "Noites Brancas" que agora inventaram para estimular o comércio e a venda de sardinhas assadas e umas cervejolas. ( Sabiam que foi no Vitória que foram congeminadas algumas das lutas do glorioso período do PREC ?... Verdade. A sede da Soeiro era demasiado vigiada pelos radares e câmaras de filmar da "Embaixada dos States" , a cento e cinquenta metros de distância em linha recta. ).
Fui ao terraço do Vitória para visionar "A queda de São Petersburgo" do realizador soviético Pudovkin , contemporâneo do genial Serguei Eisenstein . Parece que o Eisenstein não apreciava lá muito o "estilo" de filmar do Pudovkin - os personagens do Einsenstein definiam sempre não pessoas individuais, mas classes sociais; o Pudovkin, para além disto, apresentava também na película personalidades individuais que interferiam no curso dos acontecimentos.

Adquiri estas sabenças com o camarada Filipe, pois eu nem conhecia a existência do realizador Pudovkin. O que lhes posso garantir, em minha opinião, é que o Pudovkin não fica atrás do Einsenstein, o seu filme - a preto, branco e cinzas - é de uma magnificência indescritível: os personagens parecem esculpidos em pedra, talhados no granito da verdade, de um lado os exploradores e opressores, do outro os explorados e oprimidos, e as personalidades e as massas que, numa ocasião ou noutra, são arrastadas de um campo para o outro. Só no final da película entendi que o bolchevique, agitador militante sempre na vanguarda, designado por "o Careca" se tratava do próprio Lénine ...

Se o Eisenstein e o Pudovkin possuíam entendimentos diversos da realização e da Arte pertence à História do Cinema, eu, mero Leopardo da Serra da Estrela, estou-me borrifando. Os génios são sempre difíceis de acompanhar nas suas subtilezas. As imagens de "A queda de São Petersburgo" possuem  uma força vulcânica que nos fica gravada a fogo na memória.

Correu tudo bem na sessão? Nem por isso. Apesar do esforço notável dos organizadores/  dinamizadores, a sessão foi mal divulgada - o "Avante!" não lhe fez qualquer referência, as legendas em castelhano transmitiam apenas o essencial, a data foi mal escolhida pois a concorrência era muito.
Isto de que "os comunistas são uma máquina" foi um mito inventado pela Reacção para ocultar a nossa face humana sujeita ao erro, a imprecisões, a enganos de avaliação sob a oportunidade dos diferentes momentos. O que os irrita, encoleriza, é o nosso comprometimento absoluto com os interesses dos explorados, a fidelidade ao marxismo-leninismo ( teoria prática em processo ), o não deixar cair os braços ante os poderosos obstáculos, a luta sem desfalecimentos.

Logo, portanto, como a sessão teve poucos assistentes, decidimos repeti-la em Outubro. Eu lá estarei na primeira fila e já convidei os membros do Coro do Teatro Nacional de S.Carlos e o seu maestro Giovanni Andreoli a virem visitar-nos e observar uma interpretação do Real que não será decerto aquela com que mais convivem. 



Resultado de imagem para fotos ou imagens do filme A queda de São Petersburgo do realizador PudovkinResultado de imagem para fotos ou imagens do filme A queda de São Petersburgo do realizador Pudovkin


Saudações confiantes do

Leopardo

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Alto às Altices

O dono visível da Altice que, no caso do Governo Português dobrar os joelhos ao negócio proposto, ficará com a maioria  dos "mírdias" sob o seu controlo, já se dá ao luxo de prometer despedir centenas de empregados e pagar os salários mais baixos que puder.
O grunho, que parece ter tido varíola em pequeno ou levado uma chumbada de caçadeira nas trombas, também se arroga o direito de aconselhar o chefinho Costa dizendo-lhe que não está a prestar a atenção devida aos "senhores empresários", aos que investem o carcanhol !... O guito !... Atão, bamos lá ber, bamos lá ber!... E sorri-se num esgar de Frankenstein em dia de iscas...

E o governo do chefinho Costa tornou a ceder aos grandes empresários de hectares e hectares de eucaliptos. Decerto estará a ouvir o tinir da bagalhoça nas caixas-fortes dos "offshores" e o chefinho perde-se nesses tinires. São a sua matação.

Entretanto, Sua Excelência Excelentíssima, sentindo que a maré enche nesse sentido, vai desafivelando a máscara da imparcialidade, da equidistância, e saúda a primeira maioria absoluta de Escavaco Silva , o que nunca tinha dúvidas, tinha sempre razão e trocava ideias com as cagarras. Os ares parece que vão bons para as ( e os ) Selvagens ...

Após tanto falatório sobre Tancos, demissões de generais pr'à frente, demissões de generais pr'a ré, os Paióis vão encerrar em definitivo por falta de condições. Pode ser que alguém ponha uma mordaça na dona Cristas e no desorientado líder Passaralhos Coelhito recordando-lhes que a desgraceira de Tancos é muito anterior ao actual Governo, períodos em que pertenciam à Governança de encher a pança ( e ainda dizem que não tenho jeito para versalhadas... ).

Honra e brilho dos Generais, Pedro Pezarat Correia, aos 85 anos, conclui na Universidade de Coimbra um doutoramento sobre a História do Colonialismo : "Descolonização: do protonacionalismo ao pós-colonialismo". Apesar da orientação da tese não ser das mais fiáveis ( José Manuel Pureza ) e de na assistência reluzirem personalidades tão controversas como Otelo, Ramalho Eanes ou Boaventura Sousa Santos, estou seguro que a agudeza e a verticalidade do general Pezarat Correia terá ultrapassado facilmente tais escolhos. Estou ansioso por ler a sua obra.  

A imprensa informa-nos que os primeiros povos chegaram à Austrália, há 70.000 anos, o que não lhes granjeou vantagens nenhumas, pois não passam de "aborígenes", a dançarem nus, tatuados, com palmadas vigorosas no corpo, atracção para turistas e "selfies".

A Arábia Saudita , a mais jovem estrela da Administração Trampas , depois de muito "porque torna e porque deixa" lá se resolveu a libertar a jovem árabe que se tinha atrevido a usar mini-saia. Dizem que a decisão libertadora ficou a dever-se a um vídeo sobre o caso que se tornou viral. Eu julgo que também terá pesado algum discreto puxão de orelhas dos States .

Os eurodeputados comunistas foram barrados de entrar no Departamento do Tesouro dos EUA . Para ser franco, eu até já estava a pensar pedir uns trocos aos Camaradas, mesmo em dólares... Com a carrada de impostos que aí vêm... 

Bom, entrando na palhaçada absoluta, o Pequeno Líder Gordo e Esverdeado, sentindo que há muito não dizia qualquer coisa, acrescentou mais umas tretas: "que o Spórtém quer ganhar títulos" e que "o plantel do Spórtém está 99, 9999 porcento fixado".
A mim parece-me sinceramente óptimo que o Sporting queira ganhar algo mais que os campeonatos de palermices e provocações nas quais o Pequeno Líder Gordo é exímio, e fico a interrogar-me o que significa "um plantel fixo a 99,9999 porcento"... Será que faltam os atacadores das botas?... 
Confesso que o Pequeno Líder Gordo consegue provocar o riso quando fala "ao sério". Valha-nos isso a nós, patuleias que tudo sustentamos com os nossos impostos, o trabalho diário contínuo, as reformas magras, a luta nas ruas ... e sem perder a esperança num mundo melhor.


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Saudações confiantes e bem-humoradas

do Leopardo

     

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Hot and wet dreams

Aposto singelo contra dobrado que foram atraídos para esta edição do blogue porque o título lhes cheirou a malandrice... Seus porcalhões ! Nada disso ! Sabem  que o meu nome em polaco - Edwarst - assume sempre uma conotação, um comprometimento com a Seriedade e em norueguês (Juni Dahr dixit) - Edward - tem conotações semelhantes. Já são muitas línguas a apontar na mesma direcção para o caso não ser significativo.
Nã senhora, pus um título para o malandreco para os atrair para a peça espanhola "Sueño de una noche de Verano" , inspirada em  Shakespeare, encenada por Marta Pazos que averba prémios no currículo e orienta formações em Teatro na Península Ibérica e em Moçambique.

A minha infantil malandrice sabe que quem aposta no lado mais rasteiro da Humanidade acerta sempre, quem aposta no lado superior acerta... às vezes. Eu era lá capaz de enganar conscientemente os meus familiares mais pobretas, com costelas de patuleias há gerações!... Nunca mais dormiria descansado ! À parentela da alta finança, creio que os trapacearia só pelo divertimento proporcionado.

Bom, deixêmo-nos de filosofices e vamos ao substantivo. O incêndio de Alijó ainda não está completamente dominado e já se atearam outros fogos para os lados de Mangualde, Oleiros, Guarda, Viseu. O SIRESP (sistema de comunicações) prossegue maleitoso, porém o Chefe Costa, na sua empáfia oleosa, garante que está tudo debaixo de controlo e lá para Setembro ( fim do Verão !...) o SIRESP assobia que nem um apito novo. 
O Chefe Costa deve estar a repousar no seu ministro da Agricultura, Florestas e de Desenvolvimento Rural, o sociólogo ToutaPôlos Santos, o cujo qual, na qualidade de sócio do PS , se tem passeado por esses cargos em vários Governos Constitucionais, no Parlamento Europeu, ora com o super-chefe António Guitarras ora com o próprio oleoso Chefe Costa .

E que tem produzido o ToutaPôlos ? Fazendo jus ao seu nome, tem Os posto à Arraia Miúda do continente e ilhas lusas. A 28 de Junho, garantiu aos deputados da AR que "não haverá mais um único hectare de eucalipto em Portugal" ( depois foi aquilo a que se assistiu, com os donos dos hectares e hectares de eucaliptos a asseverar que os seus territórios eram os únicos impolutos... ); ósdepois disso, na mesma AR, lacrimejou que "está  de coração destroçado, mas de consciência tranquila".
Fico mais tranquilo por tomar conhecimento que eu e o sociólogo ToutaPôlos não trabalhamos com a mesma concepção de "Consciência". A dele deve medir-se em "offshores" ; a minha, em noites bem dormidas.
Ou será que o Chefe Costa descansa por saber que o seu ministro da Agricultura é filiado na Maçonaria, na Loja do Grande Oriente Lusitano (a mesma do defunto Bochechas) ?...  Chefe Costa repare que os caminhos da Maçonaria são insondáveis, ainda mais insondáveis que as gavetas onde enfiaram o Socialismo...

Agora o chefinho Costa e Sua Excelência Excelentíssima, o Senhor do Martelo, Grande Marechal das Forças Armadas não podem readmitir as Chefias Militares que tinham demitido transantontemente sob pena de Portugal ser olhado como uma República das Bananas, típica do interior africano. A dignidade possui fronteiras !

Finalizando esta edição do meu blogue, então não é que eu acertei no título adequado inteiramente por acaso?!... "Hot and wet dreams" é a expressão mais justa para um simulacro de peça teatral - "Sueño de una noche de Verano" - na qual os actores se rebolam no palco a desnudar-se, quase nus e completamente nus ( um deles com o pormenor divertido de ter por vestuário apenas uns ténis com luzes fosforescentes... ), mimando todas as variantes à viola, à guitarra e à rabeca dos actos sexuais da actualidade. Mas quem atribuiu prémios à encenadora?... Quem a nomeia orientadora de cursos pelo planeta fora?... Que mal lhe fez Shakespeare para o engravidar de fluidos seminais ?... Pensa que choca com a sua peçazinha "pour épater le bougeois"? A encenadora e os seus agitados actores e actrizes apenas aborreceram os espectadores do enorme palco da D. António da Costa.
Significativo é que o generoso público do Festival lhes tenha batido umas palmas magritas, que ninguém os tenha procurado para dois dedos de conversa no caldo verde e no pão quente com tora na esplanada, que encenadores, actores, cenógrafos de prestígio tenham catalogado "a coisa" como "uma merda" ( assim mesmo curto e grosso ! ).
E lamentamos todos que o justo prestígio que o Festival de Teatro de Almada angariou ao longo de décadas tenha fechado a maratona teatral com que nos brindou, na qual várias peças podiam ter assumido o pódium de vencedoras.

A peça vencedora, mui merecidamente, foi "Apre - melodrama burlesco" !!!

E já tenho soidades do Festival de Teatro de Almada de 2018 !!! Que Viva o Teatro !!!


PÚBLICO -



Saudações confiantes na luta teatral e artística

do Leopardo        

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Uma Ilha que flutua no meio de Gente Comum

O título desta crónica é recriado a partir de dois espectáculos do Festival de Teatro de Almada , revelando-se perfeitamente adequado, metaforicamente falando, à situação nacional e internacional.

O incêndio de Alijó , que não surpreende mas que vai fazendo vítimas, continua a devastar o belo concelho transmontano, produtor de bom vinho, nomeadamente o "Favaios", para além de iguarias famosas como as alheiras de caça e os cabritos no forno.
O incêndio ocupa um batalhão de bombeiros, aviões-cisterna - enfim, o costume, e sempre insuficiente - porém, previsões para o seu termo só no rescaldo da terra ardida, das perdas humanas, das condolências oficiais, das promessas de comissões e averiguações até à mais ínfima fagulha.

O desaparecimento de explosivos e armas de Tancos , as demissões de chefias militares, as mini-remodelações ministeriais diárias - sem haver um apuramento de responsabilidades - configuram uma situação política surrealista, que as arrogantes parlengas do chefe Costa ( "os outros triquiticam, nós fazemos" )  não ocultam ou esbatem.

A República Popular da China , numa situação mundial de propalada crise económica, prossegue a marcar a diferença com crescimentos económicos surpreendentes e iniciativas científicas insuspeitadas até há bem pouco.

Ah, o Estado e a Administração cowboy anunciaram oficialmente que vão criar um Exército do Espaço . E eu a julgar, na minha inocência leopárdica, que isto eram favas contadas há muito.

Ora, nestes inteirins planetários, papei mais dois espectáculos excelentes no Festival de Almada.
Um deles, inspirado no comediógrafo francês Labiche,  intitulado "Uma ilha flutuante", dos Theater Basel e Théâtre Vidy-Lausanne, assume-se como uma sátira acerada à alta burguesia, usando ritmos desconcertantes - ora de uma lentidão exasperante, ora de uma rapidez difícil de acompanhar - o todo servido em alemão e em francês.
Um "chef-d'euvre" que muito gostaria de rever, pois, eu, de tedesco entendo raspas, e os écrans com as traduções resumem apenas o essencial. Pena, por exemplo, que não exista uma edição com a tradução integral da peça. Eu vou votar nesta peça, na expectativa de a voltar a ver para o ano.

A outra peça magnífica foi "Gente Comum", da romena Gianina Carbonariu, posta em palco pelo Companhia romena Teatrul National Radu Stanca, falada na língua romena, com boas traduções no topo do cenário. A encenação e o cenário são de uma expressividade e concisão prenhes de inventiva. Os seis actores/actrizes em cena desdobram-se numa multiplicidade de personagens com posturas profissionais, sociais, políticas diversas, sempre em representações óptimas.
"Gente Comum" denuncia a situação de todos aqueles que, em dado momento da sua vida, "põem a boca no trombone" por imperativos de ordem profissional, social ou éticos e, de uma forma geral, são esmagados pela ordem concentracionária existente. 
O público do palco grande da D. António da Costa, apinhado nas bancadas, assistiu à obra com um nó na garganta, pois o que é denunciado para a Roménia, Itália, Calábria pode facilmente ser encontrado em qualquer território desta Europa "Connosco". No final, o público "obrigou" os actores a virem agradecer à boca de cena a obra com que nos brindaram.
Eu falei com a responsável da Companhia, transmiti-lhe o meu encanto pela peça deles e ensaiei colocar algumas "questões delicadas", mas quer o meu inglês quer o da senhora eram pobres e a senhora permaneceu sempre numa postura mui formal.    
Em minha rasa opinião, eis mais uma peça candidata a vencedora do Festival ( e vão 7 ! ).  



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Viva o Festival, viva a luta cultural, ideológica e política

O Leopardo sempre confiante         

sábado, 15 de julho de 2017

Na Cadeira do Barbeiro

Esta edição do meu blogue servirá para aparar uma série de cabelos e barbas que ficaram mal aparadas nas edições anteriores.

Em primeiro lugar devo corrigir a nacionalidade da magnificente directora do mini-curso de teatro para actores, Juni Dahr, à qual atribuí a nacionalidade dinamarquesa - por uma maldição expressa dos deuses contra a minha pessoa ! - em lugar de teclar que é norueguesa como faz todo o sentido que seja, visto que é directora, encenadora e actriz do Visjoner Teater, sediado em Oslo.

Em segunda lugar devo aparar ligeiramente algumas patilhas e pêras ao esplêndido espectáculo "Golem" , da co-produção anglo-francesa entre o Théâtre de la Ville e o Young Vic . "Golem" demonstra de forma exemplar como, na actualidade, somos tele-manipulados por "mírdias", internet's, super-smartphones, todos os dias melhorados nas suas capacidades técnicas. As reservas que coloco ao espectáculo ímpar: falta-lhe acrescentar que não são os avanços tecnológicos que nos manipulam, mas o Grande Capital , cujo ideário e objectivos servem ; por outro lado, a nível formal, a estridência musical diminui-lhe por vezes a compreensão, joga contra ele (isto em minha opinião, claro).

Em terceiro lugar, escalpelizando ainda, mais uma vez, essa vaca em putrefacção que dá pelo título "Neverland" . A questão não reside, nem nunca residiu, na qualidade superlativa da Companhia de Dança Kamea, nem no facto de integrar bailarinos israelitas - metade dos excelentes 12 bailarinos nem de ascendência judia são  - , nem em coarctar a sua liberdade de expressão artística ( já os tínhamos visto dançar no Festival anterior, na generalidade maravilhados, e sem qualquer objecção política ), a questão reside em que a Companhia Kamea, este ano, vinha a representar, e portanto lavar a face sanguinolenta, do Estado Sionista de Israel  , o qual, matreira e atempadamente os distinguiu com um prémio em 2014.
Rodrigo Francisco, o director dos justamente prestigiados TMJB e do Festival de Teatro de Almada não pode alegar que está a dar a voz ao argumentário de um Estado que, há décadas mergulha o Médio Oriente na guerra e pratica o genocídio do heróico Povo Palestino ( os argumentos sionistas têm sido a panóplia bélica ultra-moderna, incluindo a nuclear, fornecida pelas Administrações dos EUA ... ).
Ou será que Rodrigo Francisco também poria os seus palcos à disposição de Adolfo Hitler e da sua camarilha de apaniguados ?!... 

O título desta edição derivou de um belo espectáculo "Cânticos de barbearia", o qual partiu de um texto e direcção de Carlos Tê .  Faz anos que sou um admirador de Carlos Tê (quando for grande quero ser como ele !). O espectáculo, mais cantado que falado, apresentando no meio da cena uma magistral cadeira de barbeiro de outras eras, baseia-se nas vidas cruzadas dos cantores Tony de Matos (que foi barbeiro, antes de ser um ídolo das canções românticas) e do compositor brasileiro Lupicínio Rodrigues, os quais, tendo-se exibido nos grandes palcos brasileiros em períodos de tempo ligeiramente desfasados, nunca se conheceram pessoalmente.
 inventa-lhes um encontro imaginário, numa "barbearia celestial", onde dialogam cantando em torno da "dor de cotovelo", "a dor mais democrática por ser transversal a todas as classes sociais".
Provocar o choro todos nós somos capazes, pelo menos se as representações forem curtas. Mas fazer sorrir, rir, gargalhar às escâncaras é um ofício para criadores de talento fora do comum. Carlos Tê é um deles. Palmas aos actores-cantores Pedro Almendra, Allex Miranda, Filipa Guedes (que cantou quase sempre por trás de uma bela máscara dourada), palmas a Luísa Pinto que encenou a contento. Essa foi pelo menos a opinião do público que exigiu a sua presença no palco por 4 voltas, ovacionando-os de pé.







Entre risos e prantos,

saudações confiantes 

do Leopardo

sexta-feira, 14 de julho de 2017

O Festival de Almada ataca Stálin, defende o Estado Sionista de Israel

Hoje, 14 de Julho, estará presente, em Paris , Donald Trampas , ao lado de Emmanuel Macron . Ou seja, junta-se o palhaço fascista ao actor populista no dia da tomada da Bastilha - fortaleza-prisão, símbolo do terror feudal. A presença da actual Administração Norte-americana nazi , só por si, na cerimónia de celebração já constitui um insulto. 
O Trampas borboleteia flores sobre reforçar as alianças gaulo-cowboys ... a rapaziada ri-se !

O psd e o cds-pópó soerguem-se numa tesura a exigir que o Estado indemnize as vítimas de Pedrógão e as suas famílias. Exigência que ressaltaria como uma paródia, sabendo-se as culpas que têm no cartório ao diminuir os guardas florestais, os postos de vigilância, o apoio aos Bombeiros, etc, etc. O quadro de tragédia que envolve os incêndios de Pedrógão Grande, Góis ( e os mais que se seguirão...) disfarça a desvergonha moral e a parlapatanice.

Passaralhos Coelhitos , em desvairo, não sabendo que mais engenhocar para surdir nas pantalhas, admoesta o chefe Costa por este ter "admoestado" a Altice na Assembleia da República. Tadinha da Altice !...  A Altice tadinha que acaba de comprar as acções suficientes para meter nos seus bolsos uma grande parte dos "mírdias" nacionais. A Altice tadinha que acaba de anunciar que vai abrir um Banco - um Banco !, não se armem em parvos, claro que não é um banco de jardim... não se brinca com coisas sérias !... -até 2019, em Portugal ! Imaginem que a Altice tadinha, se encolhe, se resume apenas à Altice Internacional e resolve ir explorar somente os patuleias da estranja ?!... Para nós, nanja !!! Temos a canja entornada!!!... 

Que a coisa está preta é um facto (não se subentenda aqui qualquer intuito racista). Até o preclaro Rui Rios, Vice-Rei dos Nortes, botou faladura, borbotando que o psd "está pior". O Bice-Rei deve ter na forja uma candidatura - imparcial, isenta, apartidária - à Presidência da República.

Para findar, por hoje, com o anedotário nacional, a imprensa nacional, bondosamente, comunica-nos que existe uma "rede" profissional que vende explosivos para as claques de futebol, sobretudo, as claques dos clubes grandes. Ficamos todos mais tranquilos a ver as sport-tv's em casa, sentados num sofá, com uma "loira" gelada ao alcance da mão...

Depois deste enquadramento geral, eis o que tenho para Vos teclar sobre o Festival de Teatro de Almada :

- acabou o meu mini-curso de teatro sobre a "Hedda Gabler" , do Ibsen ( 12 horas no pacote ) ministrado, vasculhado, virado do avesso pela mega-vedeta dinamarquesa Juni Dahr, directora do Visjoner Teater.
Não dá para sintetizar em meia dúzia de linhas as orientações cruciais recebidas. Posso falar do prazer que senti em ser surpreendido pelas intervenções e interpretações dos meus colegas, da concentração, trabalho, questionação que me exigiu interpretar meia-dúzia de "battutte", da alegria que absorvi da Marta/Hedda Gabler com a qual contracenei, do espanto que todos sentimos ao saber de uma colega sexagenária que acabava de se reconhecer como actriz, pela primeira volta, no Curso ( e com que intuição espantástica o fazia ), da energia que recebi das asas em flecha do nariz perdigueiro da Juni.
Se fosse capaz de mirabolâncias internéticas, estamparia aqui no blogue, vaidoso, narciso, o meu Certificado de participação no Curso, assinado pela Judi Dahr !

E o meu dia de Festival devia ter findado ali, mas caí na asneira de me deixar ficar para o espectáculo da noite, "Ricardo III está proibido", não reparei que o texto era do romeno Matei Visniec , autor que já me tinha irritado bastante e ... à romena, numa outra peça, acompanhada de colóquio politicó-social revisionista.
Era tudo péssimo nesta peça? Não senhora. A encenação - a cargo de Razvan Muresan - lembrava bastante Ionesco (outro que fugiu do "inferno" socialista para a "liberdade ocidental parisiense") , com as suas máscaras e distorções de aumentar da realidade vivida, era interessante, prendia a atenção. 
O que enojava era não se encontrar um único personagem, desde o revolucionário homem de teatro Myerhold ( que existiu de facto e foi condenado e executado) , passando pela sua companheira , até um carcereiro, homem do povo inculto, para já não falar dos serviços de espionagem e repressivos e de Stálin ( ele é que está em causa e é colocado no topo da pirâmide repressiva ) que manifeste uma centelha de dignidade e respeito pelo ser humano.
O senhorito Visniec tem decerto direito aos seus entendimentos encalhados da História  e das Vivências Humanas, - ele que viveu no regime de Ceausescou, país socialista não-alinhado; ele que foi um autor actualizado das novidades culturais que emergiam em Paris; ele que foi um autor premiado do regime romeno - porém, não contará mais comigo para assistir às suas descargas de bílis "modernas". Cada autor tem o público que merece...

Todavia, o mais lamentável não são os entendimentos que Visniec  faz do extinto regime romeno ou do soviético, o mais lamentável é que o director do TMJB e do Festival de Teatro de Almada, pareça mais preocupado com os supostos erros ou crimes cometidos por Stálin - que por acaso, decerto só por acaso, elevou a URSS à segunda maior potência económica mundial do seu tempo, com avanços e conquistas para os trabalhadores que só lá existiam, que por acaso, decerto só por acaso, derrotou a máquina de guerra hitleriana de uma eficácia e crueldade racional nunca antes vivida - do que com a agressão económica, diplomática, financeira, bélica, a nível planetário chefiada pela primeira Administração Norte-Americana assumidamente neo-nazi . Talvez Rodrigo Francisco preferisse que marchássemos agora a passo de ganso e ele próprio estar escondido atrás de uma bica a rabiscar a sua próxima encenação, para ser colocada num palco a inventar ?!...


Resultado de imagem para fotos ou imagens do actual encontro entre Trump e MacronAo minuto: patrão da Altice reúne-se com Marcelo e Costa Resultado de imagem para fotos ou imagens da peça Hedda Gabler


Saudações confiantes

mesmo com o inimigo às portas de Paris

do Leopardo