Reflexões do Leopardo

Reflexões do Leopardo
Reflexões do Leopardo

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Fotos á la minuta de pequenas felicidades e infelicidades

Hoje sinto-me relativamente feliz e relativamente infeliz. Assim como naqueles dias em que umas clareiras de sol são pesponteadas por uns bordados de chuva miudinha. Tudo em miudinho.
Por exemplo, o Porto, o Sporting e o Benfica ganharam. E isto é bom , não é !?... Assim o sr. Pinto da Costa não falará nos "mouros" durante uns dias, não enviará o "guarda" Costa aviar uns safanões a tempo; o sr. Bruno de Carvalho porá um freio na sua crónica fúria verbal não atirando pedras aos árbitros (talvez apenas uma ou outra gravilha), o sr. J.Jesus entaramelará apenas que o Sportem já está de novo, como se impunha!, à frente do Benfica (aquela criatura, quando atingir o 120 anos, e for o treinador nacional do Burundi ou do Quebec Livre, ainda tropeçará nas palavras para salientar como elevou o Benfica do nada para umas glórias breves, mas de heranças eternas...) ; o sr. Rui Vitória verá prolongada a sua existência como treinador do "Glorioso", amansada a massa associativa com a vitória do clube nos oitavos de quartos das competições lá de fora (as do pilim à séria). Clareira de sol.



Resultado de imagem para fotos de Pinto da Costa     Resultado de imagem para fotos ou imagens de Bruno de Carvalho     Resultado de imagem para fotos ou imagens de Rui Vitória

Mas existem os pesponteados de chuva.
Assim, não temos propriamente um Presidente da República, porque um foi eleito - profe Marcelo -, mas só será empossado a 9 de Março, o outro chegou ao fim da linha - Cavaco -, porém, continua a ser o PR em exercício, e Passos Coelho é diariamente convidado por Autarquias acima de Coimbra para eventos desportivó-cólturais como o próximo PR, logo que aquele que ainda não foi empossado - Marcelo - se despenhe, como prevêem bolinhas de cristal nortenhas e a bolinha de cristal do próprio Passos.
Portantos, temos que assim a modos de três ( 3 ! ) PR's em lugar de um ( 1 ). A que podemos acrescentar um quarto ( 4 ), subliminar, que é António Costa, cujo qual vai efectivamente governando e reunindo com o PR por empossar para o manter informado. Bordados de chuva miúda.
Bordados de chuva que engrossam quando um tal sr. Schäuble alemão - que é quem todo "lo manda" - sacode o dedo indicador e ameaça o Governo português de a Comissão Europeia não aprovar o Orçamento de Estado para 2016, se a Governança portuguesa, "radicalizada" à Esquerda, não der umas tesouradas de austeridade aqui e ali, mostrando sinais da sua boa- vontade. 
Situação de chuva a virar tempestade que deixa o País entre o apreensivo e o embasbacado quando observa os senhores ministros da Economia e das Finanças - respectivamente Manuel Caldeira Cabral e Mário Centeno - numa correria de baratas tontas entre Lisboa e Bruxelas, desdobrando-se em afirmações de que "batemos o pé", "está tudo bem", "é apenas uma questão de décimas", secundados pelas arrobas do senhor 1º ministro António Costa asseverando que "está tudo debaixo de controle", que "está tudo acertado".

Os incréus, entre os quais me conto, perguntam-se "Quem é que está a acertar?", "Quem é que controla?"
Pela minha parte, acho que vou pedir a Caldeira Cabral se me dá umas lições de guitarra...  
Resultado de imagem para fotos ou imagens de Marcelo Rebelo de Sousa   Resultado de imagem para fotos ou imagens de Cavaco Silva


Mf Mario Centeno (1)   Resultado de imagem para fotos ou imagens de Manuel Caldeira Cabral                Resultado de imagem para fotos ou imagens de Schäuble
                        





Por hoje despeço-me, pois os dias de chuva com tendência a engrossar e a virar tempestade deprimem-me.

Mas, como sempre, amplexos amistosos e combativos do Vosso

Leopardo  



                                                                                               Resultado de imagem para fotos ou imagens de Passos Coelho

         

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Buika & MM

Resultado de imagem para fotos ou imagens de Buika                               Resultado de imagem para fotos ou imagens de Buika                                                                                         

No dia 12 de Fevereiro.2016 fui ao Coliseu dos Recreios ver o espectáculo de uma cantautora conhecida por Concha Buika. Uma familiar tinha-me oferecido como prenda bilhetes. Não, não estou a dizer isto como desculpa. Eu, um amante de Ópera desde a infância-infância, que imitava os cantares dos dramas líricos nas escadas de salvação em ferro da minha casa de então, e a quem as vizinhas achavam graça (depois de adolescente e adulto só me mandam calar.), a ouvir a Buika acompanhada da fama que a precede??... 
Mas, eu tinha mesmo curiosidade. Uma pessoa tem que manter-se actualizado, não é?!... Não pode eternizar-se em dinossauro excelentíssimo.

E não voltei desiludido. Antes surpreendido. Não é que Maria Concepción Balboa Buika, de nome artístico o reproduzido atrás, canta bem?!!... Uma voz potentíssima (uma e outra vez a afastar o microfone), a encher um Coliseu cheio, voz com uns acentos de ferrugem à Armstrong, uma presença no palco senhora de si, fêmea alfa, a capitanear os músicos- guitarra eléctrica e voz, trompete, bateria, ferros, contrabaixo eléctrico, caixa (como as do flamenco) -, a dar respostas improvisadas no momento, ora brincalhonas ora de gozo fininho, a uns "emplastros" sonoros instalados nas galerias que lhe declaravam amor, que queriam dormir com ela, etc, etc. 
Sim senhoras, a cantautora tem voz - canta coplas, soul, jazz, flamenco, ora em castelhano ora em inglês, ora "mixed" -, é inteligente, é criativa. Estraga tudo é com a música - também da sua autoria - que é daquele tipo de que eu defino como "dar-lhes na cabeça ou na cabeça lhes dar": catapum, catapum, catapum... 

A biografia-currículo impressiona: filha de pais do Equador - o pai escritor, Juan Balboa - nasceu em Palma de Maiorca, a 11.Maio.1972, vive habitualmente em Miami, Florida, USA, dá espectáculos em toda a parte do planeta, de Moscovo à Nova Zelândia.
Afirma que não deve haver fronteiras para a Arte - desde que pague direitos de Autor e de preferência em dólares -, afirma-se bissexual (e só o transcrevo porque faz questão que conste, pois eu considero que essas são opções do estricto domínio privado).

Mas é cantora, poeta, música; duas das suas canções ouvem-se num filme de Pedro Almodovar; já colaborou com a Mariza; actualmente é produtora de uma novela filmada, que será editada em DVD e trabalha numa Ópera. Concluamos que é obra... quer se goste quer não.

Ora, por azares de um jogo do SLBenfica/FCPorto quem é que eu vi na "pantalha"no mesmíssimo dia do espectáculo da Buika?... O MM ! Não, não foi um desses poderosíssimos jipes todo-terreno que escalam montanhas, desertos, glaciares, mas o marques.mendes, cachecolinho vermelho ao peito, todo feito para ir desfrutar o "clássico". E, "noblesse oblige",  que ganhe o melhor (cachecol está! equidistância exige)!
Não é que eu fiquei a pensar que o m.m estaria a pensar que quinze milhões de simpatizantes encarnados - mais que a população portuguesa somada à emigração de três gerações - poderão eventualmente render muitos, muitos votos... paletes de votos... 



Resultado de imagem para fotos ou imagens de Marques Mendes                                                                                                     Resultado de imagem para fotos ou imagens de Marques Mendes



O que é que isto tem em comum com a Buika? A ambição pelo poder. Que acaba por reverter nuns "off-shores" discretamente submersos numas gavetas do Universo. Ámen.

Encerro com os amplexos habituais. Adeus e até ao meu regresso.

O Leopardo


    

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Aos Cantores e Cantoras dos Poetas e aos Cultores da Nossa Língua

Inicialmente eu pensava dedicar esta edição do blogue a uma listagem dos cantores e cantoras dos Poetas, no caso vertente Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa, mas decidi acrescentar-lhe duas chamadas de atenção para dois finos cultores da nossa Língua ("a minha língua é o meu Universo") depois de ter tropeçado no "Avante!" (11-2-2016) em dois superlativos artigos redigidos pelos camaradas Correia da Fonseca e Nuno Gomes dos Santos - respectivamente, "Geringonças e outras estórias" e "Fazeria-se melhor...".

Correia da Fonseca zurze com um chicote aguçado os dr/dr.a Paulo Portas e Assunção Cristas, ao primeiro, pela sua imponderável influência na aceitação do Orçamento Português por Bruxelas, à segunda, pelas nefandas coisas que perpetrou enquanto ministra, nomeadamente nas leis sobre o arrendamento urbano, que necessariamente tiveram como corolário deixar uma série de famílias sem lar (neste particular, decerto para experimentar no concreto a virtude da pobreza agostiniana). Só desejo, se eu alguma feita por tresvario do toutiço encanecido ou maleita afim cometer crimes assemelháveis, ser vergastado por um chicote assim. É uma honra.

Nuno Gomes dos Santos traz-nos trovas dos ventos de insânia que assolam os meios de comunicação nacional, lançados numa correria - comparável à das quadrigas do filme "Ben Hur"- a ver qual estralhaça mais e mais depressa a Língua portuguesa. Gomes dos Santos inclusivamente respiga-nos uma "pérola"(para nosso deleite interior) de um pivot  da nossa TV, promovido  honoris cause a escritor, que o gentio, acintoso e sempre prestes a pôr os pontos nos iis da verdade, conhece por "Orelhas de Abano" (a "pérola" é : "isto tem a haver com"). Para aquele que foi reconhecido, não sei por que júri, como "o melhor escritor português de 2016" não está mal... 

É claro que para estes gravíssimos crimes de lesa-língua - que ferem a consciência nacional no que ela tem de mais íntimo - basto tem contribuído essa ave de arribação conhecida entre o gentio por Malaca-Castel-Queijo (só o nome circunscreve um insulto), que caiu de joelhos ante uma OPA do Estado do Brasil e tem vivido à grande e à brasileira rica, trabalhando já na próxima revisão do (des)Acordo Ortográfico, ainda a anterior não arrefeceu na campa nem foi absorvida por ninguém. Ao dito senhoreco M.C.Q. destinava-lhe eu, se fosse poder, varejares de azeitona, à antiga, nos olivais do País, pr'aí durante uma década. De tanto ouvir falar o nosso Povo, talvez aprendesse alguma coisa...        



                    Resultado de imagem para fotos ou imagens de Correia da Fonseca                                                      Resultado de imagem para fotos ou imagens de Nuno Gomes dos Santos


A listagem que eu decidi fazer das cantoras, cantores, músicos que ousaram meter-se com os dois grandes Poetas, realmente é uma reparação. Teclei algumas considerações da minha subjectividade pessoal dirigidas a Adriana Calcanhoto - por ter cantado "Eu não sou eu nem sou o outro [...]" - e julgo agora que são indevidas. Quem sou eu para publicamente a avaliar? Aliás, a cantautora Adriana - Adriana Partimpim, nas suas criações para crianças - é uma música que aprecio bastante. Aqui estão as minhas desculpas.

E preparem-se então para a listagem. Atenção, só para o Pessoa são 43 mais uns pózes!

No topo, a Deusa Inca, cacimbando magias seculares, do alto dos Andes, onde voam os condores, vulgarmente conhecida por Maria Bethania. Bethania cantou Pessoa no filme de Marcio Debelian "O Vento lá fora" e no seu álbum "Âmbar" (1996).
Mísia
Patxi Andión
Ana Moura
Mafalda Arnauth
Carminho
Debora Rodrigues
Ana Laíns
José Campos e Sousa
João Braga
Carlos do Carmo
Frei Hermano da Câmara
Maria da Fé
Rodrigo Costa Félix
António Zambujo
Pedro Moutinho
Cristina Branco
Helder Moutinho
Maria Ana Bobone
Kátia Guerreiro
Camané
Paulo Bragança
Tom Jobim
Francis Hime
Edu Lobo
Arrigo Barnabé
Dori Caymmi
Nana Caymmi
Ritchie             - canta em inglês
Eugénia Melo e Castro
Mariano Deidda          - que é italiano
Zé Ramalho
Ney Matogrosso
Caetano Veloso
Gal Costa
Belchior
André Luiz Oliveira
Elizeth Cardoso
Elba Ramalho
Glória de Lourdes

Mário Viegas teatralizou de forma genial Pessoa e também Sá-Carneiro.

A Madonna diz que gosta de ler Pessoa  - o "Livro do Desassossego" - e (felizmente) nunca o cantou (havia de assassiná-lo em histerias hip-hop electrónicas).

A Patti Smith declama Pessoa. E em Chivasso, no noroeste de Itália foi inaugurado um Jardim Fernando Pessoa.

Se contabilizaram a proveniência natal dos cantantes, mais parece que Pessoa e Sá-Carneiro nasceram do lado Este do Atlântico.  Observaram decerto que eu não grafei os "nossos" Poetas. As coisas passam-se assim: o País, a Nação, a Língua Portuguesa parturia-Os, os ventos do Olimpo universalizam-Nos. Todavia, se os deuses do Olimpo assim decidiram, apesar da sua cegueira cósmica, está decidido. Porém, atrás dos tempos tempos vêm... "e mutuamente se pagarão justiça" (Heraclito).

Refreiem os cavalos da Vossa impaciência, a lista dos cantantes que criaram a partir de Sá-Carneiro é bem mais pequena.
Para além de Amália - que cantou o "Quase" - , Amália pela qual adquiri um respeito maior por ter afirmado que estes dois grandes poetas deviam muito ser reflectidos antes de alguém se abalançar a cantá-los, cantou Sá-Carneiro, Mísia, Adriana Calcanhoto, Helder Barros (ou pelo menos musicou "A Noite de Natal", António Variações, João Villaret (um dizer musicado e semi-cantado de "Serradura" e "Abismo"), Rui Veloso ("Presépio de Lata") os Trovante ("Fim") e Mário Viegas.
Não mais que nove.

Uma senhora doutora de psicanálise literária e afins coloca a questão de Sá-Carneiro poder constituir um exemplo na Poesia do que ela denomina de "androginia", ou seja, pessoas que não se sentem física e psiquicamente representadas em nenhum dos dois sexos.
Não meto achas nesta fogueira, onde não possuo as inteligências necessárias, e que, para mim, são do foro íntimo de cada qual.
 Porém, como não quero que Vos falte nada, aqui a deixo para Vossas elocruções.





 Resultado de imagem para fotos ou imagens de Maria Bethania      Resultado de imagem para fotos ou imagens de Amália Rodrigues





Resultado de imagem para fotos ou imagens de António Variações              Resultado de imagem para fotos ou imagens de Joâo Villaret
     

E neste dia de São Valentim, Vos deixo com os Poetas, os seus interpretes 

E os amplexos cordiais (garras completamente retraídas) do 

Leopardo