Reflexões do Leopardo

Reflexões do Leopardo
Reflexões do Leopardo

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

As segundas notas da Festa

É claro que os meus Amigos e Camaradas compreenderam súbito que quando eu relatei as diversas opiniões de construtores da Festa sobre as melgas da Atalaia  estava a tipificar várias coisas simultaneamente.
Que os comunistas possuem opiniões próprias, pessoais, que não vêm exaradas nos três volumes do "Capital", nem nos princípios do marxismo-leninismo, nem no "Manifesto", nem nas resoluções do último Congresso do PCP, nem no centralismo democrático. Isto é, estava a afirmar, a partir de um obstáculo aparentemente caricato, os milhões de melgas da Atalaia, mas que interferia fortemente na construção da Festa, que os comunistas têm necessidade como do pão para a boca de serem criativos, de imaginar soluções novas, ou seja, de serem heterodoxos - "um ortodoxo é necessariamente um heterodoxo" (Aboim Inglês "dixit").
Que essas opiniões, ao ousar inovar, correm o risco de provarem na prática ser eficazes ou o inverso, "todavia, a prova do pudim é comê-lo".

Também, na Festa, numa roda de construtores se trocaram opiniões sobre o valor imagético e ideológico da Roda gigante.
Uma camarada - Catarina - suspirava: "Tenho medo. E se aquilo se escangalha e cai?... Morro sem chegar aos "entas"..." (Eu sossegava-a: "a empresa espanhola que a colocou na Festa não arriscava a sua marca num divertimento inseguro; vais comigo, se a Roda parar um bocadinho lá no topo... tabaqueamos o assunto).
Um amigo, de passagem, pingou peremptório com murro na mesa: "É demagógico. É excessivo. Não está de acordo com a tradição de modéstia dos comunistas. Transpira esquerdismo por tudo quanto é poro."
Eu contrapunha divertido: "Eu cá gosto! Vê-se de todo o lado. Enfurece a Reacção. É assim é que "eles" se enxofram!!..."
O excelente camarada Colaço, príncipe dos tradutores italiano-português, português-italiano, com ironia sibilina comentava: "Deve-se andar na Roda. É o único sítio de onde não se enxerga a Roda..."

'Tão a languçar a riqueza da coisa ??... Enquanto destilavamos teorias sobre a Roda, a Roda elevava-se na atmosfera, abarcava toda a Atalaia, abarcava todo o Seixal, os distritos de Setúbal e Lisboa, todo o Portugal e Ilhas, sempre cada vez mais alto, a pairar sobre o Atlântico, a pairar sobre o planeta qual estrela polar do Futuro .

Muita pena, já o disse e repito, cá o Leopardo revelar-se incapaz de escorropichar umas versalhadas, mesmo de pé boto... Faz-se o que se pode. Devia ser obrigatório dar mais. Mas, o Amor é assim...  

Todavia, nem tudo foram cravos vermelhos no pós-Festa.

O Primeiro Primeiro Logo A Seguir, A.Costa, - deslustrando a memória do pai, o grande poeta comunista Orlando Costa - começa a borregar gaguejando que os salários mínimos pelos quais os trabalhadores têm tão afincadamente lutado - Honra e Glória a Arménio Carlos e Ana Avoila entre muitos outros - só lá para 2018, se os deuses de Berlim estiverem nos conformes.

O Primeiro Absolutamente Primeiro na Ordem do Estado, professor Martelo, borrega igualmente, cambulhando palanfrório sobre a necessidade de compatibilizar a nossa participação na UE com as exigências salariais dos trabalhadores ( se não perceberam e pedirem explicações,  ele, deliciado, tornará a tocar a cassette horas infindas ). Para rematar a discursata embrulhá-la-á em papel celofane, propondo, talvez, quiçá, lançar um referendo sobre o desgraçado (des-) Acordo Ortográfico de 90, filho ilegítimo do lado português (?) do senhorito Malaca-Castel-Queijo.

Maria Luís Albuquerque de Albuquerque e Albuquerque, Passaralhos Coelho, Cristas & Cristas, em rota de enlouquecimento, asseveram que deixaram tudo num brinquinho, que trilharam o caminho difícil, cujo é imperioso continuar. Para esta galopada sem freio para a loucura, o ridículo, o pântano social, económico e cultural, muito concorre, verdade seja teclada, a atenção que os "mírdia" lhes dispensam, estendendo-lhes os microfones e as "pantalhas", como se ainda fossem Governo. 

Entretanto, o PCP prossegue a sua missão e tarefas corrigindo, por exemplo, o prémio Nobel deste  Ano, afirmando que a saída, ou não, da UE, deve ser debatida a nível nacional e de acordo com os interesses do Povo Trabalhador Português. 

A estrela polar da Atalaia é cada dia mais brilhante no planeta !

Resultado de imagem para fotos da Roda da Festa do Avante Resultado de imagem para fotos do Café Concerto na Festa do Avante


                               Resultado de imagem para fotos da Cidade Internacional na Festa do Avante







Amplexos radiantes, confiantes na Luta

do Leopardo 
       

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

As primeiras notas da Festa

Ainda eu não principiei e já vejo ali alguém de braço no ar, a pedir para falar e a botar faladura logo de seguida perguntando se, com isso das notas, eu vou teclar uma pauta de música e respectivos dós-rés-mis?...

Valha-me a Santa (que não é a madre Teresa de Calecutá, que os "mírdia" andam de novo a homenagear, e beatificar,  faladrando que não é apenas de Calecutá, mas de toda a Humanidade...; esclareço, se existirem dúvidas, que da minha família ela não é, e não pertence à minha Humanidade), se eu soubesse compor notas de música, compor harmonias sonoras, nunca mais teclaria palavrório escrevinhado, a não ser para explicitar esta ou aquela composição, esta ou aquela pauta, ou para discorrer sobre princípios, regras, sistemáticas da arte dos sons, pois, desde a mitológica flauta de Pã, nunca se inventou arte mais encantatória que até os ratos, as serpentes e demais rastejantes domesticava.

Não, as notas a que me refiro, são as anotações que qualquer escritor, mesmo os beras como eu, assentam num cadernito para depois as metamorfosear em catedrais de palanfrório quando se tem a sorte de nascer Fernão Lopes, Dante, Camões, Cervantes, Balzac, Vítor Hugo, Camilo, Eça, Italo Calvino, Gabriel Garcia Marques, Drummond de Andrade,  Pessoa, etecereta e muitos itais.

E as notas que assentei nesta altura do ano, em Portugal, só podiam ser sobre a Festa do Avante - aquela que "Não há Festa como Esta", aquela que os "mírdia" nacionais tentam esconder debaixo dos tapetes televisivos e radiofónicos - , não ainda para afirmar cientificamente escrevendo, com a chancela dos dirigentes do "Avante!" e do PCP, que ela foi COLOSSAL, mas para avançar, com a cautela de investigador, os testemunhos que fui recolhendo. Ora, esses testemunhos, insuficientes pelo seu número para serem probatórios, porém colhidos aleatoriamente, convergiam na asserção de que esta é a melhor e maior Festa do Avante em que já tinham estado. Testemunhos de pessoas com 12, 20, 38 Festas no lombo, nos doloridos pés, com filhos e netos ao colo. Não é suficiente como prova, porém é obra e tiro-lhes o meu chapéu (no meu caso, boné) !

Assentei também notas sobre as elevadíssimas discussões que encarniçados militantes com'a mim, trocámos, sentados em frente a copos de  "moguitos" , de"daiquiris", sangrias, limonadas, águas tónicas, águas geladas.
Dou um exemplo das elevadas discussões marxistas-leninistas havidas: porque havia no Domingo, menos melgas que na Sexta e no Sábado ? Para se perceber a importância política da controvérsia é necessário ter presente que as melgas criadas naquelas lagunas são aos milhões, de estatura quase invisível, e devem ser reaccionárias (conjectura cá o Leopardo), pois possuem como propósito manifesto assassinarem-nos, sugando-nos.
Para se inteirarem completamente do carácter científico destes escritos aqui elenco as teorias expendidas: havia mais gentio e as melgas tinham mais vítimas por onde se distribuir; as melgas, por razões de religiosidade melgácea, respeitam o dia do Deus Melga (teoria leopárdica); estava vento, o que desviava as malignas para outros lugares; quando a laguna está cheia de água somos visitados por menos uns milhares de melgas; se um maltêz lhe arrefinfou com determinação no rum ou as melgas atacam menos ou os maltêzes estão de certa forma vacinados pela felicidade.

As minhas notas transmitem igualmente testemunho da ditadura que as crianças hodiernamente exercem sobre os adultos (isso de os comunistas comerem criancinhas ao pequeno-almoço infelizmente nunca passou de uma legenda da Reacção; basta pensar um pouco para se perceber que, na Sociedade Soviética, as crianças faziam falta para trabalhar... ainda não tinham sido inventados os robôt's, os estagiários nem os recibos verdes...)
A minha vizinhança era ocupada por duas encantadoras gémeas - seis anos -, pintadas de gatinhas azuis, que dançavam de forma espectacular, deixando-nos a todos boquiabertos, e nos infernizavam a vida em todos os outros momentos. A coroa de glória de uma delas, a Margarida, era ter feito cair no chão um estimado camarada de cabelo nevado. E apontava o terreno poeirento em frente, com um dedinho gordito, deliciosamente feminino, e um intenso gozo interior que lhe saltava das íris. Para sobreviver, tive de bater em retirada, sempre beijocando a Margarida, acariciando-lhe a fofa carapinha, reassegurando-lhe que tinha um trabalho mui importante para cumprir.

Na "Cidade Internacional", sem companhia por perto, na altura, considerava quão feliz estava por ter visto todos os meus amigos - escritores, actores, músicos, letristas - no palco do "Café Concerto" a colaborar - declamar, tocar, representar, cantar - para uma plateia entusiasmada que esperrichava palmas quando devia e quando era melhor que não. Feliz igualmente por um ex-crítico, a pender para o "bloquismo", me retorquir a uma "alfinetadela" que tinha acabado de sair de um turno na "Feira do Livro" (que é um forno igualinho ao Inferno), que estava arrasado, o que queria era uma garrafa de litro de água gelada, e adormecer em cima da mesa.
Este rapaz,  4 décadas patrásmente, mais ponto menos vírgula, pelos 9 anitos já tinha lido os dois primeiros livros do "Das Kapital", e citava capítulo e parágrafo...

A esta minha maré de felicidade não devia ser estranho o melhor "moguito" da Festa, nos balcões da Colômbia (afirmação científica, gostosamente provada uma volta e outra). Terá sido mais uma criação do célebre camarada Marulano, "Tiro Fixo"...

Hoje, também me diverti com o noticiário dos "mírdia" a repetir várias vezes que o Nobel da Economia do Ano, considera que Portugal deve sair do Euro - afirmação que o PCP repete faz uns 20 anos, perante a distração dos mesmos "mírdia" - , senão estará sempre em recessão sem que a economia cresça, com a dívida a aprofundar-se, a vida nacional sem concerto.
Interrogo-me se esta descoberta espantástica do Nobel corresponde ao facto de os seus neurónios terem, enfim, faíscado, ou se corresponde ao fundo desejo estado-unidense de liquidar o Euro e puxar de novo para cima o Dólar...
Interrogações de um provecto Leopardo...



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Amplexos confiantes na Luta

do Leopardo               

   

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

As férias da minha empregada

Tenho uma empregada que, três vezes por semana, ao todo 12 horas, me limpa a casa, passa a roupa a ferro e alguns eteceteras mais.

Não comecem a objectar que sou um Leopardo a armar ao fidalgote. Nos tempos em que nasci, os Felídeos de grande porte não eram instruídos nestas artesanias domésticas e não posso sujeitar a minha Leopardezza a estas humildades. Sair-me-ia mais caro !

Já pensei em dispensar a minha empregada  ( que a vida está difícil e sobra sempre mês depois de o salário se acabar, apesar de a ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque de Albuquerque e Albuquerque, asseverar que o seu Governo deixou o País nos conformes; a Albuquerque ao cubo terá razão - que possui mais estudos do que eu - os nossos salários é que devem ser diferentes...), porém, sei que à minha serviçal os dinheiros que vem arrecadar aqui lhe dão muito jeito para compor o orçamento familiar.
Isto de lhe chamar "orçamento familiar" é uma expressão pró finório para designar os euritos que ela arrebanha em limpezas do mesmo género, em diferentes apartamentos. Euritos que, somados aos do marido, a sustentam a ela, ao consorte, a uma filha a entrar nos quarentas e com uma doença na espinal medula de tipo degenerativo, a um filho trintão, viúvo de uma ligação afectiva, viciado no computador, e ainda a um gato, preto, com tendências para se ausentar sem permissão e andar duas, três, quatro semanas por fora.

A vida da minha empregada é mais pranha de sentidos proibidos que a da senhora ex-ministra 
das Finanças. A dra. Albuquerque de Albuquerque e Albuquerque tanto quanto é público, obedece à chanceler Merkel, a Washington e ao Pentágono/NATO, a uns falares com o ex-rugby-man Barroso ou Barrascoso, (pois, o rapaz frequenta tanto os aeroportos internacionais, que cá, no terrunho, os maltêzes esquecem-se). A dra. Albuquerque ao cubo sub-serve, claríssimo, à Lehman Brothers (sob as várias capas que veste), a estes mais que aos outros todos. Mas a linha de vassalagens é bem hierarquizada, sem contradições. Manda quem manda, obedece quem deve.

Ora, a minha mulher de limpezas é apertada por forças que a constringem como um colete de barbas das madames do século XIX - é necessário esclarecer que a minha mulher a dias tem 1 metro e cinquenta e cinco de alto e pesa 100 quilos - e por forças em oposição que ameaçam esquartejá-la como se ela fosse puxada por vários cavalos em direcções contrárias.

Senão consideremos: a dona Hermenegilda (os seus pais, alentejanos de gema, atravessaram lua nefasta na época em que lhe escolheram o nome de baptismo) vive num T2 a Sacavém. Ela e o marido - "alantejano" igualmente - dormem no quarto de casal, a filha na sala, a divisão maior, por mor das suas enfermidades e do computador - o filho, na varanda, fechada em marquise, onde está sempre, também, ligado à Internet ou a carpir depressões derivadas do defuntamento da sua namorada, praticó-concretamente mulher, o gato marafado, na casa de banho, onde foi colocada uma rede na janela para lhe tornar as fugas mais dificultosas.

Ginja no topo do T2 da dona Hermenegilda, os seus vizinhos de andar, separadas por paredes de meio tijolo oco, são "uns pretos"constantemente a aumentar e diminuir em número, constantemente a cambiar de parceiros/as, "pretos" que negoceiam droga e armas por todo o Concelho, que já lhe ameaçaram o consorte com navalha na garganta, e que mataram mesmo um indivíduo lá no prédio, tendo a dona Hermengilda presenciado "os pretos" a arrastarem o cadáver para o elevador.

Eu e a Polícia Judiciária temos tentado incutir coragem na dona Hermenegilda ( a "Judite" conta com o seu testemunho para o julgamento). Mas, o meduncho, mais enraízado que erva daninha, ninguém lho saca. A Judiciária bem lhe assegura que tem um carro lá parado em frente, todos os dias, a horas desencontradas, que, enquanto "os pretos" sentirem os olhos afiados da Polícia em cima e o julgamento não ocorrer, nada lhe sucede.
"E não é que os malditos "escarumbas" mantêm aquelas músicas do cú-duro, ou lá o que é, a tocar todo o santo dia, em altos berros !!?..." ( este é um argumento que até em mim produz efeito ).

Vai daí, a dona Hermenegilda, este ano, decidiu que no seu mês de férias teria mesmo férias, queria ir à praia, viajar o seu quê, e não, como habitualmente, o ramerrão habitual, retiradas as limpezas nas casas dos patrões. Impôs isto à família, que amochou, ciente de quem era o proleta naquele agregado familiar, gato incluído.

De modos que a dona Hermenegilda e consorte andou uma semana para cá e para lá, entre Sacavém e a Costa da Caparica, a banhos. Porém, "não é que até o São Pedro lhe lançou um mau olhado", esteve sempre bandeira vermelha, quase não havia areia, só um barranco com rochas, mar bravio, banheiros a apitar por tudo quanto era sítio.
Não é que ela, Hermenegilda dos Santos, tencionasse meter-se às ondas, mas gostaria de molhar os pés níveos, os artelhos, vá lá, até aos canelos, se o mar estivesse mansinho. Nada, uma semana inteira assim.

Na semana seguinte, ao marido meteu-se-lhe na bolha que ou retornava este ano ao local do seu nascimento ou nunca mais o veria.
O marido é das bandas de Arraiolos, de forma que se meteram na estimada chocolateira que lhes dá serviço de automóvel - um velho citroen que fumega um pouco, mas nunca os deixou empanados na estrada - e rumaram a Arraiolos. Lá chegaram, tendo o marido constatado que o "monte" onde fora parido (sessenta e tantos anos patrásmente), tinha caído em ruínas, irreconhecível, só azinheiras, chaparros, silvas, bichos rastejantes.
O raio do consorte ficou num desespero tal que enfiou-se de imediato no "citro" e vieram de rota batida a encafuar-se, de novo, em Sacavém. Nem atendeu os pedidos da Hermenegilda para espreitarem, mesmo de um alto, Arraiolos. Parece que o diabo do homem só se sente bem num largo defronte do prédio dos T2, a beber um copito de branco, numa roda de amigos.

É claro que ela, Hermenegilda dos Santos, foi um bocadinho chata. Reconhece. Para "destressar" a esgana em que andava de lhe sair tudo às avessas moeu a paciência do consorte com todas as implicâncias que conseguiu imaginar. Tinha de ser. Não podia pagar sózinha a miséria de férias que teve.
Compreenda a sra. dra. Albuquerque de Albuquerque e Albuquerque ou não.

      Resultado de imagem para fotos de Sacavém            Resultado de imagem para fotos da Costa da Caparica

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Amplexos "arrabiatos",

porém sempre confiantes na Luta,

do Leopardo



   

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O Bejeweled Blitz a Jogo Olímpico - II Parte

Julguei que tinha sido suficientemente explícito na edição do blogue anterior em que defendo a minha concepção de propor a candidatura do Bejeweled Blitz a Jogo Olímpico.
Pelos vistos não, pois houve quem me pedisse que o demonstrasse igualmente com outras modalidades olímpicas.

Portanto, cá vai. Recomeço com a modalidade dos carros de corrida. É uma modalidade inacessível para a bolsa do gentio comum, que vai produzindo enterros e acidentes espectaculares. Basta recordar o saudoso Ayrton Senna, campeão de Fórmula 1, rapaz que deixava o coração das jovens a bater mais acelerado, cuja morte nas pistas lançou o Brasil num luto intemporal. Ou muitos que se safaram dos bólides em chamas, espatifados contra as barreiras, porém em condições de saúde tão precárias que, após operações cirúrgicas complexas e delicadas ficaram com tão desastrado aspecto físico, que só nos apetece dizer-lhes para colocarem depressa os capacetes e cachecóis especiais para não contemplarmos aqueles frankensteins ambulantes (desculpem-me não citar o nome de nenhum, porém o automobilismo é-me tão fastidioso - nem guiar o meu pópó gosto - que para além do nome do Ayrton e do Juan Fangio não retenho mais nenhum).
É claro que o "desporto" automóvel enumera vantagens infindas: estimula a venda de automóveis e seus acessórios (pneus, "aillerons", volantes especiais, tubos de escape tonitruantes, cachecóis, luvas com meios dedos, óculos escuros de marca, conta-voltinhas não sei para que fins, buzinões, faróis para todos os tipos de atmosferas, "caps" à malandro, óleos especializadíssimos, porta-chaves espanpanantes, pinturas nas carrosserias e autocolantes de estarrecer) ; estimula as conduções à rally no trânsito diário - tipo "slalom" com automóveis "puxados" - com a consequente maré-cheia de acidentes, litígios e ferimentos. Constitui uma fonte de subsistência reforçada para as Companhias de Seguros e para as oficinas de reparação de veículos.

O que se afirma dos automóveis de corrida aplica-se também às motas de competição. Com preços mais em conta, mas acidentes mais graves. Aos "motards" chama-lhes um cirurgião conhecido "dadores de órgãos"...

O Ciclismo é, sem dúvida, uma modalidade popular. Com imensos praticantes - federados e meros amadores - em Portugal (A Volta - cada volta mais vezes ganha por estrangeiros), Espanha (La Vuelta), França (Le Tour), Itália (Il Giro). (Estou a listar apenas os países cujas estradas mais vezes tenho percorrido).
Para os praticantes, para além das inevitáveis furunculoses e de acidentes mais ou menos graves em quedas aparatosas - poderia lembrar-se o caso de Joaquim Agostinho -, não se descobrem vantagens assinaláveis. Por exemplo, o famoso batimento cardíaco dos ciclistas profissionais - que com dificuldade ultrapassa as 90 batidas por minuto e que rapidamente retorna a batimentos de 50, 60 batidas por minuto - , cujo é, sobretudo, uma herança genética, não impede os ciclistas profissionais de falecerem de acidentes cardió-vasculares.
Mas, clarissimamente, o Ciclismo produz óbvias vantagens: aumenta em flecha a venda de todo o tipo de bicicletas, desde as ultrapassadas "pasteleiras" às mais evoluídas bicicletas de ligas metálicas resistentíssimas e super-pluma, sem olvidar as bicicletas todo-o-terreno, com mais mudanças que um camião TIR  ; aumenta exponencialmente o comércio de artigos relacionados com o ciclismo (uns capacetes que emprestam aos ciclistas figuras à astronauta, sapatos e luvas adequadas, óculos à maneira, variegados tipos de buzinas, equipamentos fluorescentes, correntes de segurança para as bicicletas, e, decerto, mais um sem número de pinchavelhos que ignoro; aumentou também exponencialmente o uso de bicicletas - à pála de que é um transporte ecológico, não poluente - por exemplo, não nas pistas próprias para o efeito, mas na Baixa Pombalina, no Chiado, na Avenida dos Aliados. É um deslumbramento admirá-los !!...

Estou quase a finalizar. Abordemos o suposto desporto sem contra-indicações: a Natação.  O desporto que desenvolve Tarzãns perfeitos, apolíneos, de músculos elásticos.
Ao contrário do que é propalado, a Natação provoca sempre ou quase sempre micoses, problemas nos brônquios e, no caso dos nadadores profissionais, roturas nas articulações e músculos dos ombros.
Todavia, além de fomentar o comércio de fatos de banho, óculos para dentro de água, toucas, hawaianas diversas, anti-micóticos, óleos para o corpo, fomenta igualmente a profissão dos massagistas, médicos de pele.
Quanto àquela natação artística de belas nadadoras com uma mola no nariz, que não podem tocar com os pés no fundo da piscina, que executam umas danças colectivas, coreografadas ao pormenor, é-lhes atribuído tudo o que já se disse sobre os apolos da natação, acrescido de problemas maleitosos mais complicados ao nível dos brônquios, de roturas nos músculos das pernas (pasme-se!) e depressões nervosas a requerem tratamento médico especializado...

Finalizo com o Hipismo.  Um desporto de elites, o que não oferece discussão. Um cavalinho daqueles é o preço de um "ferrari" e um competidor não se governa com um só cavalo. Um cavalo daqueles exige várias horas de trabalho quotidiano e tanto se pode aleijar no treino como na competição. Para lá, do acompanhamento, igualmente diário, de "pensagem" do equídeo. 
Os competidores é tradicional sofrerem de problemas de joelhos - com os quais controlam a montada - , de problemas de coluna dorsal - pois, todo o andamento da montada e dos saltos se reflectem na coluna - e o risco eminente de quedas - que são pão nosso na vida de um cavaleiro - é bem atestado pelo boné (capacete disfarçado de boné). 

O Hipismo alimenta uma indústria que vende equídeos para bolsas mais ou menos recheadas, e  uma parafernália de adereços um pouco repetitivos nos figurinos - calças, "blaser's", botas, bonés, chibatas, "foulard's" - todavia, mui variegados na qualidade e nos custos.
De qualquer forma, é transparente que ninguém leva pela rédea um cavalo para um apartamento de duas/três/ quatro assoalhadas, num elevador de um prédio de múltiplos andares... O que não significa que que malteses como eu não contemplem fascinados as legendas transfiguradas pelos séculos dos centauros. A mitologia não perdoa...


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Amplexos divertidos do

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