Ora vejamos:
Na 5ªfeira, o Glorioso ganhou. Uma goleada. Escusavam de ser tantos, não se achincalha assim um adversário digno. Na 6ªfeira, o Teatro Municipal Joaquim Benite - TMJB - levou à cena uma peça, "Frei Luís de Sousa", da maior suculência formal e substancial. No sábado, o Verdadeiramente Glorioso (muito bem, observo que lentamente, mui lentamente, algo vão aprendendo: ninguém perguntou quem é o Verdadeiramente Glorioso...; se continuarem por esta via, para a semana trago uma "bottiglia" de crf a fim de a secarmos) promoveu uma sessão, no Fórum Lisboa, de merecido enaltecimento e defesa da Constituição da República Portuguesa - "uma das Constituições progressistas mais equilibradas na via do socialismo e comunismo do planeta".
Do futebol, do qual não entendo rigorosamente népias, não vou falar-lhes (para mim significa somente um afecto gerado na infância e uma lealdade para com a minha família pobre, mas estas coisas NUNCA se renegam!).
Do "Frei Luís de Sousa" e do seu autor, o senhor João Leitão da Silva, que posteriormente passou a assinar-se Almeida Garrett, porque era vaidoso com'ó caraças e o Garrett foi pirateá-lo a uns Gerott, talvez irlandeses, o que lhe dava umas fumaças de fidalguia, ainda sei quase "niente", à parte este facto de ser mui entumescido do seu Eu, usar espartilho, frisar os cabelos com ferros quentes pela noite. E fez fortuna com a palavra "Ninguém..." repetida uma vez e outra como no fundo de um poço, na mesma peça, por um monge falso. Assim também eu...
Ele, Garrett, que desembarcou no Mindelo, com o Imperador D. Pedro para libertar Portugal do infante D.Miguel e dos miguelistas, ultramontanos da época que catrafiavam os liberais nas enxovias e os tratavam a cargas de porrete - uma delas o forte de Almada, onde pontificava um brutamontes e o seu filho, ambos Teles Jordão, ambos assassinos, que muito haveriam ainda de se distinguir, mais a sua descendência, na História de Portugal pelos mais reaccionários motivos.
Ele, o liberal Garrett, um dos introdutores no nosso País do Romantismo, que acabou visconde, par-do-reino, ministro dos Negócios Estrangeiros. Talvez tenham sido vidas como estas que vieram a justificar a expressão: "foge ladrão, que te fazem barão!; para onde?, se me fazem visconde."
Portantos, do Teatro, do "Frei Luís de Sousa", de Almeida Garrett, "à séria", como soe dizer-se agora nessa linguajar pato-bravo dos "tios" e "tias", não estou ainda em condições de lhes teclar.
Da sessão no Forum Lisboa, para divulgação e defesa da Constituição Portuguesa, e sobre a qual já grafei não sei onde, puxarei apenas para cima apenas o Coro dos Alentejanos do Feijó que nos obsequiaram a todos com a sua emoção, a sua modéstia, a sua perseverança para o reconhecimento do Cante Alentejano como património da UNESCO.
Desta maneira, após um fim de semana tão conseguido - no qual até fomos poupados aos ataques de fúria do sr. Bruno de Carvalho e do seu verrinoso treinador, quer o Sporting ganhe ou perca - e combinado que não nos dispersaremos por nódoas tão oleosas como Sua Excelência Excelentíssima ou o sr. Malaca Castel-Queijo (o enorme Eça escreveu que nódoas dessas só saíam com benzina, porém, na hodiernidade, com a gordura que existe, só queimando mesmo o pano) resta-nos falar sobre o Cozido à Portuguesa.
O Cozido à Portuguesa ,em dois restaurantes das minhas relações, é uma peça da Cultura Nacional que igualmente deveria entrar para o Património da UNESCO e para o Panteão Nacional ( porventura ao lado do sr. Barroso que, de tão inchado, lá deve dar entrada em breve ). Entretanto se estudará sob que forma material o Cozido à Portuguesa deve dar entrada no Panteão. De imediato, imediatamente, é urgente constituir uma Comissão de Sábios para estudar e fazer propostas sobre a matéria. Serão pagos em almoços.
Ora retornando aos dois restaurantes das minhas relações - pois a minha experiência deles é necessário levar em conta - neste último domingo foi o que se poderá avaliar.
Encomendei o Cozidinho Cinco Estrelas costumeiro. Transcorridos uns vinte minutos (o que para mim é um sinal benéfico de que a comida talvez não esteja toda feita há horas e apenas foi aquecida no micro-ondas) surgiu o primeiro prato de enchidos, donde era ausente, porém, o chóriço. Os atenciosos "camerieri", porque torna porque deixa, explicaram que naquela manhã o belo chóriço à portuguesa não se tinha apresentado ao serviço. Poderiam substitui-lo pelas farinheiras, chouriço mouro ou de sangue que me apetecesse.
Principiei a mirá-los de esquina. Apesar do meu apreço pelos outros enchidos e pela sua excelência " che non si trova" noutra culinária, "ne anche" na basca, "quella che piú si avicina", não há Cozido à Portuguesa digno do nome sem Chóriço à Portuguesa.
Pior: transcorridos mais dez minutos apareceu o feijão um tanto encruado e dez minutos de impaciência na peugada, surdiu o arroz espapaçado, a penca, a couve galega, os grelos, o nabo tudo igualmente espapaçado, malhado na eira.
A rapaziada "camerieri", gente simpática, tudo do Benfica, desculpas mil. Que o tinto era por conta da casa. Se quizesse cambiavam o Cozido pelo "Bife da Casa", tiro que acertava sempre na "mouche", com fatias de presunto de Chaves, pão torrado, dois ovos a cavalo, a escorrer molho de sangue e cerveja.
Comi o Cozido, encharquei-me em "dona ermalinda tinto", em "crf's", mas a magia estava extinta. Abandonei o restaurante 3 horas após. Não desisto de constituir um "lobbie" para a candidatura do Cozido à Portuguesa na UNESCO e para a sua entrada no Panteão Nacional. Uma vez não são vezes. E suspeito que isto poderá ser ardil do senhor BdeC. Aquilo é gente de peixes na grelha e vinho branco gelado.

O Vosso Leopardo
a rebolar-se de gozo
nos ramos mais altos da floresta
"de menina e moça me levaram cedo da casa de inha mãe..."
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