Reflexões do Leopardo

Reflexões do Leopardo
Reflexões do Leopardo

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Trumpas em saldos

O Presidente Donald Trumpas afirma que é preciso acabar com o terrorismo para justificar a liquidação do Exército Islâmico a operar na Síria e justificar a modernização e a multiplicação de fronteiras (deu-lhe um súbito apagão na memória e olvidou que foram os "States" que criaram, instruíram e municiaram o Exército terrorista). Deu como exemplo da emergente necessidade um recentíssimo ataque terrorista ocorrido na Suécia.
Ora, o citado ataque nunca existiu. Os suecos começaram a desmenti-lo nas redes sociais e o 1º ministro sueco comentou perguntando se Trump tem andado a fumar "ervas".
Trump tentou retratar-se e, de mentirola em mentirola, acabou por confessar que extraíra o suposto ataque terrorista de um filme de ficção visionado na Fox TV.
Temos de admitir que seria uma bela peça de ironia confundir a realidade e a ficção, não fora o caso de a coisa provir do Presidente dos "States" com todo o peso que tem a sua palavra, apesar de apalhaçada.
Entretanto, as sondagens nos "States" "powerpointam" que a popularidade de Trump nos EUA desceu para a estaca zero. O que é um resultado curioso para quem prometeu unir os norte-americanos...

No rectângulo nacional o sr. Silva acaba de publicar um livro em que revela que Sócas é "fingido", "desleal" e não possui "humildade democrática" (a qual o sr. Silva monopolizou toda só para si mesmo), mas que o apoiou quando Sócas foi 1ºministro e o sr. Silva PR, porque, porque... porque sim !

O senhorito Montenegro (fazendo jus ao nome) , líder da bancada parlamentar do PSD, prolonga uma cavalgada desesperada do seu Partido exigindo que Sua Excelência Excelentíssima o Primeiro Costa revele todos os SMS do seu télélé ( o que provocou um real genocídio na maioria dos télélés da AR, a bem da harmonia e estabilidade conjugais ).
E Passaralhos Coelho e Maria Luís de Albuquerque todavia Albuquerque desbundam-se a exigir hoje o que condenaram ontem, quando governantes.

O BE, após ter garantido a autenticidade e a democraticidade do Pai da Pátria Só-Ares ( o que caiu na Lunda com uma avioneta pejada de diamantes e marfim ) , encerrou-se num mutismo repensador.

É aproveitar, é aproveitar estimados leitores e eleitores que os saldos de trampas fecham depois do período carnavalesco !...


Resultado de imagem para fotos ou imagensdo lançamento do livro de Cavaco Silva Resultado de imagem para fotos ou imagens do líder parlamentar do PSD, Montenegro Resultado de imagem para fotos ou imagens de Francisco Louçã
    
Saudações confiantes na luta colectiva, organizada

do Leopardo

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O admirável candidato CDU, João Ferreira & as mírdias dos "mírdia"

Ontem, 17 de Fevereiro.2017, a RTP/Antena 1, a SIC, a TVI aviaram a candidatura do cabeça
de lista da CDU, João Ferreira, à Câmara Municipal de Lisboa transmitindo durante 11 segundos um reduzidíssimo excerto da magnifica intervenção de enquadramento político geral... do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

Está mal? Está ! É verdade que João Ferreira é militante do PCP. Até há bem pouco era um dos representantes mais destacados do PCP no Parlamento Europeu ( no qual foi substituído para assumir a presente candidatura ). É verdade que João Ferreira tem demonstrado uma história pessoal de militância ao serviço do Povo trabalhador português e do País. É verdade que João Ferreira tem uma presença empática, aprofunda as questões do seu mister e responde e propõe soluções sérias. ( Todas estas características constituem profundos pecados mortais para o mundo imaginário e inacreditável dos "mírdia" ).

Mas, na apresentação da sua candidatura, João Ferreira não representava apenas o PCP, assumia igualmente a liderança dos Verdes, da ID e de milhares de democratas sem filiação partidária, forças políticas e democratas que foram atirados para o buraco negro do vácuo  pelas fugazes imagens dos "mírdia". 
Mais, e pior, o próprio candidato João Ferreira só surgia, desfocado, muito desfocado, como pano de fundo da liofilização transmitida como o discurso do secretário-geral do PCP.
Foi o que se chama o assassínio político a sangue-frio com álibi quanto baste !

O esclarecedor e luminoso projecto político que João Ferreira traçou durante meia-hora como guião da sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa nem sequer foi referido pelos "mírdia". Foi totalmente escamoteado, atirado para o lixo dos nados-mortos!... Não é original, todavia é eficaz na categoria das pulhices mediáticas !

Atiradas igualmente para o lixo das placentas estéreis as declamações de Manuel Diogo (poemas de António Nobre, dos heterónimos de Pessoa, do Joaquim Pessoa, de Alegre e sempre, sempre de Ary), os ajustados acompanhamentos à viola do italiano Davide Zacarias, a composição original de Maria Anadom.
Percebe-se que da perspectiva ideológica e da tentativa de manipulação ética das consciências era mais importante para todos os canais de TV, incluindo a Sport TV, colocar nas "pantalhas" , na íntegra, o momentoso e "decisivo" jogo de "futebolês" Porto- Tondela , com molho de comentadeiros. "Futebolês oblige".

Das trampas do Trump nada de novo. Parece consensual que o perigo vem todo dos Russos, especialmente do Putin (apesar de convertidos ao capitalismo), e da Coreia do Norte ( mais o seu mini diabólico arsenal nuclear de alcance médio ) e que os muros hodiernamente em reconstrução e modernizações são, hoje, muros de Liberdade, ao invés do exacrável Muro de Berlim, emblema do retrocesso e da escravidão, que o Vaticano e o Santo Padre João Paulo II fizeram a esmola de ajudar a ruir. Assim Zeus nos faça a esmola de crer...


Resultado de imagem para fotos ou imagens da SICResultado de imagem para fotos ou imagens da TVI Resultado de imagem para fotos ou imagens do candidato do PCP à Câmara de Lisboa 




Amplexos confiantes na luta colectiva, organizada,

o Leopardo


  

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Cartas de Fingimento

O sr. Silva considerou que esta era a altura adequada para tornar publicas as suas relações com Sócas quando Silva era Presidente e Sócas seu 1º Ministro. Silva resolveu partir antigos tabus (dos quais foi o industrioso inventor) e a loiça toda. Silva acusa Sócas de ser "fingido", "desleal" e de lhe faltar "humildade democrática".

Silva reuniu 300 vezes com Sócas e o livro atinge 600 páginas, o que dá uma média de 2 páginas por reunião !...

No lado positivo, Silva salienta o facto de Sócas nunca ter rompido o carácter sigiloso das reuniões e de nunca ligar pêvas ao PCP e ao BE.

O livro do sr. Silva é um livro tão sério, mas tão sério, que até a RDP/Antena 1 se ri do seu lançamento e Ricardo Araújo Pereira, ex-gato-fedorento, costurou mais umas piadolas sobre a efeméride.

Nos "States", a CIA e as Agências de Espionagem irmãs declaram não confiar em Donald Trampas e na sua capacidade para manter secreto o que deve ser super-secreto, visto que tem andado aos beijinhos com Vladimir Putin . Ainda a CIA e C.ia mal se precatam e já o KGB recauchutado está de posse dos segredos ultra-secretos das bombas Antónias mais recentes e sofisticadas dos "States". 

Cá no rectângulo nacional à beira-Oceano plantado, a RDP/Antena 1 noticia que o BE está a re-pensar (o que deve querer significar "pôr segunda vez o penso") quem vai candidatar para a autarquia de Lisboa ou se vai mesmo candidatar alguém.
Porém, a RDP/Antena 1 não considera de interesse público noticiar que o PCP/CDU realizam hoje o lançamento do seu candidato João Ferreira no Hotel Roma, pelas 18 horas, com a presença do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

Sobre o folhetim da CGD e António Domingos, os comentadeiros de serviço comentam que, embora o professor Martelo prossiga a apoiar Costa, o 14 de Fevereiro.2017 produziu a primeira racha no namoro entre o excelentíssimo dinossauro na Presidência e o dinossauro excelentíssimo na 1ª Ministrança.

No que concerne à ida do novo Aeroporto para o Montijo - já existem propostas para que se denomine "Mário Só-ares", ou "Márocas" para os íntimos - tudo indica que tudo não passa de uma gorda negociata com a gigante francesa Vinci (a qual nada tem a ver com o genial artista italiano Leonardo da Vinci), Vinci que já é dona da ANA.



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And that's all folks for today

Com confiança na luta colectiva organizada

O Leopardo

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Madre Teresa de Calecutá

O dinossauro excelentíssimo Professor Martelo apoia o 1º ministro António Costa que apoia o ministro das Finanças Mário Centeio no caso da CGD. Martelo diz que o Governo tem a sua confiança para continuar a governar.  Costa diz que o PSD/CDS-PóPó tenta assassinar o carácter de Mário Centeio sem qualquer fundamento, que se trata tão somente de uma manobra de diversão mediática.
Martelo aconselha com brandura o Governo a continuar a governar bem (embora nunca tão depressa como todos desejaríamos) , aconselha a Oposição a continuar a criticar como é seu dever, e Ele, Martelo, será uma espécie de Madre Teresa de Calecutá a apaziguar as partes em litígio e a reestabelecer o clima de Afecto e Amor.

Aqui chegados, eu, mero Leopardo dos Hermínios, achei isto tudo tão lindo, mas tão lindo - até me vieram as lágrimas aos olhos !-, que também quero uns abraços, umas beijocas, umas medalhas quando um dia destes irromper pelo Palácio de Belém à précura ( agora, graças ao Açordêz/90, posso gatafunhar como me der na bolha, no momento ) do Professor.
À conta de que feitos pretendo eu, Leopardo, tais mimos?... À conta de não ter feito coisíssima nenhuma ! "Nulla di nulla", "niente di niente", "zero assoluto", "nikles, batatóides". Sim senhoras, gabo-me de ir passando pela vida sem realizar coisíssima nenhuma, nem bem nem mal. Como um meteoro oco, sem luz, sem som, sem cheiro! Quantos podem gabar-se de tanto??...
Repensando melhor o assunto, exigirei mesmo uma laje funerária no Panteão, ou nos Jerónimos, com uma inscrição simples: o desenho de um Leopardo e, evidentissimamente, a legenda Pai da Pátria, em gótico ! Mereço, não ?!!...

Eu creio que isto se coaduna com a recente reivindicação - aquando duma deslocação a Los Angeles, a cidade vizinha a Hollyhood - do Donald Trampas à Ilha Terceira e à Base das Lages, (claro está). Alega o Trampas uso capião ( como se fosse preciso alegar o que quer que fosse!; quer e acabou-se, manda quem pode, obedece quem deve )O Trampas regurgita que tudo fará para tomar posse da Ilha, portuguesa há cinco séculos.
Sugiro que remetam os valentaços do PSD/CDS-PòPó , rapidamente e em força, para as Lages, a oferecer os smokings às balas, capitaneados pelo Paulinho dos Bonésque já foi ministro da Defesa,  com os seus afamados submarinos para defender o território.

Não posso deixar sem resposta os suaves protestos que me são vazados nos tímpanos a propósito da Ópera. Que o preço dos bilhetes é caro, que a Ópera é um espectáculo elitista, reservado às classes possidentes e possidónias.
Que o preço dos bilhetes é incomportável é falso, pois pode  ver-se e ouvir-se Ópera no São Carlos desde 45 euros (os lugares mais caros) até uns 10 euros (os mais módicos e onde se ouve igualmente bem... e se enxerga bem... com uns binóculos); que, com alguma sorte, se pode comprar um dos lugares mais onerosos por metade do preço, no próprio dia, aproveitando uma desistência. Ou seja, afinal não mais caros que os bilhetes para o "futebolês"... preços a respeito dos quais ninguém se lamenta.
Que a Ópera seja reservada aos possidentes desmente-o a vivência da ex-URSS, onde os "drammi per musica" encontravam aderentes entusiasmados nas profissões mais diversas, desmente-o a minha experiência pessoal, "tiffoso" da Ópera desde menino, que já levei "bailes" sobre a música lírica a trocar opiniões com operários em Portugal e em Itália.
Possidónios, sim senhora, é verdade, existem na Ópera... como existem em qualquer actividade humana, até, ou sobretudo, no "futebolês" (a pretenderem substituir-se aos "míster's").

Para encerrar, por agora, o caso da "Anna Bolena" em cartaz no São Carlos resta-me registar a falta pessoal que senti do meu amigo Giovanni Andreoli, maestro titular do Coro, que, numa postura decerto pedagógica, generosa, se fez substituir pelo seu adjunto ( que esteve à altura do maestro titular e mestre ).

Quanto aos comentários às edições do meu blogue quero celebrar com "flutes" de champanhe bruto ou aguardentes velhas um comentário original que tive, UM !, do meu Camarada Rui. Brindou-me com "malha-lhes que é o que "eles" 'tão a pedir" ! Vai mais um copo oh Rui !

Teclo aqui algumas outras expressões coevas ( ou será com ervas?... ) da Arraia Miúda de outrora. Separá-las-ei entre as que Te comprometem e as que não Te comprometem.

As que não Te comprometem:

- a trombetear
- na peitaça!...
- fecho-éclair
- na batata !
- eu canto o preito ( ou será "peido" ? ) ilustre lusitano  ( com vénias ao Luís Vaz )

As que Te comprometem:

- querias batatas com enguias?...
- é assim é que "eles" se enxofram ...
- continua que 'tás maduro... a cair de podre !
- quando eu morrer quero ir de burro ajaezado à andaluza... e o único burro com cabresto à minha mão és tu ( p'ró finaço, intelectualoide, a pagar dividendos ao Mário de Sá-Carneiro )




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Caros Amigos e Camaradas não consigo imprimir uma foto do Professor Martelo a não ser pagando, ou seja, existe em torno dele um muro finançeiro, só com afectos não chego lá.
Amigos e Camaradas,

saudações confiantes na luta colectiva, organizada

do Leopardo 


   

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Donizetti, "Anna Bolena", a paixão romântica do século XIX ainda não esgotou o seu heróico papel social

Na segunda-feira 6 de Fevereiro fui ver ao São Carlos a segunda récita da Ópera "Anna Bolena" de Gaetano Donizetti. Não vos espanteis se na minha crónica-reflexão surgirem comentários políticos, do foro médico, psicanalítico, psiquiátrico, até mesmo referências ao malfadado Açordêz Ortográfico de 1990. É sinal de que no mundo "dei drammi per musica" cabem todos os mundos.

Não vos espanteis também se este se vier a verificar um dos meus blogues mais enlouquecidos de sempre, pois posso ter sido contaminado com as demências que atingiram Donizetti e Henrique VIII nas vidas reais, assim como alguns personagens da Ópera.

Como se sabe Donizetti ( nato em Bergamo a 29. Novembro.1797; morre em Bergamo a 8. Abril.1847 - portanto com 50 anos e 5 meses, após ter produzido 65 óperas, e, pelo menos em 4 delas, criando "representações impressionantes de perturbações mentais" -  acompanhado pelo seu dedicado sobrinho Andrea, na "villa" da sua amiga Condessa Rosa Basoni, tendo-lhe sido diagnosticada sífilis terciária e demência ) inspirou-se de forma bastante livre na vida do monarca Henrique VIII ( nato a 28.Junho.1941, no Palácio de Placentia, Greenwich, Inglaterra;  falecido a 28.Janeiro. 1547, no Palácio de Whitehall, Londres - portanto, com 55 anos ), monarca sobre o qual as opiniões dos historiadores divergem bastante, desde "um dos governantes mais carismáticos a ocupar o trono inglês" ( escrevia e compunha música da qual deve ter sido o principal e talvez único admirador ) a um autocrata "concupiscente, egoísta, severo e inseguro" ( sendo esta a imagem que prevalece no imaginário popular). Os dados clínicos que se possuem sobre Henrique VIII indicam que sofria de gota, obesidade excessiva - 140 centímetros de cintura - e poderá ter tido diabetes ou ter o cérebro lesionado após um torneio medieval em 1536, o que determinou que só se deslocasse com a ajuda de um artefacto mecânico. É quase garantido que estaria impotente sexualmente e o seu humor variava de minuto para minuto nos anos finais da vida.

Donizetti fixou a sua Ópera nas relações entre Henrique VIII e Anna Bolena. Representou-o a ele como o autocrata com o ridículo insuperável dos que se colocam nos antípodas da Razão, da Moral, da Justiça, apesar de transitoriamente e eroticamente apaixonado por Anna ( a sua segunda mulher oficial das 6 que a História reconhece ). Representa Anna como a paladina seduzida pelo monarca todo-poderoso, porém que é incapaz de renunciar e ser infiel ao seu primeiro e único amor que porta gravado no fundo do coração ( a reconstituição histórica aponta para uma Anna Bolena mui diferente: mulher de cultura, inteligência e ambição mui acima da média, mulher colérica e obstinada, que recusa ser mais uma das amantes do rei, e quer, e consegue, mesmo contra os pareceres do Vaticano, ser reconhecida como rainha.
Os dados históricos provam que Henrique VIII não fundou o Anglicanismo de golpe - assunção de que o poder real e o poder religioso repousam no rei do Estado - , nunca foi tão longe ideologicamente como Lutero, manobrou sinuosamente com o Vaticano para satisfazer as suas ambições políticas - unificar a Inglaterra, o país de Gales, a Irlanda e a Escócia sob a sua coroa (só falhou a Escócia, o que foi de seguida conseguido pela sua filha Isabel I, "a Rainha Virgem") e dominar a França, que invadiu com pouco sucesso por mais de uma vez.

O que é espantoso é que este quadro historicamente complexo, prenhe de referências políticas, bélicas, ideológicas, económicas, sociais - formação do primeiro poder real absoluto - religiosas, artísticas, psíquicas, psicanalíticas, do foro demencial, surge sintetizado na Ópera "Anna Bolena" (o primeiro grande sucesso público de Gaetano Donizetti). E a obra encenada no São Carlos, em Lisboa, pelo consagrado Graham Vick reconstrói este paradigma dos "drammi per musica" de forma exemplar.
Não cairei na tolice infantil de dar notas ao "capolavoro" como usam certos dinossauros excelentíssimos da nossa praça, nomeadamente o professor Martelo dos destinos destas praias à beira-Atlântico plantadas. Avançarei tão-somente que o maestro - Gianpaolo Bisanti - , a direcção dos actores em cena e os figurinos - Paul Brown -, as luzes - Giuseppe Di Iorio - o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, as/os cantoras/es - Elena Mosuc, Burac Bilgili, Jennifer Seymour, Luís Rodrigues, Leonardo Cortellazzi, Lilly Jorstad, Marco Alves dos Santos - acompanham superlativamente a encenação. Tão superlativamente que a soprano romeno-suíça Elena Mosuc ( a Anna Bolena ) se desculpou dizendo que estava indisposta e só por respeito ao público ensaiaria cantar; seguidamente cantou e encantou ( e em posições de canto difíceis: de joelhos, deitada, torcida sobre si própria ) e o público comentou, "se esta magnificência é indisposta, como seria no seu pleno?!...".

Estas reflexões de melómano ab menino, e decerto certas feitas ingénuo, não contêm apontamentos menos encomiásticos? Contêm.
Uma menor: as sugestões nos cenários, belíssimos !, são tantas, que uma ou outra ficará minorada pelo excesso.

Duas maiores: o atentado à Língua Portuguesa cometido no uso envergonhado do Açordêz/90 nas traduções do libreto por cima do palco; o uso desavergonhado do dito Açordêz do sr. Malaca-Castel-Queijo no Programa do São Carlos. A Língua é um elemento de formação da consciência e do pensamento nacionais, não pode andar à deriva de negociatas privadas ou de OPA's do Estado brasileiro. E este atentado maior, de que o São Carlos se torna cúmplice, é um atentado de envergadura estatal, quando a revisão do Açordêz é encabeçada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, sr. Santos Silva, no qual não residem competências conhecidas na matéria, e não pelo ministro tutelar da pasta da Cultura e da Educação.

A outra crítica maior: aos que lá não estavam no São Carlos. Por onde andam os meus Amigos e Camaradas amantes de música, de canto, de coros, de teatro, de dança, de artes plásticas, de fotografia, de vídeo-filmes ?? Como se dão ao luxo de perder as cinco ou seis Óperas de craveira superior com que o São Carlos nos brinda 5 ou 6 voltas por ano ( por insuficiência de verba e deficiência de espírito dos que nos desgovernam ) ?!...

Seguramente, este público inteligente e profissionalmente preparado, se frequentasse o Teatro Nacional de São Carlos, estaria a tecer analogias entre Henrique VIII e Donald Trump ou Hillary Clinton ou Barac Obama ou Mikhail Gorbachev ( o da manchinha na testa, da perestróika, que tenorizava bem lirismos para a sua Raíssa ) , ou a estabelecer associações entre Anna Bolena e os que pelo planeta fora resistem à opressão, às ditaduras, à guerra. Se frequentassem o São Carlos, ganhariam eles e ganharia certamente a Cultura e a Arte nacionais.



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Caros Amigos e Camaradas

como já não tenho esperança que me enviem comentários negativos ou positivos

e se não quiserem recorrer àquelas expressões mui inventivas lol, corações, carinhas a sorrir, a lacrimejar, a odiar

permito-me sugerir-lhes estes toscos vernaculismos da minha infância:

- é de arrebimba o malho;
- toma e embrulha;
- 'tás cos copos?... ;
- hoje não tomaste os comprimidos?... ;
- oh pá, vai dar uma volta ao bilhar grande... ;
- 'tá bué da naice, meu !
- 'tás kas ganzas?... ;
- andaste à precura no alfarrabista?... ;
- cruzes, canhoto ! ;
- pelas alminhas, tem dó...
- valha-te a Virgem...

Creio que já deve ser suficiente para Vos desengomar e incendiar as inventivas

Saudações calorosas

do Leopardo