Reflexões do Leopardo

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Reflexões do Leopardo

domingo, 25 de setembro de 2016

Belarmino Fragoso, Fernando Lopes & o reino cadaveroso dos "mírdia " "

Há poucos dias veio à baila o mítico filme "Belarmino" do nacional e internacionalmente muito premiado realizador Fernando Lopes

Como fui um bom praticante amador de boxe, como vi o filme, do qual gostei bastante, como sabia uma série de pormenores sobre a vida privada do boxeur Belarmino Fragoso,  fui de imediato  consultar uns "sites" sobre o assunto.
O primeiro no qual tropecei levou-me ao tapete tal a ignorância e o atrevimento das comentadoras. Objectarão que topei comentadoras sem responsabilidades. Não senhora, as comentadoras eram críticas profissionais de cinema, algures de países do "Leste". Destroçavam o homem real Belarmino Fragoso, que consideravam um falhado, inteiramente responsável pelo seu próprio fracasso na vida, destroçavam o realizador Fernando Lopes, autor de um filme "chato", de uma "lentidão entorpecente", no qual só salvavam a excelência da fotografia de Augusto Cabrita.
Mas que sabiam de boxe as comentadoras-críticas-profissionais-de-cinema , do homem Belarmino Fragoso, dos meios sociais do boxe profissional, de Portugal sob o domínio do fascismo salazarento e no pós- 25 de Abril ( fiquei mesmo com a dúvida, se não pensariam que Portugal é uma província espanhola ) ?? Nada, "rien de rien", "nulla di nulla" . Sobre o realizador Fernando Lopes desprezavam e contrariavam o reconhecimento e os prémios internacionais. A originalidade do entrelaçamento da música de jazz, autoria de Manuel Jorge Veloso, não lhes mereceu uma palavrita ( talvez tenham visionado uma versão sem som... ).

Ter-se-ão as comentadoras-críticas informado que o homem real Belarmino Fragoso apenas realizou a 3ª classe na idade adulta? Que trabalhou como engraxador, a colorir fotos, como porteiro numa das "boites" mais reles do Martim Moniz? Para sustentar a família, a mulher e a filha, obrigações que faziam parte da sua ética pessoal? Que convivia com prostitutas e ladrões que partilhavam ética idêntica? Que possuiu de facto um talento inato para o boxe, que praticou,  e foi reconhecido em França, podendo ter alcançado lugar de primeiro plano não fora a sua reconhecida tendência para a cerveja e "as ervas"? Que o boxe profissional, na Europa como nos "States", é dominado por uma máfia que vive das apostas, do tráfico de armas e de "carne branca"? Que viveu os últimos anos da sua vida ligado a uma prostituta, com quem casou, num andar arruinado de um pardieiro, no mesmo Largo do Martim Moniz, quase em frente da tal boite-prostíbulo onde trabalhava agaloado de porteiro?
     
Julgo que as críticas profissionais de cinema têm todo o direito a exprimir a sua subjectividade pessoal ( tal como eu expresso a minha ), porém, o seu estatuto de profissionalismo deveria impor-lhes notas de objectividade ou de uma objectividade partilhada. Senão, temos o direito de nos interrogar se falam sobre a realidade do boxe, sobre essa realidade reflectida, repensada num filme, ou se sofrem de assombrações.

Estas reflexões tornaram-se-me imperiosas não pela importância das comentadeiras-críticas-de-cinema, mas porque considero que todo o fio científico condutor da destrinça entre o real e a sua interpretação é esboroado intencionalmente, transitando a batalha política, ideológica e cultural para os meios de comunicação, nomeadamente para os "mírdia", onde o capital manda e desmanda à vara larga.

As notícias recentes dos "mírdia" são uma boa amostra do que sustento.

Os "mírdia"incriminam a Rússia na destruição de Aleppo - cidade carismática, tanto do ponto de vista religioso como patrimonial, para os Sírios; promovem o "o estado islâmico" (criação estado-unidense) a "exército de libertação da Síria de Assad"; ameaçam a Rússia de guerra pelas Forças Armadas dos EUA, da Grã-Bretanha e da França ; ameaçam a Rússia com a condenação da ONU, com a condenação de Benjamim  Netanahiu,  "político "controverso", porém, agora com postura positiva" ( Netanahiu que deu cobertura política aos massacres de palestinianos em Sabra e Chatila, massacres prepetrados sob a liderança do general sionista Moshe Dayan).

Os "mírdia"também se encarniçam sobre o novo satélite de observação chinês, prestes a ser lançado no espaço, com o objectivo confessado de tentar encontrar fora do sistema solar outras espécies vivas de inteligência e de linguagem. 
É óbvio que este novo satélite chinês tem despertado a maior curiosidade nos meios científicos e estatais do "Ocidente", que pressionaram o Governo Chinês para partilhar os conhecimentos e a execução do projecto. Estas curiosidades científicas e interesses estatais "ocidentais" compreendem-se perfeitamente, dado que o satélite de observação chinês abre a porta a especulações sobre uma capacidade desconhecida de comunicar e comandar à distância e , até, de tele-transporte.
Propostas que encontraram uma firme e clara rejeição desde o seu início da parte do Estado Chinês.

 Os "mírdia"andam a desencantar supostos comentadeiros científicos, até hoje submersos, que utilizam um argumentário não original, mas variegado, que concorre no sentido de desvalorizar a realização do projecto chinês e de levar o Estado Chinês a aceitar a"colaboração" "ocidental".

No argumentário elenca-se: é magalomanamente caro - 160 milhões de euros; porque implica uma estação-observatório espacial com uma dimensão equivalente a 10 estádios de futebol;   porque já foi tentado a "Ocidente" sem resultado; pela impossibilidade de descodificar qualquer resposta recebida no caso, altamente hipotético, de ela se vir a verificar.

Não pretendo possuir um QI ao nível dos reputados cientistas, porém, em dias da minha vida, nunca assisti a Estados capitalistas dispostos a investir sacos e sacos de moeda sonante em projectos falhados... Decerto desconfianças de leopardo...    

Resultado de imagem para fotos do boxeur Belarmino Fragoso  Resultado de imagem para fotos do boxeur Belarmino Fragoso  Resultado de imagem para fotos do cineasta Fernando Lopes


Resultado de imagem para fotos do general Moshe Dayan             Resultado de imagem para fotos ou imagens do mais recente satélite espacial chinês                                                                         Resultado de imagem para fotos ou imagens do mais recente satélite espacial chinês


Saudações de Leopardo,

confiante na luta de massas

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

As antinomias de abraçar a História, a Verdade e a chanceler Merkel

Irene Flunser Pimentel - acabadinha de chegar de Berlim, quiçá depois de trocar impressões com a chanceler  - , nas boas graças dos "mírdia" da praça lusa, aos micros da Antena 1, Rádio Pública, paga pelos impostos dos cidadãos, abriu a semana fazendo a defesa da atitude "corajosa" da chanceler Angela Merkel, política "controversa", cuja qual, arrostando a animosidade dos outros líderes da União Europeia (UE) - subentenda-se a rica, a que comanda - falou forte na necessidade de acolher os emigrantes da guerra na Síria e de os redistribuir pelas potências europeias, livrando a Itália, a Suiça, a Alemanha do peso excessivo que os ditos emigrantes representam na economia destes países acolhentes.
Irene F. Pimentel reconhece que a chanceler Merkel reconhece que a voz Merkel ainda não encontra a sintonia desejada nos restantes líderes europeus, que os emigrantes continuam concentrados em acampamentos de condições imperfeitas - subentenda-se para o beriosvska - , porém, Pimentel sublinha a atitude "inédita", "isenta" da chanceler que arrisca mesmo ((imagine-se ! ) o não se recandidatar ao cargo de chanceler (mais ou menos semelhante ao "tremendo fardo do homem branco em elevar os pretos à civilização branca" do poeta inglês Rudyard Kipling, que publicou o poema pela primeira vez em 1898 sob o título "The White Man's Burden).

Ora, a realidade indica que a chanceler Merkel prepara a sua recandidatura ao cargo de líder na UE, que as suas dissensões com os outros líderes de peso na UE serão varridas para debaixo do tapete em altura asada e para contento e alegria de todos.

Na verdade, umas horas depois da "científica" defesa Pimentel do "histórico" murro na mesa  Merkel "inédito, isento e corajoso", tudo foi posto em causa por um Sindicato da Hotelaria português que revelou existir "uma verdadeira rede mafiosa" a funcionar na UE, cuja rede mafiosa mantem empregados estranjeiros - isto é, da Europa pobre - do ramo da hotelaria, a trabalhar em "condições de autêntica escravatura". E, o Sindicato da Hotelaria português citava números: enquanto um trabalhador alemão do ramo hoteleiro aufere um salário mensal ultrapassando os 3000 euros, um trabalhador português não ganha mais de 700 euros; verificam-se situações semelhantes, e piores, noutros países da UE; só na Alemanha devem existir para cima de 1000 empregados portugueses "a laborar nestas condições de escravatura; o número destes empregados-escravos é difícil de precisar devido exactamente às condições de escravatura; o caso já foi denunciado ás autoridades da UE concernentes e posto nos Tribunais pelo Sindicato da Hotelaria português e por outros Sindicatos.

Logo, portanto, por consequência, a chanceler Merkel  eeee
e a sua defensora e hagiógrafa Pimentel não podem assobiar para o lado, ignorar, fingir que estas realidades não acontecem.

Se consultarmos as crónicas curriculares sobre Irene Flunser Pimentel( IFP) as coisas resultam piores.

Anabela Mota Ribeiro , que navega em águas ideológicas semelhantes às de Pimentel , e que serve a hagiografia de IFP como IFP serve a hagiografia de Merkel , numa entrevista, pausada- -pausada, a Pimentel, conta-nos com palavras da dita cuja IFP   - filha rica de uma suiça-alemã, "protestante" (IFP nega que a mãe fosse de ascendência judaica), e de um médico português, comunista ortodoxo, "totalitário" - , foi uma menina rica, privelegiada, aluna do Liceu Francês, "uma menina rica bem comportada durante a ditadura". Pimentel , em voz directa, assegura-nos que nunca esteve no PCP (haja deus !) , esteve sim, sempre, em organizações de extrema-esquerda. "O PCP é revisionista, dá vontade de rir."
Anabela Mota Ribeiro relata-nos que IFP  "misturou coisas do totalitarismo comunista, do surrealismo, da cinefilia, do Maio de 68, dos valores anarcas e libertários". Leu bastante Sartre e, especialmente, Simone de Beauvoir  Com 30 anos (em 1978), depois de ter passarinhado pela FEC (M-L) , pelo "O Grito do Povo", no PCP (R),  Pimentel terá reparado que não tinha casado, não tinha filhos, não tinha um curso. Na actualidade IFP prossegue por casar, sem filhos e vive com duas gatas.
A carreira universitária de Pimentel começa, pois a partir de 78. Licenceia-se em História na Faculdade de Letras de Lisboa, advém mestre e doutora em História Institucional e Política do Século XX na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Em 2007 é galardoada com o Prémio Pessoa. Em 2012 é-lhe atribuído o Prémio Máxima de Literatura na categoria de Ensaio pela obra "A Cada Um o Seu Lugar". Em Maio de 2015 é condecorada com a Legião de Honra (talvez já tenha a jazida assegurada no Panteão Nacional, conjecturo eu).

Portanto, portantos (ou será "por tantos"?...), por consequência, carreira fulgurante como um raio do Olimpo (germânico).
Sobram apenas uns detalhezitos, umas miúçalhas que atrapalham a compreensão. Pimentel, mai'la sua hagiógrafa, garante que só andou na "política" até 1978, o que é difícil de concatenar com a índole dos seus cursos, o conteúdo dos livros , artigos, colaborações a várias mãos, programas audiovisuais em que participou - todos a rodar em torno do Estado Novo (respeitosamente nunca o apoda de fascismo), do Movimento Nacional Feminino, do cardeal Cerejeira, "o príncipe perfeito da Igreja"  com a louvaminha sinuosa mas encarniçada a laurear a chanceler Merkel.  
Cereja no topo do bolo, Pimentel aterra-nos com a confissão de que o seu arquivo na PIDE desapareceu!!... Todavia esta confissão pode ser objecto de perguntas e suposições desconfiadas (ele há gente para tudo!...). De onde desapareceu o arquivo-Pimentel? Dos dossier's da PIDE/DGS, na António Maria Cardoso? Da Torre do Tombo? É que os dossier's da PIDE/DGS, na António Maria Cardoso, os que desapareceram, de facto, foi os que a PIDE  destruiu e foram os dos ... seus colaboradores. Se designa a Torre do Tombo, deve indicar o ano em que deu conta do desaparecimento e que Governo ou Governos podem ser responsabilizados por tal. Quando as bestas batem com as patas nas poças, a lama esperricha em muitas direcções, mas as bestas são irresponsáveis... 

Das intenções subliminares que IFP desenhou para si própria, ou que outros desenharam para ela, resulta razoavelmente transparente que a personagem  Pimentel pretende não deixar o campo imagético da resistência ao fascismo salazarista ao PCP , aos seus aliados, aos Sindicatos que lutaram de facto contra a ditadura e pagaram essa resistência com longas penas encarcerados ou a própria vida; pretende granjear uma auréola, a partir da qual se propõe intervir na política internacional como na situação presente da chanceler Merkel.   

Pimentel , numa grã "finale" operática, resume-se afirmando que "foi mais antifascista do que comunista", "que não tem heróis", "que as coisas são como são, mas poderiam ser de outro modo", "que já mentiu com frequência e pode voltar a ter necessidade de mentir" , que "gosta muito da palavra "compaixão", cuja explicita, "com-paixão".

É, pois, legitimo perguntarmos a nós próprios (não vá dar-se o caso de Pimentel se encontrar em dia nefasto, em dia de "necessidades") que mais surpresas surpreendentes o Futuro nos reservará nos dossier's Pimentel...  
  













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Amplexos desconfiadamente confiantes na Luta

do Leopardo 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

As terceiras notas da Festa


Os "mírdia" continuam a faladrar do borregamento das Marias Luís de Albuquerque & Albuquerque mas Albuquerque, dos Primeiros Primeiros Logo A Seguir, do Primeiro Primeiro Absolutamente Na Ordem do Estado, dos figurões do "Arco da Governação" que fizeram períodos de estágio, mais ou menos longos, no MRPóPó (Barrascoso, Santos Silva, Marques Mendes, Albuquerque ao cubo, Pacheco Pereira, Arnaldo Matos - que ainda lá permanece, abraçando igualmente a Fundação Mário Soares, a família SóAres, o bem sucedido advogado Garcia Pereira - momentaneamente indisposto com o Arnaldo ninguém percebe porquê - etecetera, etecetera , numa fila caricata e fastidiosa.) como se nada mais interessante existisse no Universo e redondezas.

Ora, o Leopardo, por antinomia, julga que é o momentoso momento de teclar sobre o empregado que o serve no café-restaurante cá do bairro.

Para que possam aquilatar da importância da escolha exara-se o currículo resumido do supra citado empregado: 19 anos empregado de balcão na selecta pastelaria-restaurante "Versalhes", ao Saldanha/Lisboa, porém sem perspectivas de progressão nos carcanhóis; 6 anos em restaurante da Fonte da Telha, a auferir 40 euros diários, mas 10 horas de trabalho sem pausas, atravessar a ponte todos os dias e esportular as respectivas taxas; agora, aqui no bairro, recomeçando dos zeros.

Para o caso de não terem dado conta, um empregado de balcão ou de mesa desempenha, melhor ou pior, - no exemplo citado, muito bem - um labor de diplomata. Um empregado-diplomata que informa a clientela sobre os programas da TV, sobre os jogos de futebolês, onde podem adquirir tal ou tal artigo de vestuário, de cosmética, tal género alimentar, vertendo estas preciosas e urgentes informações em versões dietéticas do britanicú, alemanú, franciú, italianovosky.
Porque  não está este meu credenciado, obsequioso, empregado-diplomata no Ministério dos Negócios Estrangeiros??... Porque lhe falta uma "cunha" (essa tradicional instituição jesuítica nacional) no miolo do MNE. Ministério que permanece quase impermeável aos valores de Abril.

A Roda da Festa prossegue elevando-se na atmosfera planetária, e tanto, tanto, tanto que já desponta quem peça a teatralização destas croniquetas. Como é óbvio, não pelo escasso mérito das croniquetas, mas pela ascensão da Festa, pela ascensão do prestígio internacional da "Não Há Festa Como Esta", pela ascensão dessa enorme bandeira vermelha proletária.


  
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Amplexos radiantes,

confiados na Luta

do Leopardo         

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

As segundas notas da Festa

É claro que os meus Amigos e Camaradas compreenderam súbito que quando eu relatei as diversas opiniões de construtores da Festa sobre as melgas da Atalaia  estava a tipificar várias coisas simultaneamente.
Que os comunistas possuem opiniões próprias, pessoais, que não vêm exaradas nos três volumes do "Capital", nem nos princípios do marxismo-leninismo, nem no "Manifesto", nem nas resoluções do último Congresso do PCP, nem no centralismo democrático. Isto é, estava a afirmar, a partir de um obstáculo aparentemente caricato, os milhões de melgas da Atalaia, mas que interferia fortemente na construção da Festa, que os comunistas têm necessidade como do pão para a boca de serem criativos, de imaginar soluções novas, ou seja, de serem heterodoxos - "um ortodoxo é necessariamente um heterodoxo" (Aboim Inglês "dixit").
Que essas opiniões, ao ousar inovar, correm o risco de provarem na prática ser eficazes ou o inverso, "todavia, a prova do pudim é comê-lo".

Também, na Festa, numa roda de construtores se trocaram opiniões sobre o valor imagético e ideológico da Roda gigante.
Uma camarada - Catarina - suspirava: "Tenho medo. E se aquilo se escangalha e cai?... Morro sem chegar aos "entas"..." (Eu sossegava-a: "a empresa espanhola que a colocou na Festa não arriscava a sua marca num divertimento inseguro; vais comigo, se a Roda parar um bocadinho lá no topo... tabaqueamos o assunto).
Um amigo, de passagem, pingou peremptório com murro na mesa: "É demagógico. É excessivo. Não está de acordo com a tradição de modéstia dos comunistas. Transpira esquerdismo por tudo quanto é poro."
Eu contrapunha divertido: "Eu cá gosto! Vê-se de todo o lado. Enfurece a Reacção. É assim é que "eles" se enxofram!!..."
O excelente camarada Colaço, príncipe dos tradutores italiano-português, português-italiano, com ironia sibilina comentava: "Deve-se andar na Roda. É o único sítio de onde não se enxerga a Roda..."

'Tão a languçar a riqueza da coisa ??... Enquanto destilavamos teorias sobre a Roda, a Roda elevava-se na atmosfera, abarcava toda a Atalaia, abarcava todo o Seixal, os distritos de Setúbal e Lisboa, todo o Portugal e Ilhas, sempre cada vez mais alto, a pairar sobre o Atlântico, a pairar sobre o planeta qual estrela polar do Futuro .

Muita pena, já o disse e repito, cá o Leopardo revelar-se incapaz de escorropichar umas versalhadas, mesmo de pé boto... Faz-se o que se pode. Devia ser obrigatório dar mais. Mas, o Amor é assim...  

Todavia, nem tudo foram cravos vermelhos no pós-Festa.

O Primeiro Primeiro Logo A Seguir, A.Costa, - deslustrando a memória do pai, o grande poeta comunista Orlando Costa - começa a borregar gaguejando que os salários mínimos pelos quais os trabalhadores têm tão afincadamente lutado - Honra e Glória a Arménio Carlos e Ana Avoila entre muitos outros - só lá para 2018, se os deuses de Berlim estiverem nos conformes.

O Primeiro Absolutamente Primeiro na Ordem do Estado, professor Martelo, borrega igualmente, cambulhando palanfrório sobre a necessidade de compatibilizar a nossa participação na UE com as exigências salariais dos trabalhadores ( se não perceberam e pedirem explicações,  ele, deliciado, tornará a tocar a cassette horas infindas ). Para rematar a discursata embrulhá-la-á em papel celofane, propondo, talvez, quiçá, lançar um referendo sobre o desgraçado (des-) Acordo Ortográfico de 90, filho ilegítimo do lado português (?) do senhorito Malaca-Castel-Queijo.

Maria Luís Albuquerque de Albuquerque e Albuquerque, Passaralhos Coelho, Cristas & Cristas, em rota de enlouquecimento, asseveram que deixaram tudo num brinquinho, que trilharam o caminho difícil, cujo é imperioso continuar. Para esta galopada sem freio para a loucura, o ridículo, o pântano social, económico e cultural, muito concorre, verdade seja teclada, a atenção que os "mírdia" lhes dispensam, estendendo-lhes os microfones e as "pantalhas", como se ainda fossem Governo. 

Entretanto, o PCP prossegue a sua missão e tarefas corrigindo, por exemplo, o prémio Nobel deste  Ano, afirmando que a saída, ou não, da UE, deve ser debatida a nível nacional e de acordo com os interesses do Povo Trabalhador Português. 

A estrela polar da Atalaia é cada dia mais brilhante no planeta !

Resultado de imagem para fotos da Roda da Festa do Avante Resultado de imagem para fotos do Café Concerto na Festa do Avante


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Amplexos radiantes, confiantes na Luta

do Leopardo 
       

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

As primeiras notas da Festa

Ainda eu não principiei e já vejo ali alguém de braço no ar, a pedir para falar e a botar faladura logo de seguida perguntando se, com isso das notas, eu vou teclar uma pauta de música e respectivos dós-rés-mis?...

Valha-me a Santa (que não é a madre Teresa de Calecutá, que os "mírdia" andam de novo a homenagear, e beatificar,  faladrando que não é apenas de Calecutá, mas de toda a Humanidade...; esclareço, se existirem dúvidas, que da minha família ela não é, e não pertence à minha Humanidade), se eu soubesse compor notas de música, compor harmonias sonoras, nunca mais teclaria palavrório escrevinhado, a não ser para explicitar esta ou aquela composição, esta ou aquela pauta, ou para discorrer sobre princípios, regras, sistemáticas da arte dos sons, pois, desde a mitológica flauta de Pã, nunca se inventou arte mais encantatória que até os ratos, as serpentes e demais rastejantes domesticava.

Não, as notas a que me refiro, são as anotações que qualquer escritor, mesmo os beras como eu, assentam num cadernito para depois as metamorfosear em catedrais de palanfrório quando se tem a sorte de nascer Fernão Lopes, Dante, Camões, Cervantes, Balzac, Vítor Hugo, Camilo, Eça, Italo Calvino, Gabriel Garcia Marques, Drummond de Andrade,  Pessoa, etecereta e muitos itais.

E as notas que assentei nesta altura do ano, em Portugal, só podiam ser sobre a Festa do Avante - aquela que "Não há Festa como Esta", aquela que os "mírdia" nacionais tentam esconder debaixo dos tapetes televisivos e radiofónicos - , não ainda para afirmar cientificamente escrevendo, com a chancela dos dirigentes do "Avante!" e do PCP, que ela foi COLOSSAL, mas para avançar, com a cautela de investigador, os testemunhos que fui recolhendo. Ora, esses testemunhos, insuficientes pelo seu número para serem probatórios, porém colhidos aleatoriamente, convergiam na asserção de que esta é a melhor e maior Festa do Avante em que já tinham estado. Testemunhos de pessoas com 12, 20, 38 Festas no lombo, nos doloridos pés, com filhos e netos ao colo. Não é suficiente como prova, porém é obra e tiro-lhes o meu chapéu (no meu caso, boné) !

Assentei também notas sobre as elevadíssimas discussões que encarniçados militantes com'a mim, trocámos, sentados em frente a copos de  "moguitos" , de"daiquiris", sangrias, limonadas, águas tónicas, águas geladas.
Dou um exemplo das elevadas discussões marxistas-leninistas havidas: porque havia no Domingo, menos melgas que na Sexta e no Sábado ? Para se perceber a importância política da controvérsia é necessário ter presente que as melgas criadas naquelas lagunas são aos milhões, de estatura quase invisível, e devem ser reaccionárias (conjectura cá o Leopardo), pois possuem como propósito manifesto assassinarem-nos, sugando-nos.
Para se inteirarem completamente do carácter científico destes escritos aqui elenco as teorias expendidas: havia mais gentio e as melgas tinham mais vítimas por onde se distribuir; as melgas, por razões de religiosidade melgácea, respeitam o dia do Deus Melga (teoria leopárdica); estava vento, o que desviava as malignas para outros lugares; quando a laguna está cheia de água somos visitados por menos uns milhares de melgas; se um maltêz lhe arrefinfou com determinação no rum ou as melgas atacam menos ou os maltêzes estão de certa forma vacinados pela felicidade.

As minhas notas transmitem igualmente testemunho da ditadura que as crianças hodiernamente exercem sobre os adultos (isso de os comunistas comerem criancinhas ao pequeno-almoço infelizmente nunca passou de uma legenda da Reacção; basta pensar um pouco para se perceber que, na Sociedade Soviética, as crianças faziam falta para trabalhar... ainda não tinham sido inventados os robôt's, os estagiários nem os recibos verdes...)
A minha vizinhança era ocupada por duas encantadoras gémeas - seis anos -, pintadas de gatinhas azuis, que dançavam de forma espectacular, deixando-nos a todos boquiabertos, e nos infernizavam a vida em todos os outros momentos. A coroa de glória de uma delas, a Margarida, era ter feito cair no chão um estimado camarada de cabelo nevado. E apontava o terreno poeirento em frente, com um dedinho gordito, deliciosamente feminino, e um intenso gozo interior que lhe saltava das íris. Para sobreviver, tive de bater em retirada, sempre beijocando a Margarida, acariciando-lhe a fofa carapinha, reassegurando-lhe que tinha um trabalho mui importante para cumprir.

Na "Cidade Internacional", sem companhia por perto, na altura, considerava quão feliz estava por ter visto todos os meus amigos - escritores, actores, músicos, letristas - no palco do "Café Concerto" a colaborar - declamar, tocar, representar, cantar - para uma plateia entusiasmada que esperrichava palmas quando devia e quando era melhor que não. Feliz igualmente por um ex-crítico, a pender para o "bloquismo", me retorquir a uma "alfinetadela" que tinha acabado de sair de um turno na "Feira do Livro" (que é um forno igualinho ao Inferno), que estava arrasado, o que queria era uma garrafa de litro de água gelada, e adormecer em cima da mesa.
Este rapaz,  4 décadas patrásmente, mais ponto menos vírgula, pelos 9 anitos já tinha lido os dois primeiros livros do "Das Kapital", e citava capítulo e parágrafo...

A esta minha maré de felicidade não devia ser estranho o melhor "moguito" da Festa, nos balcões da Colômbia (afirmação científica, gostosamente provada uma volta e outra). Terá sido mais uma criação do célebre camarada Marulano, "Tiro Fixo"...

Hoje, também me diverti com o noticiário dos "mírdia" a repetir várias vezes que o Nobel da Economia do Ano, considera que Portugal deve sair do Euro - afirmação que o PCP repete faz uns 20 anos, perante a distração dos mesmos "mírdia" - , senão estará sempre em recessão sem que a economia cresça, com a dívida a aprofundar-se, a vida nacional sem concerto.
Interrogo-me se esta descoberta espantástica do Nobel corresponde ao facto de os seus neurónios terem, enfim, faíscado, ou se corresponde ao fundo desejo estado-unidense de liquidar o Euro e puxar de novo para cima o Dólar...
Interrogações de um provecto Leopardo...



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Amplexos confiantes na Luta

do Leopardo               

   

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

As férias da minha empregada

Tenho uma empregada que, três vezes por semana, ao todo 12 horas, me limpa a casa, passa a roupa a ferro e alguns eteceteras mais.

Não comecem a objectar que sou um Leopardo a armar ao fidalgote. Nos tempos em que nasci, os Felídeos de grande porte não eram instruídos nestas artesanias domésticas e não posso sujeitar a minha Leopardezza a estas humildades. Sair-me-ia mais caro !

Já pensei em dispensar a minha empregada  ( que a vida está difícil e sobra sempre mês depois de o salário se acabar, apesar de a ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque de Albuquerque e Albuquerque, asseverar que o seu Governo deixou o País nos conformes; a Albuquerque ao cubo terá razão - que possui mais estudos do que eu - os nossos salários é que devem ser diferentes...), porém, sei que à minha serviçal os dinheiros que vem arrecadar aqui lhe dão muito jeito para compor o orçamento familiar.
Isto de lhe chamar "orçamento familiar" é uma expressão pró finório para designar os euritos que ela arrebanha em limpezas do mesmo género, em diferentes apartamentos. Euritos que, somados aos do marido, a sustentam a ela, ao consorte, a uma filha a entrar nos quarentas e com uma doença na espinal medula de tipo degenerativo, a um filho trintão, viúvo de uma ligação afectiva, viciado no computador, e ainda a um gato, preto, com tendências para se ausentar sem permissão e andar duas, três, quatro semanas por fora.

A vida da minha empregada é mais pranha de sentidos proibidos que a da senhora ex-ministra 
das Finanças. A dra. Albuquerque de Albuquerque e Albuquerque tanto quanto é público, obedece à chanceler Merkel, a Washington e ao Pentágono/NATO, a uns falares com o ex-rugby-man Barroso ou Barrascoso, (pois, o rapaz frequenta tanto os aeroportos internacionais, que cá, no terrunho, os maltêzes esquecem-se). A dra. Albuquerque ao cubo sub-serve, claríssimo, à Lehman Brothers (sob as várias capas que veste), a estes mais que aos outros todos. Mas a linha de vassalagens é bem hierarquizada, sem contradições. Manda quem manda, obedece quem deve.

Ora, a minha mulher de limpezas é apertada por forças que a constringem como um colete de barbas das madames do século XIX - é necessário esclarecer que a minha mulher a dias tem 1 metro e cinquenta e cinco de alto e pesa 100 quilos - e por forças em oposição que ameaçam esquartejá-la como se ela fosse puxada por vários cavalos em direcções contrárias.

Senão consideremos: a dona Hermenegilda (os seus pais, alentejanos de gema, atravessaram lua nefasta na época em que lhe escolheram o nome de baptismo) vive num T2 a Sacavém. Ela e o marido - "alantejano" igualmente - dormem no quarto de casal, a filha na sala, a divisão maior, por mor das suas enfermidades e do computador - o filho, na varanda, fechada em marquise, onde está sempre, também, ligado à Internet ou a carpir depressões derivadas do defuntamento da sua namorada, praticó-concretamente mulher, o gato marafado, na casa de banho, onde foi colocada uma rede na janela para lhe tornar as fugas mais dificultosas.

Ginja no topo do T2 da dona Hermenegilda, os seus vizinhos de andar, separadas por paredes de meio tijolo oco, são "uns pretos"constantemente a aumentar e diminuir em número, constantemente a cambiar de parceiros/as, "pretos" que negoceiam droga e armas por todo o Concelho, que já lhe ameaçaram o consorte com navalha na garganta, e que mataram mesmo um indivíduo lá no prédio, tendo a dona Hermengilda presenciado "os pretos" a arrastarem o cadáver para o elevador.

Eu e a Polícia Judiciária temos tentado incutir coragem na dona Hermenegilda ( a "Judite" conta com o seu testemunho para o julgamento). Mas, o meduncho, mais enraízado que erva daninha, ninguém lho saca. A Judiciária bem lhe assegura que tem um carro lá parado em frente, todos os dias, a horas desencontradas, que, enquanto "os pretos" sentirem os olhos afiados da Polícia em cima e o julgamento não ocorrer, nada lhe sucede.
"E não é que os malditos "escarumbas" mantêm aquelas músicas do cú-duro, ou lá o que é, a tocar todo o santo dia, em altos berros !!?..." ( este é um argumento que até em mim produz efeito ).

Vai daí, a dona Hermenegilda, este ano, decidiu que no seu mês de férias teria mesmo férias, queria ir à praia, viajar o seu quê, e não, como habitualmente, o ramerrão habitual, retiradas as limpezas nas casas dos patrões. Impôs isto à família, que amochou, ciente de quem era o proleta naquele agregado familiar, gato incluído.

De modos que a dona Hermenegilda e consorte andou uma semana para cá e para lá, entre Sacavém e a Costa da Caparica, a banhos. Porém, "não é que até o São Pedro lhe lançou um mau olhado", esteve sempre bandeira vermelha, quase não havia areia, só um barranco com rochas, mar bravio, banheiros a apitar por tudo quanto era sítio.
Não é que ela, Hermenegilda dos Santos, tencionasse meter-se às ondas, mas gostaria de molhar os pés níveos, os artelhos, vá lá, até aos canelos, se o mar estivesse mansinho. Nada, uma semana inteira assim.

Na semana seguinte, ao marido meteu-se-lhe na bolha que ou retornava este ano ao local do seu nascimento ou nunca mais o veria.
O marido é das bandas de Arraiolos, de forma que se meteram na estimada chocolateira que lhes dá serviço de automóvel - um velho citroen que fumega um pouco, mas nunca os deixou empanados na estrada - e rumaram a Arraiolos. Lá chegaram, tendo o marido constatado que o "monte" onde fora parido (sessenta e tantos anos patrásmente), tinha caído em ruínas, irreconhecível, só azinheiras, chaparros, silvas, bichos rastejantes.
O raio do consorte ficou num desespero tal que enfiou-se de imediato no "citro" e vieram de rota batida a encafuar-se, de novo, em Sacavém. Nem atendeu os pedidos da Hermenegilda para espreitarem, mesmo de um alto, Arraiolos. Parece que o diabo do homem só se sente bem num largo defronte do prédio dos T2, a beber um copito de branco, numa roda de amigos.

É claro que ela, Hermenegilda dos Santos, foi um bocadinho chata. Reconhece. Para "destressar" a esgana em que andava de lhe sair tudo às avessas moeu a paciência do consorte com todas as implicâncias que conseguiu imaginar. Tinha de ser. Não podia pagar sózinha a miséria de férias que teve.
Compreenda a sra. dra. Albuquerque de Albuquerque e Albuquerque ou não.

      Resultado de imagem para fotos de Sacavém            Resultado de imagem para fotos da Costa da Caparica

                                 Resultado de imagem para fotos de Arraiolos




Amplexos "arrabiatos",

porém sempre confiantes na Luta,

do Leopardo