Reflexões do Leopardo

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Reflexões do Leopardo

domingo, 22 de maio de 2016

Requiens, Questionamentos e Diálogo - Partitura I

Confesso que fui surpreendido, a edição anterior do blogue desencadeou uma verdadeira explosão de comentários, um Vesúvio em erupção: dez, dez, 10 !, quase tantas como as visualizações! É bem verdade que esses comentários provinham de duas/três cabeças a escaldar. Em todo o caso é um extraordinário que merece registo.
Por outro lado confesso igualmente que este Leopardo, que se imagina a dirigir-se ao supra-sumo da intelectualidade artística e literária da cultura portuguesa, ficou um um pouco surpreso com a natureza miúda, mesmo brejeirota, das interrogações ou curiosidades esboçadas: "nas afectuosidades entre o Mozart e a mana Nannerl havia suspeitas de incesto?; o Mozart e a esposa legítima atraiçoavam-se mutuamente? etcetera, etcetera.
Confesso que esperava mais elevação, outro nível de questionamentos, mais elegância da parte de intelectualidade tão subida. Mas, a natureza é o que é, o sangue que nos corre nas veias e as descargas eléctricas que saltam nas sinapses do nosso córtex cerebral, no essencial, não diferem das do Zé Povinho. E ainda óptimo, senão como se faria o diálogo?!...

Então, nesta Partitura I, vamos ao Mozart que é o que promete mais pasto para essas "curiosità".
Primeiros, o Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart, nome de baptismo, nasceu em Salzburgo, cidade que, então (27.Jan.1756), pertencia à Áustria, sendo, portanto, austríaco e não "tedesco" como vulgarmente se supõe. O próprio Mozart, por razões de sobrevivência financeira, fez questão de acentuar uma suposta veia "tedesca", pois era um irreprimível perdulário e as autênticas fortunas que foi ganhando eram sempre inferiores às dívidas contraídas - em palacetes, carruagens, "valets de chambre/cocheiros", acima das suas posses.

Repararam naquele "Chrysostomus", termo grego que significa "boca de ouro" e  no "Theophilus" , termo igualmente grego significando "amigo ou amado de deus". Um espertalhão, o pai de Mozart - Leopold Mozart - que, ao contrário do que é habitualmente concebido, não foi apenas um explorador do talento genial do filho, mas foi também um excelente professor dele, abdicando de uma carreira pessoal, para se dedicar a proporcionar-lhe uma educação de luxo e uma carreira de sucesso. Tê-lo-à feito estudar - além da música clássica, naturalmente - francês, italiano, latim, aritmética e exercícios físicos ao ar livre ( uma novidade absoluta). Também, nas constantes digressões que fizeram pela Europa, algumas das cidades onde se exibiam - e das quais retiravam o seu sustento - foram escolhidas por oferecerem a possibilidade de o jovem génio conviver com músicos famosos.

Sim, Leopold Mozart foi um violinista famoso que, inclusive, escreveu um tratado sobre como tocar violino, que fez época, e que permanece como obra de referência onde se espelham as concepções musicais do seu tempo.
Leopold, que subordinava o exercício da música a uma pedagogia religiosa austera, impôs aos filhos - Maria Anna, a Nannerl, e a J.C.W.T.Mozart uma disciplina de trabalho diário pesada, da qual ambos bastante beneficiaram pela vida fora. Nos seus breves 35 anos de existência, Wolfgang Amadeus Mozart com frequência laborava horas a fio, barafundava as horas das refeições, o que é uma parte da explicação para as cerca de 600 obras que compôs - sinfonias, concertos, óperas, corais, músicas para piano e câmera - , não se excluindo ainda hoje a possibilidade de aparecerem partituras caídas em mãos de particulares que as pretendam fazer render. 

Amadeus Mozart foi o 7º e último filho de Leopold Mozart e de AnnaMaria Pertl. Só Nannerl e ele sobreviveram. A mortalidade infantil era uma verdadeira hecatombe na época, alguns dos recém-nascidos não durando mais que poucas horas, dias ou meses.
As famílias conviviam horas seguidas na mesma sala e, no caso dos Mozart, era habitual misturarem uma linguagem cuidada com um "gèrgo" caseiro, grosseiro, que, tratado pelo génio irreverente de Amadeus , explica que encontremos entre as numerosas cartas lacradas, enviadas à mana Nannerl, a ternurenta confissão de que adorava os peidinhos que ela soltava enquanto dormia. Portanto, muito provavelmente, não verdadeiro incesto, apenas a revelação de uma intimidade intensamente... odorífera.
Aliás, Amadeus Mozart inscreve-se no número dos grandes epistológrafos do tempo (em que não existia Internet, nem telefones celulares...), conservando-se 1.600 destas cartas, assaz bem redigidas.

Em 1761 - tinha Amadeus Mozart 5 anos - o pai apresentou-o na Universidade de Salzburg como menino-prodígio. Aos 7 anos, o menino-prodígio tocava cravo ou piano sem olhar as partituras, com o teclado oculto por um pano negro. E durante 20 anos Leopold exibiu o filho na Alemanha, França, Inglaterra, Países Baixos, Suiça.

W.A.Mozart tocou para Luís XV em Versalhes, para Jorge III em Londres - onde conheceu e ficou amigo do músico prestigiado Johann Christian Bach, neto ou bisneto do lendário Johann Sebastian Bach, - que um bar perto do Príncipe Real e do Bairro Alto, em Lisboa adoptou como nome para atrair os noctívagos da zona, amantes de jazz... o que prova mais uma vez que o mundo é... circular - o das "fugas", dos "Concertos de Brandenburg", da "Paixão segundo São Mateus" - peça musical central num filme, "Il vangelo secondo Matteo" de Pier Paolo Pasolini - Bach mestre do contraponto e da música Barroca, Bach do qual toda a música ocidental se considera tributária e herdeira.
Nas deambulações musicó-financeiras de 1765 (tinha 9 anos) terá ganho de lucro cerca de 10 mil dólares actuais - boa parte deles da Maria Antonieta que virá a ser guilhotinada cinco anos após, aquando da grande Revolução Francesa (equiparável na grandeza e consequências à enormíssima Revolução Soviética de 1917) - para além de anéis de ouro, relógios, caixas de rapé, jóias de valor incalculável.

Todavia, estas digressões venatórias - à caça de fortuna, fama, arte, amigos, apoios - tinham igualmente os seus custos e os dois irmãos, A. Mozart e Nannerl , apanharam febre tifóide, que não os matou mas os deixou convalescentes durante meses e a sofrer de febres reumáticas para o resto da vida. Apanharam igualmente uma forma suave de varíola, que marcou para sempre o rosto de Amadeus com uma série de pequenas crateras que tentava disfarçar com "maquillage".
Em Dezembro de 1769, então só ele - com 13 anos - e o pai viajam para Itália (na verdade, os diversos Estados da península itálica): Verona, Mântua, Milão, Bolonha, Florença, Roma.
Em Bolonha conhece o "castrato" Farinelli, no auge da fama, sobre o qual também já foi realizado um filme. Em Roma, Amadeus e Leopold foram recebidos pelo Papa e o adolescente prodígio foi agraciado como "cavaleiro"- o que era invulgar para um músico. Aos dois, pai e filho, sem quaisquer folhas de apontamentos, foi-lhes permitido ouvir o "Miserere" de G. Allegri, na Capela Sistina, com um número de presenças limitado ao essencial para não se correr o risco de a música poder ser transcrita. Regressados ao hotel onde estavam hospedados, perante a estupefacção do pai, o jovem Mozart transcreveu o "Miserere" ouvido, de memória, na íntegra, sem uma falha, sem um erro...

É sensivelmente a partir desta data que começam a suceder os grandes feitos musicais de Amadeus Mozart e as suas aventuras amorosó-eróticas. Com 14 anos terá tido a sua iniciação sexual com uma prima. Em 1771, ele e o pai regressam a Milão. Em 1780, é encomendada a A.Mozart (com 24 anos) uma Ópera, que desembocará no "Idomeneo". Em 1781, renova o seu romance com Aloysia Weber , a qual trocará pela irmã Constanze Weber com quem anunciará o casamento (na Catedral de Santo Estevão, a 4.Agosto.1782), após a estreia e o grande sucesso da Ópera "O Rapto do Serralho". Leopold não terá aprovado o casamento com Constanze, porém, posteriormente, terá apreciado que fosse ela a gerir a fortuna do casal, pois Amadeus era um estabanado a gastar o que ganhava, envolvia-se em altercações constantes com os mecenas que o contratavam, mostrava-se sempre demasiado cônscio do seu valor, evitando exibir-se para públicos musicalmente ignorantes, ou, por exemplo, recusando comer à mesa com os serviçais (como era hábito na época), ou, contraditoriamente na aparência, deslocando-se para os bairros mais populares da cidade, dando igual importância à Ópera "buffa" (onde a criadagem, os arlequins, as colombinas,  as zerlinas, eram os heróis) e à Ópera "séria" (das grandes encenações, dos deuses, dos imperadores, dos reis e rainhas).  

Rezam as crónicas oficiais que Amadeus Mozart e Constanze Weber foram muito felizes e não existem provas concretas de que Constanze tenha sido infiel.  Sobre a felicidade não me pronuncio por ser matéria mui volátil, todavia a infidelidade conjugal de Mozart é quase certa e quanto à infidelidade de Constanze  sou mui propênsico a acreditar nela.
Assim, o primeiro filho de ambos teve pouco tempo de vida. Em 1784, nasceu um segundo filho, Carl Thomas, um dos poucos que sobreviveu. Foi nesse ano que ingressou na Maçonaria, organização filosoficó-política secreta, de carácter progressista, que concebia um deus-geómetra, orientado para o Bem e a Felicidade do Universo.
Em 1785, compõe a Ópera "As Bodas de Fígaro" com libreto de Lorenzo da Ponte. Em Outubro desse ano nasce um terceiro filho que dura poucos dias.

Em 1787 é convidado para ir a Praga, compõe a Ópera "Don Giovanni" - onde uma série de críticos da especialidade vêem um ajuste de contas com a figura paterna, a resolução do complexo de Édipo. Nesse mesmo ano morre o pai. Mozart renuncia à herança a favor de Nannerl, apenas pedindo em troca todas as partituras que tinha composto. Nesse mesmo ano nasceu-lhe uma filha que viveu poucos meses.
É possível que por essa altura tenha dado aulas a Ludwig van Beethoven, que teria uns 17 anos. Mozart, na generalidade dos casos não gostava de dar estas aulas privadas, mas precisava delas para manter o equilíbrio sempre instável das suas finanças.

Em 1789 - ano do início da Revolução Francesa, Amadeus tem 33 anos e viverá mais 2 anos - nasce uma filha ao casal Mozart, filha que vive só um dia.
No Verão de 1791, Mozart está na Alemanha, com as esperanças colocadas no novo imperador Leopoldo II, que supõe um "iluminista". Nasce-lhe o último filho, Franz Xaver Wolfgang - que sobrevive! ; ou seja, em 6 dos  filhos recém-nascidos sobreviveram 2 ... 
Mozart compõe a Ópera "a Flauta Mágica, que se popularizou rapidamente.
Recebe a encomenda de um Requiem, supõe-se que através do músico e compositor Salieri, impondo a condição de a missa fúnebre vir anónima, mas acompanhadas de pagamento generoso e antecipado. Hoje, está apurado que a encomenda provinha do conde Walsegg-Stupach , que a pretendia anónima para depois a apresentar como sua, em memória da esposa (estas encomendas aos denominados "escritores negros" ou "cinzentos" prolifera ainda hoje e ainda em muito maior escala por parte das entidades mais diversas).
Amadeus Mozart, enquanto acaba a composição da última Ópera "A Clemência de Tito", estreada com muito aplauso em Praga, parece que terá ficado obcecado pela encomenda e as condições da encomenda do "Requiem" , para o que pode ter contribuído o agravamento da febre reumática de que sofria.

Infelizmente, o filme que ganhou notoriedade sobre a vida "do amado dos deuses" fez-se porta-voz de uma série de suposições com pouco suporte na base documental e transmitiu a personagem de um Salieri-músico medíocre, invejoso, perverso até ao isolamento e assassínio de Mozart. Ora, essa imagem não corresponde nada aos factos. Salieri, sem se destacar como um génio, foi um músico de sucesso, admirador de Mozart , que talvez tenha estado presente no enterro de Amadeus, juntamente com um dos alunos e dois músicos (habitualmente, os músicos, por muito geniais que pudessem sê-lo, não levavam acompanhamento maior do que este). Mozart foi enterrado no dia 5 de Dezembro.1791, no cemitério da Igreja de São Marx, nos arredores de Viena. E cinco dias depois, a 10 de Dezembro, os maçons rezaram-lhe uma missa sumptuosa e os obituários reconheceram-lhe a grandeza musical. Em Praga, as homenagens foram ainda mais grandiosas.

O "Requiem" ficou incompleto, mas esboçado na generalidade. Alunos de Mozart, Joseph Eybler e Franz Süssmayr , completaram-no de acordo com os rascunhos do Mestre.

Wolfgang Amadeus Mozart deixou uma herança considerável em manuscritos, instrumentos, objectos diversos, mas bastante mal avaliada em termos financeiros.

A influência musical "do amado dos deuses" é óbvia e reconhecida em Ludwig van Beethoven, Franz Schubert, Gioacchino Rossini, Robert Schubert, Johannes Brahms, Richard Wagner, Anton Bruckner, Piotr Tchaikovsky, Gustav Mahler, Max Reger, Richard Strauss, Ygor Stravinsky, Arnold Schönberg, John Cage, Michael Nyman, etecetera, etecetera.

Os especialistas não o consideram  um músico revolucionário, na medida em que a sua música não provoca um movimento de fractura com o passado, inaugurando formas musicais novas, mas afirmam a sua grandeza na complexidade, amplitude e profundidade que confere às convenções musicais que chegaram até ele, sobrepondo-se a todos os contemporâneos.

Aqui o Leopardo, que não se presume de forma nenhuma de especialista, que se auto-avalia como um mero amador, julga a música de Amadeus Mozart inegável numa leveza aparente, numa simplicidade divina, numa alegria sem limites. Mesmo pondo entre aspas a genialidade da criatura, a mim sempre me dá a impressão que seriam necessárias três vidas de um homem superior para viver a vida de Wolfgang Amadeus Mozart.



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Amplexos momentaneamente tranquilizados,

sempre confiantes,

do Leopardo

  
                

         

terça-feira, 17 de maio de 2016

Três Requiens Magistrais : o de Verdi, o de Mozart, o do PCP

Tenho dificuldade em escrever sucintamente sobre Verdi: porque é o meu compositor de Ópera favorito; porque me esforço por saber alguma coisa de Música considerando, porém, que os meus conhecimentos de amador são parcos para fazer uma síntese adequada em poucas palavras (a simplicidade só está ao alcance dos Grandes); porque , com toda a carga de subjectividade que uma adesão destas comporta, " a Messa da Requiem" de Verdi constitui uma obra-prima da qual sobressai uma visão trágica da condição humana, cuja intensidade jamais foi ultrapassada" (estou a citar o grande compositor, maestro e músico Alexandre Delgado, que por sua vez cita Jacques Bourgeois) ; porque, por razões pessoais e familiares, sempre que ouço o Requiem de Verdi, acabo esmagado, reduzido a uma cinza de meteorito extinto, perdida na negra noite do espaço sideral.

A "Messa da Requiem" é tanto mais extraordinária quanto sabemos que ela se constrói em torno de uma interrogação sobre a Morte e quanto sabemos que ela parte de um ateu, Verdi, de um ateu anticlerical, que a produz para celebrar outro ateu, Alessandro Manzoni.

Uma viagem mesmo rápida pelo percurso desta obra, mesmo pela mão deste guia, é bastante elucidativa da condição humana, pelos preconceitos que a constituem, pelo labor entusiástico e confiante para os "surmonter".
Alessandro Manzoni, autor do romance "I promessi sposi" ("Os Noivos"), emergia como o herói literário da Itália unificada. Morreu subitamente em 1873 - 6 anos antes da explosão fenomenal da Revolução Francesa - e Verdi, amigo pessoal e admirador de Manzoni,  pensava "com ele foi a mais pura, a mais sagrada, a mais elevada das nossas glórias".

Verdi propôs-se dedicar uma Ópera de defuntos a Manzoni, para ser estreada um ano depois da morte do escritor, em Milão, cidade natal do romancista. Verdi pensava compor a Missa em parceria com outros músicos célebres na época. Todavia, por uma razão ou por outra, muitas delas provenientes directa ou indirectamente da Igreja Romana que não morria de amores por Manzoni nem por Verdi, este último acabou por se encontrar sózinho na execução do projecto.

A Igreja Romana, que acabava de ver reduzido o seu Estado, Roma, ao Vaticano, ia envenenando a imprensa com noticiário necrológico a denegrir encobertamente Manzoni. Tudo lhe serviu de pretexto para desmoralizar e demolir a "Messa da Requiem" de Verdi: a escolha da igreja, o número dos solistas - 4 solistas (uma soprano, uma mezzosoprano, um tenor, um baixo) era inusitado e convertia de facto o Requiem numa Ópera, mais própria para ser representada num palco operático -, a participação das mulheres a cantar no Requiem, o vestuário das mulheres solistas e das mulheres no Coro (só consentido vestidas com túnicas negras do pescoço aos pés e a cabeça, de cabelos apanhados, envolta em longos véus negros - equivalentes às burkas contemporâneas), a instalação de degraus em diferentes planos que pudessem sugerir um palco de ópera.

No auge da celebridade, com 70 anos, "finiti gli anni di galera", esse era um luxo que Verdi podia permitir-se: compor exactamente o que queria e não o que lhe era encomendado. E já não era igualmente fácil ao Vaticano opor um simples "Não" ao que era considerado o maior compositor de Óperas italiano, que tinha estreado o "Rigoletto" (1851), o "Il Trovatore" e "La Traviata" (1853), "Simon Boccanegra" (1857), "Macbeth" (1865), "Aida" (1871), entre outras obras maiores da Ópera (28 ao todo) a nível mundial.
Verdi discutiu, negociou, regateou com o Vaticano ou os seus intermediários tudo até ao mais ínfimo pormenor. 
A escolha da igreja acabou por recair na Igreja de San Marco, cujas fundações tinham sido lançadas nos séculos XII e  XIII, na periferia da muralha da Milão medieval, mas que Giuseppe Verdi preferia quer pela acústica, quer pela arquitectura, verdadeiro "bosque de pedra" envolvente. 
As mulheres solistas e as do Coro vieram a vestir drapejamentos a preto e branco e verificou-se que a maioria delas, por baixo dos véus, eram jovens e belas.
Na realidade, os/as cantores/as intérpretes foram distribuídos por estrados a diferentes alturas, o que os transformava em palcos.
O maestro, o próprio Verdi, por essa altura Senador do Estado Italiano unificado, conseguiu muito mais do que os 10 dias iniciais concedidos para ensaiar com as solistas, dentro de San Marco, acompanhado ao piano.
Verdi era conhecido pela sua exigência como Maestro, exigindo impossíveis aos seus cantores, abreviando-lhes por vezes a carreira ao exigir-lhes que ultrapassassem os limites das suas próprias vozes. O que fez também com a sua companheira e mulher da vida inteira, a "diva" Giuseppina Strepponi que sempre o apoiou e defendeu (Verdi sobreviveu-lhe apenas quatro anos e zelou para que ficassem sepultados lado a lado, no mesmo jazigo...).
Verdi, conhecido igualmente por impor a sua vontade, menosprezando conselhos em sentido contrário. Como sucedeu, por exemplo, com o famoso "ritornello" "la donna é mobile qual  piuma al vento", retirado de uma cançoneta popular, que todos os conselheiros lhe afirmavam não estar à altura musical da obra do mestre. Verdi manteve o "ritornello", que se tornou o emblema do "Rigoletto". Tinha portanto razão o Mestre (num apanhado sucinto, o "ritornello" já foi cantado por Caruso, Pavarotti, Alfredo Kraus, José Carreras, Plácido Domingo...).
O Vaticano  ripostou com uma missa "a secco", na qual não foram dadas hóstias dentro da igreja aos comungantes.

A controvérsia sobre a "Messa da Requiem" prolongou-se muito para lá da sua estreia com ataques furiosos dos "paus mandados" do Estado do Vaticano e, em muito maior número,  elogios rasgados  a Verdi.
Hans von Bülow , maestro com certo prestígio e um dos trauliteiros de serviço, escreveu a crítica na véspera da estreia. Recusou-se a ir à estreia, preferindo uma ópera de Glinka (insucesso clamoroso) . Acusou a "Messa" de "inúmeras falhas, erros grosseiros de nível estudantil, ausência total de gosto". Dezoito anos depois, H. von Bülow pedirá desculpa a Verdi, dirá que, "na altura, estava num estado de total imbecilidade, de cegueira, provocada por um fanatismo ultra-wagneriano". Verdi divertiu-se bastante com a desculpa tão tardia, considerou que Bülow devia ser louco... e guardou a escusa num escaninho como uma pérola.
Porém, os elogios choviam em cima da obra de Verdi. Brahms, depois de ler a partitura da "Messa da Requiem", terá comentado: " Bülow desgraçou-se para sempre, só um génio podia escrever uma obra como esta."  George Bernard Shaw escreveu: "Verdi permanecerá sempre entre os maiores compositores italianos (...) mas o "Requiem" a Manzoni permanecerá o seu monumento imorredouro (...), essa obra sozinha (...) colocá-lo-á seguramente entre os imortais." 

A sequência "Dies Irae" ("Dias da Ira"), a mais longa da obra - 40 minutos -, na qual se concentra a fúria divina a abater-se com uma violência superior à de qualquer Requiem passado ou futuro.
"Dia da ira, Dia esse/que consumirá a terra e as cinzas/ segundo as profecias de David e de Sibila/(...) Livra-me, Senhor, da morte eterna,/nesse dia tremendo/em que os céus e a terra serão revolvidos,/ e Tu virás julgar o mundo pelo fogo."

A obstinação e a confiança genial de Giuseppe Verdi cravaram uma lança ainda viva no coração do sectarismo religioso que intenta ultrapassar os domínios do espiritual e sobrepor-se nos campos terrenos.

Vem a propósito fazer um paralelo entre a "Messa da Requiem" de Verdi e o "Requiem em ré menor" (estreado a 2.Jan.1793) do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, menino prodígio que aos 3 anos tocava cravo e piano, aos 5 começou a compor, aos 6 o pai levava-o em digressão pelas principais cidades europeias , juntamente com a irmã Nannerl, à qual Mozart permaneceu sempre ligado por fortes laços de afectividade e abundante (e irreverente) correspondência. 
Mozart, influenciado por Michael Hayden, Mozart ligado à franco-maçonaria (então, uma força política secreta, progressista, de carácter "iluminista") compõe uma missa fúnebre - a sua última obra - também para 4 solistas (soprano, alto, tenor, baixo) e um Coro. Obra, portanto, nitidamente operática, mas assaz diferente da de Verdi. O menino prodígio de Salzburgo, (Áustria), menino "amado pelos deuses", que morre com 35 anos roído pelo absinto e pelas noitadas coladas às auroras, defende que "a Música, mesmo nas piores situações, nunca deve agredir os ouvidos, mas sim cativá-los e continuar sempre Música"
O que se traduz numa missa fúnebre que deixa aberta uma janela de esperança para um Futuro promissor, algures... Ao reverso do Requiem de Verdi que se abate tragicamente sobre todos os seres humanos.


Estamos agora em condições de compreender a magistral oração fúnebre concebida e executada pelo Partido Comunista Português (PCP) , num dos salões do Hotel Plaza, na Rua do Salitre, em Lisboa, logo a seguir ao Parque Mayer, no dia 10 de Maio.2016, a partir das 17horas.
  
Parque Mayer onde antes do 25 de Abril, com coristas espanholas rechunchudas a piscarem o olho para latifundiários alentejanos sentados na plateia com capotes de golas de pele raposa, com óptimos cenários no fundo do palco, uns textos cheios de trocadilhos, segundos sentidos e piadolas sempre a descair para a cueca, naipes de actores por vezes notáveis - por exemplo, Humberto Madeira, Ivone Silva, Vasco Santana, Costinha - muito Zé Povinho do distrito de Lisboa em sentido ampliado, em dia de aniversário ou festa familiar, fazia o baptismo possível contra a asfixia bafienta, de sacristia, do salazarismo.

Ía eu então teclando que o PCP, no salão referido, ofereceu uma missa de Requiem prognosticando o fim , mais perto que "loantano", da Europa do Euro, da Europa do Grande Capital.
Fim não só desejável como inevitável, pois já está em andamento com o esquartejamento a várias velocidades da economia e sociedade dos Países da União Europeia.

Solistas: o secretário-geral Jerónimo de Sousa, Vasco Cardoso, Paulo Santos, João Ferreira, a representar todo o Partido e os seus militantes, a Comissão Política, o CC e o Grupo Parlamentar, o Grupo Interveniente na Comissão Europeia. Solistas convidados: Jorge Bateira, professor universitário e investigador da área económica, e João Ferreira do Amaral, professor universitário e investigador da história da economia. 
No salão umas duzentas pessoas. Pela Comunicação Social: a LUSA, a SIC, a RTP Antena 1 e os serviços de filmagem do próprio Partido Comunista Português.

Estavam assim reunidas as condições para um Requiem memorável, dinamizado pelo PCP, a favor do fim da União Europeia dos Patrões, dos Cartolas, e para o advento de novas alianças inter-países mais igualitárias, mais solidárias, realmente democráticas. E o Requiem aconteceu.

Jorge Bateira contribuiu com uma fórmula lapidar, afirmando que o fim desta UE do Grande Capital não é apenas uma exigência económica, mas uma questão de dignidade, de soberania nacional, pois a soberania não é como o fiambre que se pode cortar às fatias.

João Ferreira do Amaral confessou que embora o PCP tivesse desenhado já em 1998 o perfil funesto desta UE, só em 2004 tinha começado a compreender a verdade deste perfil desenhado e que, nos dias de hoje defende convictamente a saída o mais rápida possível do Euro e a cunhagem nacional da nossa própria moeda.

Jerónimo de Sousa colocou a cúpula no Requiem recordando que a saída do Euro, a cunhagem de moeda decidida a nível nacional, a recuperação da dignidade e da soberania nacional, precisa de ser assumida pelo grosso das camadas produtoras da população portuguesa e pela sua luta consciente nos vários "fora" da vida.

Os outros solistas mencionados, "da casa", que me desculpem, mas não tirei os apontamentos suficientes. De qualquer forma as suas intervenções importantes e esclarecedoras podem ser encontradas no "Avante!" e já as tenho encontrado citadas ou escortanhadas (o que é sempre um sinal de sucesso, embora indesejado) no "Facebook.

A primeira audição do Requiem profético do PCP foi dada. A luta em marcha acelera-se.



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Amplexos amistosos, confiantes do

Leopardo     


Vaticano

     

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Papéis & Papéis

Devo começar por rectificar um erro, e grave, que cometi no último blogue: atribui à Frelimo práticas que têm sido habituais na Renamo. Isto é, quem tem praticado genocídios e terrorismo contra a própria população moçambicana ( e não só ) tem sido a Renamo ( e não a Frelimo, como eu disse no blogue anterior). Do facto peço desculpa (por vezes as horas tardias e o sono provocam disparates destes; mato-me a trabalhar para Vocês...).

E já que iniciámos nesta matéria, reflictamos sobre algo muito mais grave: como se permite o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa ,convidado do Estado soberano de Moçambique, onde existe um Presidente e um Governo da Frelimo, eleitos livremente, ouvir em audiência a Renamo que recomeçou uma guerra fratricida no país, usando as criminosas práticas do terrorismo e genocídio??... 
Imaginar-se-á o Senhor Presidente da Republica Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa um delegado arbitral da ONU em terras de Manica e Sofala??... Não se dá conta de que o simples facto de receber uma força terrorista e genocida em guerra representa por si só uma legitimação dessa força e uma ingerência gravíssima na vida interna de um país soberano??... Ou dá-se perfeitamente conta de tudo isto e compromete a República Portuguesa numa política de ingerência que decidiu sozinho na sua individual cabeça, ou de quem alguém o incumbiu, sem a ter discutido nos locais próprios: a Assembleia da República e o Conselho de Estado portugueses??...
São actos políticos da maior gravidade, que comprometem lamentavelmente o Estado Português, e que não cabem dentro da onda de simpatias, afectos e ternura que Sua Excelência Excelentíssima tem propagandeado como sua. 

Uma outra Excelente Excelentíssima criatura que os "mírdia" mui têm apaparicado tem sido João Salgueiro.
Com uma carreira esmaltada de vitórias, medalhas e cargos elevados, talvez só nos tenhamos safado de o ter agora como PR por causa da sua provecta idade (81 anos). Demos um golpe de olhos no seu currículo: licenciado em economia e finanças pelo ISCEF de Lisboa, pós-graduado em Haia, subsecretário de Estado do Planeamento de Marcello Caetano (1969), presidiu à Juventude Universitária Católica ( JUC ), co-fundou a SEDES, aderiu ao PSD depois do 25 de Abril .
Nos entretantos, foi passando pelo Banco de Fomento Nacional, CGD (que lhe paga uma gorda pensão vitalícia), presidente da Associação de Bancos Portugueses, vice-presidente do Banco de Portugal, ministro de Estado, das Finanças e do Plano, entre 1981-83,  no Governo de Pinto Balsemão (VIII Governo Constitucional).

Um tal palmarés poderá explicar em parte a atenção desvelada com que os "mírdia" o têm mimoseado. E que diz a Excelente Criatura J.Salgueiro? O mesmo que o camarada Agostinho Lopes: que a rede de "off-shores" é internacional e é legal; e situa-a nos mesmos locais, City de Londres, Irlanda, Luxemburgo e C.ia. 
Agora, diferentemente de A. Lopes, não diz que ela é imoral, nem que a sua legalidade pode e deve ser mudada, nem que o secretismo destes "off-shores" deve ser desbloqueado. Pelo contrário, J.Salgueiro assevera que a legalidade dos "off-shores" é um facto inquestionável, assim como o seu secretismo. Factos são factos, a realidade é o que é. Isto é, imutável.

Com Salgueiros destes, com os mimos com os quais os "mírdia" dominantes os lambuzam como não há-de o fado ser a canção nacional e a depressão a patologia psíquica mais generalizada?...



                         Dhlakama gostaria de jantar com Marcelo mas está impossibilitado
                                    Resultado de imagem para fotos de João Salgueiro



  Amplexos amistosos

  confiantes

 combativos 

do Leopardo  

terça-feira, 3 de maio de 2016

Os Papéis do Panamá & outras minudências maxidentes

Esta edição do blogue em parte era bem escusada de ser escrita se pelo menos os Camaradas do Partido lessem o "Avante!", o que não fazem porque se o fizessem não os via tão entusiasmados com os ditos "Papéis do Panamá" ou "Panama Paper's"(na versão inglesa).
Que os nossos Companheiros de viagem e os nossos Amigos o não façam compreende-se, não são Camaradas, convergem connosco quando entendem, estão no seu direito (embora me poupassem muito trabalho). Agora para os Camaradas deveria ser obrigatório lerem o nosso incontornável semanário da capa à contra-capa (notas de rodapé incluídas), tal como terem as quotas em dia, conhecerem os Estatutos do Partido e as principais resoluções do último Congresso (ouço umas tosses nas filas lá detrás, mas isso cura-se com uns rebuçados dr.bayard...). Esta falta de leitura ou leitura atrasada, lava-os a esperar que da cartola dos "Panama Paper's" saiam esvoaçantes pombas brancas revelando o mel dos "off-shores" capitalistas. Apesar de repetidas advertências de que é no mínimo estranho que nos ditos "Papéis" não conste surgirem as siglas de grandes empresas norte-americanas...

Ora, o camarada Agostinho Lopes (no "Avante!" de 21 de Abril.2016, pp. 25 a 27, "Tira o capitalismo da chuva...") desenrola um excelente artigo que ilumina a matéria em causa e previne ilusões injustificáveis.
Como é óbvio não vou aqui tentar transcrever-lhes uma síntese do extenso artigo de A. Lopes, tão rico e denso ele é, apenas chamar a atenção para algumas opiniões que julgo determinantes, que o camarada A.Lopes foi respigar a jornalistas com preocupações de objectividade e seriedade (as quais se podem ler todas na p.26).
Assim, Carlos Pimenta (na "Visão", online,7Abril.16) :"(...) os paraísos fiscais, a facilidade de criação de empresas fictícias e o encobrimento dos seus proprietários, logo o sigilo dos actos aí praticados, é uma mega estrutura mundial perfeitamente legal. A lei dos poderosos do mundo (ou não fossem os maiores países capitalistas os seus proprietários) (...) existe para proteger a propriedade dos donos da riqueza. Por isso, a riqueza privada nos paraísos fiscais é pelo menos metade do produto mundial anual."
Ou Sandro Mendonça ("Expresso", 9Abril.16) : "Mas os paraísos fiscais não são um fenómeno na margem do sistema. Não são meras excepções: são fulcros que asseguram regras cada vez mais apertadas impostas a tudo o resto. São um aspecto estrutural do mainstream. Estão no coração desta nova fase de globalizaação financeirizada que vem desde os anos 70."
Ou Rui Sá ("Jornal de Notícias, 11 Abril.16) : "É o capitalismo, estúpido".

Segundo o FMI , já em meados dos anos 90, pelos paraísos fiscais passava metade dos fluxos financeiros internacionais. O escândalo do Panamá é uma gota no oceano dos mais de 80 paraísos fiscais, que estão bem distribuídos pelo planeta. A sua localização é só por si elucidativa sobre a "identidade" dos comandos políticos e económicos dessas infra-estruturas financeiras. (...) o maior offshore do mundo é "a City de Londres, uma milha quadrada de jurisdição especial, no coração de uma capital europeia. Na Europa, junta-se à Suiça, ao Luxemburgo, à Irlanda, à Bélgica e a Chipre. E, fora da Europa, a Israel (porque será que ninguém ouve falar deste paraíso?) e aos estados norte-americanos de Delaware, Nevada, Dakota do Sul e Wyoming.
Segundo a Bloomberg, os paraísos fiscais hoje favoritos no mundo estão nos EUA. Etecetera, etecetera, etecetera...
Todas estas pérolas esclarecedoras no nosso "Avantesinho!", ao preço da uva mijona. Amigos, Compagnons de Route e Camaradas toca a ler o artigo na íntegra.

E agora mudando de via ou continuando na mesma por sendeiros mais modestos, Sua Excelência Excelentíssima o nosso PR está adentrado em Moçambique, Estado soberano (convém lembrá-lo), onde lavra a guerra reacesa pela Frelimo , que sempre se distinguiu pelas práticas terroristas mais sanguinárias e genocídios conduzidos contra o seu próprio Povo.
A nossa Excelentíssima Excelência, recebida com pompa e circunstância, "encantau" com umas moçoilas moçambicanas, vestidas a preceito com vistosas capulanas e lenços, a dançar modas tradicionais do País, igualmente "encantau" com vendedeiras de rua, anciãs, a sorrir para as câmaras e a oferecer cajús, papaias, quiabos (o Povo é muito generoso), a nossa Excelência Excelentíssima , quando lhe deu para o sério, foi deixando cair com ar grave que esta coisa do des-Acordo Ortográfico deve ser pensada e repensada (confesso que não percebi se queria dizer que devia levar uns pensos rápidos, uns pensos higiénicos ou outra coisa qualquer; Sua Excelência tem umas sentenças grávidas de significados...).
Como se sabe, Moçambique é um dos países da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - que ainda não assinou o AO/90 e onde, além do Português (língua oficial), se fazem sentir fortes influências do inglês, afrikander, francês, para além dos dialectos locais (o eixo longitudinal mais extenso de Moçambique é superior a 3.000 quilómetros).
Portantos, Sua Excelentíssima Excelência sente-se bem em terras de Manica e Sofala, derrama-se em "smiles", não se compromete com afirmações substantivas nenhumas, nem mesmo em relação ao desgraçado "Acordês" (em Moçambique esqueceu a fórmula do "Referendo").

Ou seja, "tudo como dantes, quartel-general em Abrantes". Em todo o caso não percebo o súbito feitiço que atingiu alguma da "inteligentsia" portuguesa, que sabem a criatura foi criada no marcello-caetanismo, estagiou durante decénios no PSD "alone", no PSD conluiado com o CDS, no psd fundido ao cds no PÁF de vida curta, retornado ao PSD "alone", e logo recauchutado numa candidatura presidencial "isenta", "imparcial", "acima" e "equidistante" dos Partidos, e a dita cuja "inteligentsia" parece crer na "transversalidade", prenhe de afectos, da criatura. Também, os "milagres" de Fátima não fazem parte da ortodoxia católica, mas ninguém está proibido de acreditar neles.

A situação objectiva que se vive hoje em Portugal é que existe um Governo social-democrata, apoiado pontualmente à Esquerda (em lugar do Governo de Direita, da situação anterior), existe uma Assembleia da República com uma maioria de Esquerda (embora matizada), temos um Presidente da República pendular, umas Forças Armadas, Forças Para-Militares e Policiais feridas nos seus privilégios tradicionais.

E agora querido Zé Povinho a quem vais fazer o manguito?...   



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                                        Resultado de imagem para fotos ou imagens do Presidente Marcelo no Maputo

Amplexos perplexos,

mas mui amistosos

do Leopardo