Reflexões do Leopardo

Reflexões do Leopardo
Reflexões do Leopardo

domingo, 7 de maio de 2017

Os Mírdias em vésperas de Fátima

Salvé Irmãos, tenho vindo a ser iluminado pelos Mírdias que a Virgem quando apareceu empoleirada em cima de uma oliveira ou azinheira, na Cova da Iria apareceu para todos, mesmo para os porcos sujos como eu - ateus - que patinham de patas ao léu nos lodaçais pecaminosos dos incréus ( os agnósticos, incréus suplentes, da segunda divisão, incapazes de se pronunciar se deus existe ou não existe - os quais Marx apodou de "ateus envergonhados" - patinham igualmente na lama, mas podem usar tairocas ou croques ; os agnósticos nunca estudaram Immanel Kant nem David Hume (que Kant confessou que o tinha "acordado de um sono dogmático") os quais provaram que não se podia provar racionalmente a existência ou a inexistência de deus ).

Os Mírdias têm dado voltas e mais voltas ao assunto. Têm-nos alertado que se pode acreditar ou não acreditar na Virgem e nos Três Pastorinhos, porém não se pode afastar a problemática com um piparote displicente dos dedos, até porque já foi editada uma colecção de 39 volumes (que penso comprar a prestações com as minhas economias de leopardo aposentado e ficar a lê-la até entregar a alma ao Vazio Absoluto ou ao Criador, qualquer que ele seja), com contribuições de especialistas das mais diversas áreas - teólogos, filósofos, epistemólogos, linguistas, historiadores, psicólogos, sociólogos, físicos, astrónomos, astrólogos, quiromantes, etc, etc - crentes e não-crentes e todos são concordes num ponto : alguma coisa se passou ! O que é uma conclusão espantosa !... Direi mesmo mais : espantástica !!...

As teses mais partilhadas são: ou a de que a Virgem não apareceu, todavia os Três Pastorinhos acreditam que sim, e, então, trata-se de uma Visão ; ou a Virgem compareceu mesmo e, então, estamos perante uma Aparição ; ou, aconteceu um fenómeno astronómico ou electromagnético raro ( como o transito próximo do planeta Terra de um cometa ou um fenómeno do tipo aurora boreal ) presenciado pelos Pastorinhos e interpretado de acordo com os seus escassos conhecimentos ( leia-se, profundas ignorâncias e medos). Agora que alguma coisa aconteceu, é um facto ! Não me cansarei de repetir : espantástico !!!...

Até, porque este facto, inicialmente de microscópica dimensão, foi apenas registado por um jornalista do "Século" que nem se terá dado ao trabalho de se deslocar a Fátima, local bastante inóspito, como se sabe, perto do Entroncamento (tórrido no Verão, gelado e húmido no Inverno, apenas propício para espécies vegetais como abóboras, pepinos, tomates ao gosto da Joana Vasconcelos).
A Santa Madre Igreja, lentamente, temerosamente, foi-se apercebendo das consequências , positivas e negativas, que poderiam advir do que quer que tivesse ocorrido. No entrementes, começaram a pingar nas numerosas caixas das esmolas espalhadas em torno da árvore definitivamente promovida a oliveira - símbolo da Paz - uma cornucópia de escudos, velas acesas, cartas de agradecimento por novas benesses-milagres dos Pastorinhos ou da Vigem que foram afastando as dúvidas das Santas Madres Igrejas do Cardeal Cerejeira e do Vaticano e do bispo de Leiria que farejaram ali um esplêndido negócio, possível concorrente do Santuário de Lourdes, em França, e dos Caminhos de Santiago e do Santuário de Compostela, em Espanha.
Como é do conhecimento geral, a Economia tem sempre a última palavra, mesmo nas matérias da Espiritualidade... e nos cofres do Banco Ambrosiano ( IOR ) cabem sempre mais umas barras de ouro.

Está claro que isto actualmente ademanda conhecimentos técnicos mais especializados, pois o envio de "dinheiro vivo" para os cofres fortes da Santa Madre Igreja se realiza através de carcanhol electrónico, de "off-shores", e se verifica que o planeta está atuchado de vigaristas sem carta de aldrabices legal, prontos a roubar o querido pilim a quem está legalmente habilitado para o fazer.

A Santa Madre Igreja tem tomado as suas precauções. As línguas mais viperinas bolsam que a mana Lúcia foi encerrada numa daquelas ordens de monjas a quem não é permitido falar (Carmelitas ou coisa que o valha) chegando até algumas das línguas mais venenosas a assegurar que a mana Lúcia que foi beatificada não corresponde à original, que defuntou faz muito. Os primos Francisco e Jacinta defuntaram pouco depois do ocorrido. Com milagres ou sem milagres ninguém é eterno tirante a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo, tudo do género masculino, onde não metem o bedelho mulheres).

Como os tempos se arrastam dificultosos, a Santa Madre Igreja tomou os seus cuidados (até porque cuidados e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém) nas suas diversas filiais criando o Movimento Ecclesia, Movimento dos Cursilhos de Cristandade que são uma espécie de militantes "crème de la crème" "para o aprofundamento da Fé".
Compreende-se, nestes tempos de triunfo das internet's e dos internautas, dos facebook's, dos e-mail's, um tipo engana-se, tecla "ecclesia" com menos um c ou "quirialeisum" com um k em lugar de um q e lá vai a dinheirama para casa do catano ( sabe deus até senão irá parar à Coreia do Norte, à Venezuela de Maduro ou à Síria dos Assad , países horríveis de perdição, pastagens predilectas do Maligno ). Mesmo com deus a jogar na equipa certa, uma pessoa não pode dormir descansada. Os milagres já não são o que foram...

No meio destas batalhas da mais augusta transcendência, hoje, em França - que já foi pátria da "Liberté , Égalité, Fraternité"- vota-se para a eleição da Presidência francesa. Candidatos fortes : Emmanuel Macron, uma espécie de Obama à gaulesa e de pele pálida, e Marine Le Pen, o rosto assumido do neonazismo recauchutado. Além destes pesos pesados do leque eleitoral, mais 9 candidaturas para complicar e baralhar.
Embora os comentadeiros internacionais e nacionais atribuam uma vantagem de 9 pontos ( 9 pontos como num combate de box ou de "restling" ) a Macron , depois de um frente-a-frente com a Le Pen e após a candidatura Macron acusar o processo eleitoral de chapeladas a favor da Le Pen, em qual dos cantos se postaram os mírdias portugueses?... Pois claro, no canto da Le Pen, bebendo-lhe e traduzindo-lhe as arengas nazis.

Pode-se pedir mais neste mês de beatificações, milagres da 2ª e 3ª divisão, visitas marcadas da Virgem , de Sua Santidade o Papa Francisco (Chico p'ós amigos) - outra canonização em fila de espera ! - talvez mesmo uma Visão extraordinária dos 3 Pastorinhos como extra e brinde para a multidão de crentes rendidos ?!!... ( já reservaram o vosso espaço numa tendinha colectiva pela módica quantia de 1000 €uros ?...).

Muitos quirialeisuns para Todos

neste momentum magnum de todas as conversões e Visões

do Vosso Leopardo peregrino

   
   Resultado de imagem para fotos ou imagens de Emmanuel Macron Resultado de imagem para fotos ou imagens do Santuário de Fátima


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Sobreviver na Selva

Um dos canais da TV tem andado a transmitir um programa em que apresentam uns matulões e umas matulonas, todos nus, apenas com as imagens dos sexos esborratadas, a sobreviver numas florestas horríveis, povoadas por dragões do Comoro, giboias de dois metros de comprido, olhos pequenos a luzir de fome, ratos, baratas, mega-formigas e demais insectos indignos de figurar numa enciclopédia zoológica respeitável,  e ainda nuvens de mosquitos infectadas de tudo quanto é péssimo.
Os tais matulões e matulonas somente possuem para sobreviver, naquelas florestas equatoriais ou geladas, um arco e flechas (que lhes deve ter sido fornecido num "toys' re us" da fronteira) e uns telemóveis todos catitas com os quais vão tirando umas "selfies" a si mesmos  ou a esfolar umas serpentes que, asseguram, sabem a galinha, e, "in extremis", pedem para serem evacuados a umas equipas que os sobrevoam e filmam, quando já emagreceram 20 kilos numa semana e têm os nervos mais finos que massa folhada de Tentúgal (nesse caso perdem o jogo, jogo cujo fito é sobreviver naquelas condições foleiras).

Caramba, aquilo é difícil p'ra caraças. Cá o filho da inha mãe, que entrou na guerra colonial coercivamente, subversimamente, a fazer o oposto do que lhe ditavam as altas patentes salazarentas, não me assustam os dragões de Comoro ou as giboias, que as espécies originais estão muito caras, pela hora da morte, existem Associações de Almas Ingénuas que os protegem, mas comer ratos, baratas e esquisitices quejandas, valha-me a Santa (uma qualquer, que prezo igualmente todas as religiôes)!...
Além disso, até aguentava dormir ao lado de um dragão de Comoro ou de uma gigantesca boa. As criaturas haviam de desmaiar com o olor a respeito (não exactamente medo ou cagaço, que um leopardo dos Hermínios não conhece temor a nenhum ser vivente!) que exalaria de toda a minha pessoa. Se necessário fosse dava-lhes de quando em quando umas patadas e uns copos de tintol para os manter "tranquilitos"

E, óspois, estar horas a esfregar dois pauzinhos junto de umas folhas secas e umas carumas na esperança que aquilo faísque, pegue fogo para esturrar um rato ou cobra, nanja o filho da inha mãe (telefonava logo para uma pizzaria da fronteira). 

Agora o verdadeiro embuste, a razão porque aqueles destemidos matulões/onas sobrevivem naquelas paragens infernais, essa não no-la dizem os autores do programa. E a verdadeira razão é a Mentira, as aldrabices puras e duras que todos os caçadores pregam uns aos outros: "a perdiz que trago dependurada no cinto, só a minha caçadeira e o meu olhinho certeiro lhe acertava no meio dos pinheiros" ; "aquele coelhone, só cá o rapaz e os meus zagalotes o fisgavam" ; etc, etc.
Isto de "coelhone" é uma expressão figurada, porque, como é sabido, todos os "coelhones" do rectângulo nacional e ilhas há muito que se matricularam no ps e no psd - um dos coelhones até carimbou como imagem de marca: "quem se mete com o ps leva !" ; lema imortal que figurará no jazigo familiar!...  Os cds's são irrelevantes, são animais de crista, de capoeira, cabem todos num tuc-tuc. 
Assim, a Arte da sobrevivência de um caçador é a Mentira, a aldrabice chã ou arrebicada.
O que distingue a Mentira de um mero caçador da Mentira de um escritor? A primeira é simplesmente oralizada, a segunda é impressa por escrito e passa a ser mencionada por "Efabulação". No caso da Efabulação provir de uma personalidade de elevado "ranking" social - como Sua Santidade, o Papa , Sua Excelência Excelentíssima o Profe Martelo ou o dr. Guitarras, suposto director da Onu, "allora" a efabulação ascende ao patamar do Mito, eterniza-se, mesmo que dure apenas uns meses.

Teclado desta forma parece simples, todavia não é. Cá o Leopardo há anos que labuta por elaborar uma "efabulação" de tomo, porém sem sucesso. Lá arroncho mais um seguidor do meu blogue, lá respigo mais um elogio para as maluqueiras que vou escrevinhando, agora efabulação, efabulação digna de figurar no frontespácio do pote com as minhas cinzas... népias, nikles, zero!
Creio que devo conformar-me com a pobreza dos genes que o ADN me distribuiu em sorte...  



     Resultado de imagem para fotos ou fotos ou imagens de caçadores primitivos  Resultado de imagem para foto ou imagem de um dragão de Komodo

                                                Resultado de imagem para fotos ou imagens do dirigente do PS Jorge Coelho


Saudações militantes do

Leopardo   

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Longa Vida ao Mata Bicho

O Bruno Nogueira todos os dias faz umas faienas na RDP/Antena 1 de capote e bandarilhas , nas quais crava uns ferros certeiros na Senhora Dona Igreja Católica , que põem de pé a praça dos agnósticos e dos ateus (como cá o meco) aos "olés", aos "ombre, bendita la madre que te pariô", a atirar mantilhas e "sombréros" para o areião. O Bruno denomina-as de crónicas de "Mata Bicho". Tá bêm, dêxa... Tenho esperança que continue a tourear, a sair da praça em ombros, a ter direito às orelhas e ao rabo (servirão para uma sopa proteica?...).

Hoje, o Bruno alembrou-se de voltear uns "capotázos" em torno da Joana Vasconcelos , faiena para manoletes consagrados, pois a Joana - que se reclama de artista - só trabalha com material gigante: cacilheiros e quejandos.
Ao Bruno veio-lhe ao bestunto, e bem, que um bom destino a dar às "pièces artistiques" da Joana era amontoá-las todas - por exemplo, em Almaraz - regá-las com petróleo e atear-lhes fogo. Dava para iluminar a Península Ibérica durante um ano !...

Porém, eu penso que petróleo e um fósforo não chega. Será necessário experimentar o tão badalado arsenal nuclear norte-coreano , que também considero uma ninharia. Bom mesmo será usar umas Donas Antónias da artilharia nuclear cowboy , de eficácia comprovada (demonstrada em Hiroshima, Nagasaki, Allepo, Síria, Líbia, Iraque, "and so on")  e que, além disso, são "democráticas", não são "totalitárias" . Com o fundo musical do Sinatra  no "My Way" ( Sinatra que foi a "Voz" da Máfia yanque, portanto mui "democrática"... fazia-se sempre acompanhar por uns 40 guarda-costas para lhe resolverem os desaguisados que provocava amiúde...).

Se vier a acontecer será um fim à super-dimensão da J.Vasconcelos, da "Arte" e da "Cultura" dela ! O único senão será que da Península Ibérica apenas restará uma memória gravada em mapas, livros, CD's, filmes, fados. Mas, uma Basconcelos bale bem tudo isso !!!... 



Resultado de imagem para fotos ou imagens do Bruno Nogueira       Resultado de imagem para fotos ou imagens do Bruno Nogueira 

                              Resultado de imagem para fotos ou imagens de Joana Vasconcelos



Saudações empenhadas (devo mais do que o que tenho)

do Leopardo   

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Os Dias da Música

Ao falar dos "Dias da Música" estou a referir-me aos cerca de 80 eventos organizados e levados a cabo no Centro Cultural de Belém ( CCB ), em Lisboa, nos dias 28, 29 e 30 de Abril.2017 (nos anos anteriores também se tem verificado sensivelmente nestas datas), eventos meritórios para divulgação e desenvolvimento das artes performativas que giram em torno da música: dança, ópera, concertos, cenografia, artes plásticas, música ligeira, clássica, jazz, canções ligeiras, "lieds", poemas, librettos, romances e mais que me estará a escapar de momento. Estes "Dias da Música" atraem ao CCB uns milhares de pessoas: artistas do meio, orquestras, coros, editores, intelectuais, melómanos nacionais e da estranja, crianças e adultos. Os preços são bastante acessíveis tendo em conta os meios mobilizados: entre os 5 e os 10 euros.

É claro que só tive acesso a uns 6 eventos (até porque sou contra uma indigestão de espectáculos por melhores que sejam) e dessa meia dúzia apenas me referirei a 3 : ao diálogo com o Sérgio Godinho em volta da relação entre os textos e a música - era essa a temática proposta este ano; aos Couple Koffee, banda brasileira a residir actualmente nestas praias à beira-Atlântico plantadas; à Ópera de câmara de Alexandre Delgado , composta (em 1993) a partir do texto "O Doido e a Morte" de Raul Brandão.

O pseudó-diálogo (visto que foi só quase o grande cantor que usou da palavra) com o Sérgio Godinho revelou verdadeiras pérolas como a de que sua mãe - professora - tinha o hábito de fazer quadras adequadas às pessoas que convidada para jantar, dispondo as quadras em frente do lugar onde a pessoa se sentava, ou a expressão que ele, Sérgio, inventou de "crédito mal aparado", pois precisava de uma vogal para o verso ficar metricamente correcto. Foi, igualmente delicioso ouvir responder que não usava o Açordês/90, pois considerava que aquele "aovmi" (abjecto objecto voador mal identificado) não tinha ponta por onde se pegasse, mas, nos entretantos, triturara uma geração de jovens, baralhados na barulheira das sílabas.
Anh, anh, agora digam lá se não vale a pena, só por esta declaração, ir a Grãndola - onde estão a homenagear o Sérgio - para assistir ao lançamento da segunda obra que o cantautor realiza no mundo do romance.

Após o nosso querido Sérgio cabe-me falar dos "Couple Koffee" - Luanda Cozetti na voz e Norton Daiello na guitarra electrónica - , banda de brasileiros a residir na actualidade em Portugal.
Para pôr tudo em pratos limpos, e não obstante ser um admirador da incontornável literatura brasileira (vive-se sem Drummond de Andrade, mas em deficiência) e de alguma da sua música, estou mui longe de pertencer aos incondicionais da sua cultura.
Comecei, pois, a ouvir o Norton e a Luanda num misto de reserva e suspeição. Reserva e suspeição acentuadas pelas poses demasiado estilizadas e cronometradas do casal. Todavia, pouco a pouco, à medida que a dupla foi arriscando até reinterpretar "Os Vampiros" do inimitável Zeca Afonso ou ousarem cantar o mastodôntico Ary dos Santos, a Cozetti e o Daiello conquistaram-me por dentro, de mansinho. Percebi porque já tinham feito música com o Jorge Palma, o Vitorino Salomé, porque tinham 4 álbuns - "Puro" de 2005 ; "Co'as Tamanquinhas do Zeca" de 2007 ; "Young and Lovely" de 2008 , dedicado à Bossa Nova ; "Quarto Grão" de 2010 , com o qual palmilham o País em digressão.
A partir de ontem, estarei de pupilas assestadas em cima dos "Couple Koffee".

A finalizar a Ópera de Câmara do Alexandre Delgado, a glosar a obra "O Doido e A Morte" do Raul Brandão, ópera de câmara que envolvia poemas do Luís Vaz de Camões e do José Régio.

Sim, o Alexandre Delgado é aquele mesmo compositor que vestiu o libretto "Vozes Altas" do Manuel Gusmão com vestes musicais espantosas, Ópera da qual, desgraçadamente, não se editaram exemplares para o grande público.
  
Se ouvirem dizer que o público do CCB é constituído por um escol de melómanos sabedores não creiam. A sala estava meia-cheia, meia-vazia. Um estrabismo típico de "patos bravos".
A Ópera de Câmera "O Doido e A Morte"  do Alexandre Delgado compreendo que seja difícil de apreender intuitivamente porque é musicalmente inovadora, o Alexandre Delgado dirige-a com a modéstia exemplar de um sacristão que não fizesse senão oficiá-la com o dever de quem entrega o que não é seu, utiliza nos poemas "parolacce" in-habituais em obras deste gabarito (usuais, por exemplo, num Quim Barreiros; por sinal foram estas "parolacce" que fizeram rir o público). 
Nas vozes é impossível não destacar o conhecido barítono Luís Rodrigues, o tenor Carlos Guilherme a "parlare basso" ou a sustentar dós de peito, a mezzo-soprano Susana Teixeira numa personagem bem divertida, o actor Salmo Faria a representar dois personagens.
Impossível também não referir que o Toy Ensemble envolve 14 instrumentos musicais , magnificamente tocados por 10 músicos, um dos quais instrumentos, o contrafagote, belíssimo, eu nunca havia visto na minha carreira de melómano apaixonado.
E mais não vos posso transmitir nessa matemática dos sons e da alma, que imediatamente se evola com a última nota soada.

A grande festa do 1º de Maio, Dia do Trabalhador em todo o planeta seria o grandioso desfecho desta comunidade espiritual iniciada nos Dias da Música.
E foi . Eu estive lá, participei. Quis mesmo realizar essa tarefa pateta de contabilizar o número de participantes na Festa/Luta dos Trabalhadores em Lisboa, a culminar na Alameda, até que rápido concluí com o Ary "eram não sei quantos mil, soldados, marinheiros, proletas, mineiros, poetas, etecetera, etecetera, que triunfaram por um Chile metafórico, pulsante nos nossos sonhos despertos".
Pois bem (mal), que papagueava a RDP/Antena 1 , paga com o pilim, o arame, do contribuinte anónimo, sem rosto? Parlapatava em redor do 1º de Maio, regateava números?... Nã senhora, nem isso. Ponderava e reponderava com epicentro no "futebolês". Que o FCP não sei quê, que o SLB não sei quantos. Existirá alguém que duvide que estas reponderações são o essencial no Dia do Trabalhador?!... Espantástico ! Que a Santa Padroeira do Desporto e da Cultura nos proteja !...                        

Sauda-Vos o 

Leopardo dos Hermínios

da glaciação anterior


Resultado de imagem para fotos ou imagens de Sérgio Godinho



        Resultado de imagem para informações e imagens sobre os Couple Coffee            Resultado de imagem para fotos ou imagens de Alexandre Delgado