Reflexões do Leopardo

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Aos Poetas

Resultado de imagem para fotos ou imagens deMário de Sá-Carneiro    Na meu blog de ontem cometi um crime de lesa-majestade. Digo bem, de lesa-majestade: citei incorrectamente um dos poetas maiores da língua portuguesa. MÁRIO de SÁ-CARNEIRO.

Não, não tem nada a ver com um político menor do século XX  que as miáufas  e o desespero da família politica da direita portuguesa e um acidente de avioneta, cujas causas nunca foram esclarecidas (nem serão, profetizo eu, pois o sebastianismo reaccionário exige-o), alcandoraram a génio estratégico.

Pois, para tentar reparar o meu leviano crime para com um dos príncipes das letras lusas, vou hoje citar na íntegra, e correctamente, o poema em causa. 

                                       Quando eu morrer batam em latas, 
                                       Rompam aos saltos e aos pinotes,
                                       Façam estalar no ar chicotes,
                                       Chamem palhaços e acrobatas !

                                      Que o meu caixão vá sobre um burro
                                      Ajaezado à andaluza
                                      A um morto nada se recusa,
                                      Eu quero por força ir de burro.

Mário de Sá-Carneiro, escreveu-o em Paris, em 1916, intitulou-o de "FIM" e é este poema e uma carta (de 13 de Março.1916) que enviou a Fernando Pessoa - o seu maior amigo -  em que lhe explica o que vai fazer, que lhe atrasaram o suicídio com 5 frascos de arseniato de estricnina, no Hotel Nice, em Montmartre. Tinha vivido 25 anos de inadaptação à vida e à sociedade que conhecia, talvez antecipando aquele final que lhe parecia o único digno dele.

Fernando Pessoa comentará anos depois a pessoa e o acontecido grafando: "Nada nasce de grande que não nasça maldito..." ( F.Pessoa, "Athena nº2", Lisboa, Nov.1924).       
Amália Rodrigues ao ler o poema em causa bastantes anos mais tarde não terá conciliado o sono durante dias e terá pensado cantá-lo. Adiante se verá que não foi a única cantora a apaixonar-se por Sá-Carneiro...

Escrevem os entendidos que a metrificação de Sá-Carneiro não se afasta da metrificação tradicional ( redondilhas, decassílabos, alexandrinos ), mas a sua escrita adquire um cunho singular pelos ataques à Gramática e pelos jogos de palavras que acentuam a exaltação do sentir. O seu pendor niilista acentua-se e desvela uma humanidade autêntica, triste e trágica.   

Rezam as biografias que Mário de Sá-Carneiro provinha de uma abastada família da alta-burguesia, filho e neto de militares, ficando órfão  de mãe aos 2 anos (1892) e indo viver com os avós para a Quinta da Vitória (ainda conserva o nome), na freguesia de Camarate (que ficava, como se sabe, completamente fora das portas de Lisboa; na época, Lisboa acabava por alturas do Marquês de Pombal, onde começavam já as hortas).
Mas o adolescente a crescer na Quinta da Vitória aos 12 anos escreve poesia, aos 15 traduz Victor Hugo, aos 16 traduz Goethe e Schiller.
As biografias rezam ainda que matriculado em Direito, primeiro em Coimbra (1911) e depois na Sorbonne/Paris (1912) não conclui os anos, não frequenta sequer as aulas. Em Paris entrega-se a uma vida boémia, deambula por cafés, salas de espectáculo, passa fome (apesar da mesada generosa da família), desespera-se (será a faceta constante do seu carácter), liga-se emocionalmente a uma prostituta.


                                         As mesas do Café endoideceram feitas ar...
                             Caiu-me agora um braço... Olha, lá vai êle a valsar
                             Vestido de casaca, nos salões do Vice-Rei...


                          ( Subo por mim acima como por uma escada de corda,
                            e a minha Ansia é um trapézio escangalhado...)


1912 foi igualmente o ano em que conheceu Fernando Pessoa. E  foi entre 1912 e 1916 que compôs grande parte da sua obra: "Amizade", de 1912, peça teatral que compõe de colaboração com Tomás Cabreira Júnior ; "Princípio", novelas de 1912; "A Confissão de Lúcio", romance em torno do "fantástico", de 1914; "Dispersão", 12 poemas de 1914; "Céu em Fogo", novelas de 1915 que revelam as suas perturbações e obsessões.

Postumamente foram publicados : "Indícios de Oiro", uma colectânea dos seus trabalhos mais significativos publicada em 1937; e "Correspondência", que reúne a correspondência trocada com Fernando Pessoa, Luís de Montalvor, Cândia Ramos, Alfredo Guisado e José Pacheco.

Entre 1913 e 1914 vem a Lisboa com regularidade e juntamente com Pessoa e Almada Negreiros integrou o primeiro grupo modernista português, sendo Sá-Carneiro o responsável pela edição da revista literária "Orpheu". Pretendiam escandalizar a sociedade burguesa e urbana e conseguiram-no: foram alvo da chacota social.

O que vou escrever a partir daqui será decerto muito menos consensual. É a minha opinião pessoal. Não pretendo estabelecer nenhum "ranking" literário ( o que está tão na moda e é mais uma estultícia tipicamente ianque dos tempos que correm ), pretendo tão somente abrir um espaço de debate... e de reflexão.

Confesso que prefiro Mário de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa. Não estou de modo nenhum a negar a genialidade de Pessoa, escritor ímpar em qualquer literatura. Nem pretendo abrir uma galeria de escritores superlativos num País reconhecidamente de Poetas. É claro que enfileiro Pessoa ao lado de Camões, de Fernão Lopes, das nossas "cantigas de amigo", dos autos de Gil Vicente, da "Peregrinação" de Fernão Mendes Pinto, do Camilo, do Eça, da poetisa Florbela Espanca, da romancista Irene Lisboa, do Aquilino Ribeiro, do neorealista Alves Redol, do Miguel Torga, de alguns poemas de José Régio, do Carlos de Oliveira, da acutilante ironia de Alexandre O'Neill, do poliédrico Ary dos Santos, do Álvaro Cunhal de "Até Amanhã Camaradas", de "Cinco Dias, Cinco Noites" (sob o pseudónimo Manuel Tiago ) ou do Cunhal de "A Arte, o Artista e a Sociedade", do "poeta de poetas" Manuel Gusmão, ou, mais contemporaneamente, de Domingos Lobo poeta, autor de teatro, romancista. E peço desculpa aos muitos que podiam aqui emparceirar, porém não me pingam agora na cachimónia.

Como ia dizendo cá na minha, prefiro Sá-Carneiro a Fernando Pessoa (e, insisto, não estou a medi-los com nenhuma fita métrica). E prefiro-o porque aquela ânsia infinita de infinito, de perfeição, entretecida com o sentimento pungente do valor de coisa nenhuma, me atinge cá dentro. 
Aquela dor não era "fingida" como em Pessoa, não era uma quádrupla, quíntupla, seistupla (porventura, enésima ) personalidades ficcionadas, construídas de uma ponta à outra, que falam mesmo de formas diferentes, conscientes de que são desdobramentos da personalidade (os famosos heterónimos) para experiênciar literariamente "o mundo" (que, na verdade dos factos, pouco deve ter ido para além do rotineiro percurso entre o Largo do São Carlos, a "Brasileira" do Chiado e o "Martinho da Arcada" ao Terreiro do Paço, onde Pessoa engorgitava as suas aguardentes).

                                     Não sou nada,
                                     Nunca serei nada.           
                                     Não posso querer ser nada.  
                                     À parte isso, tenho em mim todos os meus sonhos do mundo.

Extracto do poema "Tabacaria" de Pessoa (de 15. Jan.1928). O niilismo é semelhante ao de Sá-Carneiro, mas este niilismo possui alguma coisa: a certeza dos seus sonhos.
Ou, ainda, outro extracto da "Tabacaria":

                       (Come chocolates, pequena;
                       Come chocolates !
                       Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.)

Portanto, em Pessoa, a certeza dos sonhos e a certeza de sensações que pensam ou vice-versa.
Em Sá-Carneiro, as únicas certezas são as da "dor", de uma "ânsia infinda" e sem subterfúgios, de uma perdição irremediável.

                         Perdi-me dentro de mim
                         Porque eu era labirinto

                         Na ânsia de ultrapassar,
                         Nem dei pela minha vida...

                        Para mim é sempre ontem,
                        Não tenho amanhã nem hoje

                       Um pouco mais de sol - eu era brasa, 
                       Um pouco mais de azul - eu era além.
                       Para atingir, faltou-me um golpe d' asa ...
                       Se ao menos eu permanecesse àquem...

Extractos intercalados dos poemas "Dispersão". Ou a excruciante quadra de "Indícios de Oiro" (pela qual infelizmente se apaixonou Adriana Calcanhoto - cantautora de resto excelente e que aprecio, mas que neste particular não mediu o suficiente o problema de glosar um enorme Poeta):

                     Eu não sou eu nem sou o outro
                     Sou qualquer coisa de intermédio:
                     Pilar da ponte do tédio
                     Que vai de mim para o Outro  


Tentarei sintetizar o que julgo sobre os dois enormes poetas ( sem a pretensão, volto a insistir, de estabelecer um "ranking" ) com duas imagens metafóricas: o chapéu de Sá-Carneiro escondia um vulcão que o consumiu... e que nos consome mais ou menos conforme com ele empatizamos; debaixo do chapéu e por trás das lentes dos óculos de Pessoa fosforesciam uns olhos de serpente-capelo sem veneno, ilusionismos de um maestro dos mágicos.


                            Resultado de imagem para fotos ou imagens de Fernando Pessoa     Resultado de imagem para fotos ou imagens deMário de Sá-Carneiro


Óspois destes arrincansos em que dei o melhor de mim mesmo - eu sei que não é grande coisa ! - preciso pelo menos de dois dias ou três para me preparar e recuperar do ciclópico embate entre o FCP e o SLB. Se sobreviver, cá nos reencontraremos...

Amplexos amistosos (de garras cada vez mais recolhidas) do Vosso

Leopardo 

     



    

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Terror Revolucionário, Terror da Inquisição - Comparar o Incomparável

Uma Camarada minha colocou uma questão interessante, tão interessante que penso valer abordar numa edição do blogue, em lugar de lhe responder a nível particular.

A minha Camarada colocava a questão assim: sim senhora, "Nós", a Esquerda, assumimos o período do Terror e as suas execuções sumárias durante o período de Robespierre na Revolução Francesa. A Inquisição alguma vez assumiu os crimes que cometeu, o Vaticano já pediu formalmente desculpa por eles?... Quando "Eles" o fizerem pelo lado deles, "Nós" faremos outro tanto do nosso lado.
Ora, eu julgo que colocar a questão desta forma é comparar o incomparável.





Resultado de imagem para fotos ou imagens Inquisição







Para quem se interessa pela Epistemologia, isto é, pela Filosofia das Ciências, ou, dito de outro modo, para quem se interessa pela reflexão que a ciência realiza em torno dos seus próprios fundamentos - métodos e objectos de estudo na busca da "verdade" - sabe que existe uma diferença de grau apreciável quanto ao rigor ou "objectividade" das ciências ditas "da Natureza" - Física, Química, Astronomia/Astrofísica, Biologia - e as ciências ditas "do Homem" ou "Humanas" - Sociologia, Psicologia, História, Linguística . 

Isto simplificando, e sem nos alongarmos em qual dos lados colocamos disciplinas como a Etologia (estudo dos comportamentos das diversas espécies animais e suas formas de comunicação ou "linguagens").
Ou sem colocarmos a questão de o mesmo "objecto" de estudo ser alvo da abordagem de várias disciplinas científicas e de como estas abordagens se relacionam entre si: por exemplo, o "objecto" Homem ser estudado pela Física, Química, Biologia, Sociologia, Psicologia, História.

A Epistemologia que no século XIX era considerada como um cantão dos diferentes ramos da Filosofia, na contemporaneidade não existe doutoramento científico que não inclua uma reflexão epistemológica, mais ou menos desenvolvida, sobre a sua própria disciplina.

Convém ainda dizer que até Galileu (século XVI/XVII) e Isaac Newton (séc. XVII/XVIII) as concepções sobre o conhecimento verdadeiro (a palavra grega "épistemé", cunhada por Platão, significava "conhecimento verdadeiro") se repartiam entre a concepção platónica e a concepção aristotélica.
Segundo Platão, o conhecimento verdadeiro só existia ao nível das "ideias" - entidades reais, mas não sensoriais, sem contradições entre elas, que só se atingiam pelo pensamento - e as "sensações", provindas dos sentidos, mas que eram contraditórias entre si, fontes perpétuas de erros, e que podiam "participar" desse conhecimento conhecimento verdadeiro logo que desembaraçadas dessas contradições pelas entidades ideais. Esta, pois, a concepção idealista mais radical do conhecimento.
De acordo com Aristóteles, as "sensações" eram já portadoras de uma certa realidade, isto é, de um certo conhecimento verdadeiro, que precisava, porém, de ser ordenado pelo exercício correcto da Razão (daí as suas investigações sobre esse exercício, condensadas na Lógica, a que Aristóteles deu o nome de "Organon", significando "instrumento" - subentenda-se, do exercício correcto da Razão e dos seus desvios). Uma concepção do conhecimento tendencialmente materialista.que de facto fazia ruir os alicerces da física aristotélica e da astronomia ptolomaica-aristotélica.

Galileu Galilei (físico, matemático, astrónomo, escritor brilhante que comentou, por exemplo, Dante Alighieri) para explicar o movimento uniformemente acelerado e as leis de oscilação dos pêndulos, aprofundou a via aberta por Aristóteles, entrelaçando as observações experimentais (sensoriais) com a matemática e sendo considerado o fundador do "método experimental". As concepções galilaicas sobre o movimento e sobre os astros (nomeadamente a Lua) faziam ruir os alicerces da física aristotélica e da astronomia ptolomaica-aristotélica.

Isaac Newton (físico, matemático, astrónomo, astrólogo, teólogo) enuncia a lei da gravitação universal e as 3 leis de Newton, desenvolvendo inúmeros aspectos das teorias matemáticas, por exemplo, criando o "cálculo infinitésimal". É considerado o pai da "mecânica clássica", só ultrapassada no século XX por Albert Einstein, que restringe o alcance das teorias newtonianas para determinados parâmetros da velocidade.
Newton afirmava que "não fazia hipóteses", querendo significar que as suas leis eram a adequação exacta entre a matemática e as observações experimentais, e, por consequência, o retrato fiel da realidade.

Voltando atrás para não perdermos o fio à meada, comparar o chamado "período do Terror" da Revolução Francesa - sensivelmente entre 1792 e 1793, em que Robespierre está aperreado pelos girondinos montanhistas (a facção ultra dos revolucionários) e ladeado pelo jovem general Napoleão (que virá a revelar sonhos  imperiais e será, em França e além fronteiras, um divulgador da versão jurídica burguesa da Revolução Francesa) com os genocídios, crimes, torturas massivas e caso a caso, as ocupação de territórios, a colonização forçada, as aculturações brutais, durante 7 séculos - sensivelmente do século XI ao século XVIII - sempre "in nomine dei", é já uma enorme concessão que fazemos ao Terror que emanava do Vaticano.

E não apenas pela enorme diferença no tempo, mas também pelo tipo de torturas perpetradas.
Sabiam que, entre as torturas medievais, as chicotadas, os linchamentos, os enforcamentos, as decapitações pelo machado, as crucificações de cabeça para cima e de cabeça para baixo, a deformação das diferentes partes do corpo humano e do esqueleto, durante dias, em postes de tortura adequados para o efeito, o assar os "infiéis"em pilhas de lenha para gáudio das multidões,  o enfiar a cabeça humana em gaiolas onde se soltavam ratazanas esfomeadas??... Para não falar de espectáculos mais raros, pela sua envergadura, como fritar centenas de seres humanos, todos ao mesmo tempo, em enormes frigideiras, que exigiam praças públicas ainda maiores e que atraíam, naturalmente, multidões ululantes. Uma vera pedagogia de massas em directo, ao vivo, semi-vivo e completamente morto. (Ainda não tinham sido inventados os filmes de terror norte-americanos da série GM (Ganda Me.da) , os jogos de guerra "paint-ball", e "as casas mais vigiadas do país" teresa guilherme...)

E, já agora, sabiam que, na época, a guilhotina era considerada um instrumento de morte relativamente "limpo" porque separava a cabeça do corpo de um só golpe, evitando que o carrasco tivesse de repetir as machadadas para obter o mesmo efeito?!...

Aliás, a forma como o rei Louis XVI é preso (está minuciosamente registada, dia a dia e hora a hora) documenta bem o temor reverencioso que a maioria dos franceses sentia pelo representante de deus na França, depois do Papa e do supremo Cardeal gaulês. A mesma reverência não acompanhava a rainha Maria Antonieta, que era apodada popularmente de "la putain" ( na fuga, era acompanhada por um dos seus favoritos, o último). 

O homem que reconhece o rei em fuga, Jean-Baptiste Drouet, só o persegue porque a isso foi obrigado por uma municipalidade, só o detém - escondido debaixo das saias de uma aia - depois de alguns dias de perseguição a cavalo (numa ponte, em Varennes), a sua detenção formal só se realizou 3 dias depois, a sua destituição deu-se 3 meses após, em Paris, e foi guilhotinado 4 meses mais tarde, em 21 de Janeiro.1793.
A vida de Jean-Baptiste Drouet, herói involuntário de uma aventura para a qual o empurraram e que tentou evitar, conheceu tantos altos e baixos como as flutuações da política francesa nos anos a seguir. A sua vida foi transcrita no século seguinte (1860) em narrativas de Alexandre Dumas ("Memoires d'un Médecin" e "La Route de Varennes"), vida filmada por Ettore Scola ("La nuit  de Varennes") e objecto de relatos históricos de Roger Vaillant quando da sua adesão ao PCF (primeiro em folhetim, 1937, depois em livro, em 1947).

Isto para concluir que as Ciências Humanas, apesar dos seus princípios conceptuais e metodológicos, são sempre enformadas pelos princípios ideológicos de quem as realiza (até na determinação do que se considera "um facto") e é preferível que estes princípios ideológicos sejam claramente explicitados pelos investigadores e não tentem apresentar-se como um observador equidistante, algures a observar-nos de uma estrela Syrius.
E, de entre as Ciências Humanas, a História é particularmente sensível aos factores ideológicos, pois estamos habituados a lê-la redigida pela pena dos vencedores.

Termino por aqui... exausto! Aguardo que este longuérrimo discurso Vos sirva para alguma coisa, dado que a mim me custou tanto cingir-me ao essencial e não me perder por atalhos.

Amplexos débeis, mas afectuosos deste que se assina 

O Leopardo   



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domingo, 7 de fevereiro de 2016

"Dialogues des Carmélites", Fogos & Bombeiros


Alguns saberão que a Ópera - "Teatro per Musica" - derivou da música sacra - Oratória - cantada nas catedrais e igrejas e foi concebida como um espectáculo global que incluía todas as outras manifestações artísticas - o canto, a declamação cantada, o teatro, a dança, a música instrumental, os cenários, a estatuária, a pintura, e todas as artes conexas como a iluminação, os figurinos, as máscaras, a maquilhagem dos personagens. As representações mais faustosas iam ao ponto de pôr no palco cavalos verdadeiros e pequenas embarcações em cursos de água ou lagos.
Inicialmente, dependente dos grandes dignitários da Igreja e dos reis ou príncipes, dado o elevado custo dos meios necessários a congregar para representar "i drammi per musica", rapidamente se tornou um espectáculo popular, interpretado nas feiras apenas com um telão, um número escasso de cantores e meios musicais elementares (alaúde ou violino ou violoncelo ou harpa ou pandeiretas, adufes, castanholas) que incluíam, por exemplo, as primeiras caixas de música mecânicas. 
Claudio Monteverdi (séculos XVI, XVII) lançou os fundamentos do género com obras como "Orfeo" (1607) ou "Il ritorno di Ulisse in patria" (1640).

Ao contrário de muitos que consideram que a Ópera é um espectáculo elitista, dirigido às classes possidentes, eu julgo que a Ópera é um espectáculo e uma obra de arte eminentemente popular, desde que às classes exploradas sejam fornecidos os meios económicos e culturais necessários para dela poderem usufruir e enriquecer com a sua participação no mínimo reactiva (e nunca se fica só por aí). Lembro a este propósito o grande compositor e pedagogo Fernando Lopes-Graça que afirmava que não se trata de as obras de arte descerem ao nível cultural escasso dos alienados da fortuna e da arte (faria algum sentido pedir a Velázquez, Rembrandt, Goya, Pissarro, Rubens,Columbano, Picasso, Rogério Ribeiro, Francis Bacon que pintassem menos bem para se tornarem consumíveis?...), mas de desenvolver todo o trabalho social e pedagógico necessário para que essas classes a ela possam aceder (e, já que estamos com a mão na massa, o mesmo Lopes-Graça defendia com argumentação de peso que a língua portuguesa é tão "cantabile" como a inglesa, a alemã ou a russa).

Vem isto a respeito do Teatro  de São Carlos levar à cena por estes dias (hoje, dia 7.Fev.16.é o último) a ópera de Francis Poulenc (1899-1963) "Dialogue des Carmélites". O evento histórico  no qual se baseou conta-se em três penadas: no dia 17 de Julho de 1794, no período subsequente à grande Revolução Francesa iniciada em 1789, sendo em 1974  o poder liderado por Robespierre e pelo jovem general Napoleão (este último a vertente imperial e burguesa da revolução popular), 16 freiras carmelitas são condenadas por crimes contra o Povo Francês  e guilhotinadas na Place de la Révolution, em Paris.
Vamos primeiro ao que é óptimo: a produção do São Carlos prova abundantemente que existem em Portugal artistas portugueses - maestros, cantores, actores, Orquestra, encenadores, Coro, director do Coro, cenógrafos, figurinistas, desenhadores de luzes - capazes para justificarem uma companhia de ópera residente portuguesa pela qual tanto lutou João de Freitas Branco (1922-1989; formado no Conservatório de Música em Lisboa, e licenciado em Matemática), considerado por muitos um dos grandes divulgadores e pedagogos do gosto musical.
É um pouco injusto mas também difícil fugir a destacar nomes como o do maestro João Paulo Santos (ou Joana Carneiro), o do encenador Luís Miguel Cintra, ou cantores/as como Luís Rodrigues, Dora Rodrigues, Mário João Alves, Ana Ester Neves, Ana Paula Russo, Carlos Guilherme, Helena Vieira, ou o de Giovanni Andreoli, maestro titular do Coro, italiano, que afirma considerar o São Carlos a sua segunda casa (Andreoli merecia sem discussão a dupla nacionalidade). Que me perdoe o resto da companhia de ópera este surto de subjectividade, porém seria estulto da minha parte querer substituir-me ao programa (que, aliás,felizmente, é barato).

O "Dialogue des Carmélites" é uma obra interessantíssima com  um "libretto"que desenvolve dialecticamente os avanços e recuos do medo e da coragem dentro das personagens, cujo enredo pode ser imaginado em situações históricas muito diversas, e mesmo contrárias, com páginas de música e árias ao jeito de grandes intérpretes.

Todavia, uma obra de arte não deve ser submersa nas visões parcelares ( que são sempre lícitas e enriquecem a visão global) dos elementos que a compõem, e o "Dialogue", depois de reconfigurado por vários compositores, na sua leitura mais imediata e óbvia é a glorificação da reacção à grande Revolução Francesa. Não por acaso, as 16 freiras guilhotinadas, foram beatificadas há poucos anos por um Papa. Adivinham por quem?... Exactamente, por João Paulo II, um dos pontas de lança contra o País dos Sovietes... 
Esta obra de arte é proposta, nestes termos, num momento histórico em que a maior super-potência a nível planetário, os EUA, alimentando sonhos imperiais, arrisca abrir uma terceira guerra mundial com mísseis nucleares instalados em satélites espaciais, uma verdadeira "guerra das estrelas".
Este contexto histórico actual, a leitura mais elementar do drama lírico interligada a uma certa monodia, deixam algures asfixiados (em minha "umile" opinião) a intervenção histórica individual e o espaço para a felicidade, móbil de todos os seres humanos - como o escreveu Álvaro Cunhal no "Relatório ao VI Congresso" e no "Partido com Paredes de Vidro".

Com estas reservas, o "Dialogue des Carmélites" é uma obra a ver em absoluto... e a repensar, até porque, como escreveu Lopes-Graça, "a cultura não é uma flor que se use na lapela". 

Caindo e decaindo, a contra-gosto, nas últimas declarações bombásticas de Pedro Passos Coelho, declamou a criatura que não quer ser o "bombeiro" do país, porém, pelos sinais de governação do Governo em exercício, prevê, mais cedo que tarde, que será requisitado de novo a primeiro-ministro para apagar os fogos que a governação actual  está a atear. E só preferia não ser chamado quando a casa não estiver já em chamas.

Como não se trata de uma carnavalada da parte do Passaralhos, apesar do semblante de imensa alegria e regozijo interior, temos de as levar a sério e ponderar perplexamente que são pelo menos afirmações curiosas, vindas de um ex-primeiro-ministro durante cuja (des-)governação o País esteve literalmente em chamas com hectares e hectares de florestas queimadas, sistematicamente ano após ano, vidas humanas perdidas, habitações e rebanhos destruídos.
País em chamas igualmente do ponto de vista económico e social - regressão da economia, aumento da dívida externa para 130 % do PIB, aumento do desemprego ( de curta e longa duração), aumento da miséria social, crescimento da emigração, nomeadamente entre a juventude mais qualificada, liquidação do SNS com o fecho de inúmeros centros de saúde e hospitais, liquidação do sistema educativo público com mais de 2000 escolas encerradas e   transferência de verbas para o ensino privado, desertificação do interior rural com o desaparecimento de duas centenas de aldeias, redução das comarcas judiciais com os prejuízos inerentes para os cidadãos e empresas de menores recursos. "And so on, and so on".

Perguntamos ao de novo candidato a primeiro-ministro, porque escolheu a figura metafórica do "bombeiro"? Os bombeiros, quer os voluntários quer os sapadores, são cidadãos queridos, estimados pela população, e alguns deles (muitos mais do que seria previsível e desejável) têm sucumbido no combate aos tais fogos florestais. Porque pretende esconder a sua figura mascarrada e derrotada de ex-governante atrás da figura abnegada e honrada do Bombeiro?... Que mal lhe fizeram os Bombeiros?... Oh homem, há um limite para a paciência, mesmo de criaturas com uma desvergonha e um descoco como o seu. Os espelhos em sua(s) casa(s) estão todos tapados com véus??...  

Desta vez sem amplexos

O Leopardo     
  

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Futebóis & Pintoras




Peço aos meus pacientes leitores, que me enviem mais fotos de obras de Amrita Sher-Gil e de Margarida Tengarrinha, pois, eu desta última não consigo mais que o exposto.  











Não posso, porém, passar ao lado do conflito em decurso entre o acintoso e cronicamente furioso, à escala da paranóia, presidente do SCP, Bruno de Carvalho e o jogador peruano André Carrillo, e não posso justamente porque o litígio ultrapassa largamente o futebol e incrementa um clima de violência que, lamentavelmente, toca muitas esferas da vida actual, clima para o qual o presidente do Sporting deita todos os dias novas achas.

 Não gosto de falar de futebol por três razões: a primeira, é que a escolha de um clube se faz por via de regra em tenra idade, ao nível da afectividade, por motivos não-racionais; a segunda, é que, embora tendo um clube da minha predilecção (e certamente para o resto da minha vida) , e tendo praticado muito desporto (chutos na trapeira, quase campeão de boxe amador - fui treinado pelo falecido treinador do Sporting, Ricardo Ferraz, conhecido pelo "senhor boxe", comentador da modalidade na época -, judo de competição, râguebi,remo), de facto nada entendo de futebol, para além de um conhecimento muito elementar das suas regras (e que ainda refiro pela terminologia inglesa: "corner", "off side", "keeper", "back", "and so on"); e, "tercio", porque enveredar por uma discussão em torno do "desporto rei" com frequência liquida ou prejudica a compreensão em volta dos assuntos racionais.

O conflito resume-se rapidamente: Carrillo chegou ao SCP com 19 anos, fez 4 épocas, revelando-se rapidamente um óptimo jogador e goleador. Nos últimos 6 meses, Bruno de Carvalho meteu-o no banco dos suplentes e disse-lhe que não jogaria mais se não renovasse o contrato, no que foi ajudado por Jorge Jesus. Carrillo não cedeu às exigências. Caso não renove, o jogador pode assinar novo contrato com qualquer clube a partir de Dezembro, porém terá de esperar até ao final da nova época para integrar esse novo clube.









Nos entretantos, Bruno de Carvalho punha a circular na comunicação social um chorrilho de grosserias e inverdades nas quais insultava não somente o jogador, mas também o país natal de André Carrillo: "Se não fosse o Sporting, o Carrillo estaria a jogar numa rua qualquer do Perú"; "Do "peru" fica apenas a tradição no Natal, onde se celebra Jesus, e onde acaba comido, com os restos colocados no lixo".
Diariamente B.Carvalho vai debitando novos "mimos", dos quais é melhor mesmo não fazer eco, mas que provocaram uma resposta do Presidente do Sindicato de Jogadores do Perú (SJP).                                                                                                                                                                  A resposta do Presidente do SJP, no essencial, asseverava que : é perfeitamente lícito um jogador pugnar pelos seus interesses pessoais e pelos da família; que Carrillo é um jogador notável que integra a selecção nacional do Perú, país onde existem muitos e bons jogadores a ganharem salários mensais ao nível europeu; que os jogadores peruanos apenas procuram clubes europeus para estes lhes servirem de "vitrine" e os mostrarem a nível mundial; que Bruno de Carvalho é um troglodita, que imagina viver no tempo das cavernas a impor os seus ditames pela força.

Eu, que sou afecto ao Benfica (SLB), já manifestei em sítios diversos, nomeadamente no Facebook, que nutro o maior respeito pelo Sporting, clube que muito antes dos outros - centrados acima de tudo no futebol - cultivava a maioria das modalidades desportivas , para  
não nos alongarmos no capítulo do atletismo, que possui a marca indelével do professor Mário Moniz Pereira, formador de uma pleiade de atletas e treinadores espalhados pelo País, de norte a sul. Professor Moniz Pereira, homem de múltiplos talentos (inclusivé o musical), ao qual tiro uma vez mais o meu chapéu. Em suma, o grande clube que é o Sporting Clube de Portugal não merece ter à sua frente como cara, o "troglodita", o "homem das cavernas" que é, de facto, o actual presidente!

E virando de assunto para um muito mais luminoso e portador de Futuro. Falei-Lhes na última reflexão de Amrita Sher-Gil, a "Frida Kahlo da Índia".
Vou hoje teclar-Lhes sobre Margarida Tengarrinha, escritora e pintora, distinguida em Portimão com o prémio Maria Veleda 2014, devido ao seu percurso cultural e pela participação na formação da democracia portuguesa.
Margarida Tengarrinha, deputada eleita pela CDU na Assembleia da República durante anos, viveu cerca de 20 anos na clandestinidade, ligada ao PCP. Como é conhecido, Margarida foi companheira do artista e notável gravador José Dias Coelho, sim, aquele que a PIDE/DGS assassinou à porta da casa que habitava na altura, ali em Alcântara.
Actualmente com 88 anos, Margarida Tengarrinha continua a participar em colóquios, palestras e dá aulas de História de Arte na Universidade Sénior, em Portimão.

Eu que tenho a sorte de possuir um dos seus quadros - que fui buscar a Faro -, pintura realizada a partir da fotografia de uma árvore onde explode uma sensualidade e erotismo juvenil, óbvios, renovo-lhe o desafio: percorrer o caminho inverso - a partir de uma fotografia de um ser humano, desvelar a árvore adormecida que sonha dentro de nós.



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Amplexos amistosos (garras retraídas) do

Leopardo 
   

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Predadores, Salamaleques & Tintas



Ainda retornando ao círculo (e ao circo) restrito dos predadores e aos reflexos psicossomáticos e freudianos dos seus viveres vale a pena acrescentar que as 3 maiores fortunas portuguesas - Américo Amorim, Belmiro de Azevedo e Soares dos Santos - a nível mundial ocupam respectivamente os "rankings" 369, 949 e 1054, isto é, Américo jogaria numa terceira divisão (futebolisticamente falando) e Belmiro e Soares dos Santos não passariam de divisões regionais de amadores.
Não admira, portanto, os tiques paranóicos manifestados. 


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Na espiral em desenvolvimento dos Amigos do blogue apraz mencionar mais três:
- o José Cavaco (do CC do PCP) que agradece tudo o que lhe envio (encharco-o com notícias) e promete estar de ora em diante mais disponível para me ajudar (como se eu acreditasse...);
- o Nuno Figueira, companheiro de viagens e de conversas sem fim (ex-produtor de programas televisivos e de espectáculos) que afirma ir lendo o que lhe emai-lo;
- o Pedro Noronha, igualmente companheiro de viagens e de paleios vagabundos, (atarefado advogado de muitas causas) que me vai lendo e motivando para os meus escritos.


No que respeita às tintas não quero deixar de Vos chamar a atenção para Amrita Sher-Gil, considerada a pintora mais importante da Índia no século XX, por vezes apodada da "Frida Kahlo da Índia" (não entendo porque bulas, pois não passou a vida pregada a uma cama como a mexicana, embora não se saiba exactamente qual a doença que a vitimou aos 28 anos na sequência de um aborto). 

Filha de um pai sikh do Pundjab, estudioso de sânscrito e de persa, e de uma mãe húngara judia cantora de Ópera. Amrita nasceu em Budapeste (Hungria) a 30.Jan.1913 e faleceu em Lahore (hoje Paquistão) a 5.Dez.1941. Viveu parte da infância na Hungria e estudou em Paris na "École des Beaux-Arts", sendo claramente influenciada por Paul Cézanne e Paul Gaugin.

As suas em exposição na National Gallery of Modern Art de Nova Delhi, mostram claramente a filiação europeia, expressionista, sensual, que (em minha opinião) vai evoluindo lentamente para um abstraccionismo no qual as formas figurativas nunca desaparecem. Imagens de um ou dois desses quadros, talvez na próxima edição do blogue.  

  Para todos, os habituais abraços leopardescos de garras retraídas.

O Leopardo 

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Navalhadas & Contumélias

Dedico a minha reflexão crítica de hoje às maiores fortunas portuguesas, ao Governo Grego liderado pelo Tsipras (do Seryze) e a mais alguns agradecimentos a Amigos que me têm apoiado nesta aventura do blogue.
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O Soares dos Santos continua mui atrevidote a arremessar ao Governo de António Costa que "está a comprar os trabalhadores". Ou seja, lá na dele, o Governo A.Costa não está a melhorar o nível de vida dos trabalhadores, nem a fazer descer o desemprego ou a elaborar legislação para diminuir o número de horas de trabalho semanais ( e abaixo do que o PCP, os Verdes, a ID, a CGTP/IN exigem), não, na do Soares dos Santos, o Governo PS está a comprar apoios e votos futuros...
A gente, o Zé Povinho percebe que quem gostaria de comprar o Povo Português, com intuitos contrários, era ele Soares dos Santos.

Mas, é apenas isto (e não seria pouco, seria mesmo suficiente!) que desencadeia a fúria patológica do Soares dos Santos? Eu afirmo que não.

A sua (dele) cruzada "santa" é também desencadeada pelo facto de a sua (dele) fortuna pessoal não ser a maior de Portugal. A maior fortuna pessoal é do Américo de Amorim (proprietário principal da GALP e afins) com um património avaliado em 14,7 mil milhões de euros, que representa 8,5% do PIB nacional. E a segunda maior fortuna pertence ao Belmiro de Azevedo. O Soares dos Santos situa-se na terceira posição, se não contabilizarmos a fortuna da família portuguesa mais rica, a de Guimarães de Mello (grupo CUF e afins) , avaliada em 1189,4 milhões de euros (segundo as tabelas da  "Exame", que não divergem sensivelmente das da Agência Forbes).
Ora num sistema económico e social intrinsecamente predador, como é o da sociedade capitalista, quem não domina é dominado, é obrigado a baixar a cerviz e conformar-se para não ser liquidado. Pode recuar ás arrecuas, rosnando, porém exibindo sinais exteriores de subserviência (hipócrita).
O problema psicossomático, psicanalítico, do Soares dos Santos é não ser ele o "macho alfa", o macho dominante que demarca o seu território com a urina e as fezes, que escolhe e cobre o seu rebanho de fêmeas. Portanto, de momento, exibe as navalhas dos dentes e rosna, aguardando a sua onda...

Na esteira das navalhadas em curso, deve ser assinalada a perpetada pelo Governo Grego, onde predomina Aléxis Tsípras e o seu partido o Syriza (coligado com um partido conservador) que fechou um acordo comercial com Israel sionista (onde é primeiro ministro e, de facto, o chefe do Governo, Benjamim Netanyahu, líder do Likud) e o presidente de Chipre para a exploração do gás natural palestino.
É um acordo e uma traição de Tsípras e do Syriza às organizações e forças tendencialmente à Esquerda de muito maior ressonância internacional, pois o acordo visa também lutar contra o isolamento político internacional  de Israel sionista.

Ainda no plano das navalhadas não se pode deixar de focar o aumento brutal (na casa dos 150 porcento) dos Gestores Públicos, pois agora ninguém aparece a assumir a responsabilidade imoral. Que foi a Tróika dizem os porta-vozes do Governo.
Donde é óbvio que o Governo português aceita pacificamente o mando da Tróika e a perda da soberania nacional.

No registo inteiramente diverso dos Agradecimentos, que apodei a brincar de "contumélias", apraz-me registar o e-mail (é mais um que ainda não descobriu como se enviam comentários para o blogue!) do meu amigo e camarada José Cavaco - do CC do PCP - a agradecer as paletes de informações diárias que lhe envio, que afirma serem-lhe muito úteis e que a partir de agora está mais liberto para contribuir para o blogue. Que o Profeta nos proteja debaixo da sua asa...


Como sempre, abraços amistosos ( de garras retraídas) do

Leopardo   


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Confissões e Agradecimentos

A minha reflexão crítica de hoje é dedicada a detalhar ainda o empresário Alexandre Soares dos Santos e a tornar públicos os apoios que tenho recebido de alguns Amigos e Camaradas.

No que toca ao Soares dos Santos ia-me esquecendo que tenho um camarada que o conhece e é seu amigo desde a infância, camarada ao qual o empresário reiterou não há muito uma opinião antiga: "O PCP é o único partido a sério organicamente e que é sério na sua actividade e propósitos políticos e sociais. E é por isso mesmo que eu nunca votarei em vocês! Vocês querem o contrário daquilo que eu quero. Vocês lutam por uma sociedade socialista-comunista, eu luto pela continuação da sociedade capitalista. Vocês são o meu inimigo e adversário principal. E se você tornar público o que eu acabo de dizer, desminto-o imediatamente e chamo-lhe mentiroso." 

Considero necessário explicitar esta faceta do referido grande empresário, porque ela é comum aos detentores do Grande Capital. Revela a sua aguçada consciência de classe exploradora, que pode divergir em detalhes tácticos, mas que comunga nos objectivos estratégicos essenciais.

E agora vamos ao mais importante para mim: fazer públicos os nomes das pessoas que me têm apoiado na minha actividade da escrita. Actividade que não se lhe pode chamar profissão, pelo menos para mim, mas um porfiado, teimoso afecto, umas voltas doloroso outras prazeiroso como é próprio das paixões.
Ei-los, então, os nomes (e não liguem à ordem porque foi ao acaso da memória vagabunda):

- Joaquim Franciosi ; meu amigo e leitor atento a quem aproveito para agradecer as últimas correcções - a "Recheio" é a filial Soares dos Santos da "Cash and Carry"; o método anticoncepcional que apodei de  "Aginomoto" não se designa realmente assim, mas Ogino-Knauss ou "método da fodinha com hora marcada".
-  Manuel Diogo ; meu amigo, meu leitor entusiasmado, declamador "a solo" ou integrado no Grupo "U-Tópicos"; os seus comentários não aparecem no blogue porque ele não aprendeu ainda como executá-lo.
- Fernando Silvestre ; escritor ; tal como o Diogo, os seus comentários elogiosos não aparecem no blogue porque ainda não aprendeu a executá-lo.
- João Monge ; letrista de cantores como António Zambujo, Ana Moura e muitos outros ; tem tentado convencer-me de que sou efectivamente um escritor e até, vejam lá, um poeta.
- José Oliveira ; editor e com grande prática de tradução em directo ; obrigado pelas palavras de apreço aqui e ali.
- José Colaço Barreiros ; tradutor (sobretudo de italiano-português e português-italiano, mas também noutras línguas ) e poeta; foi galardoado com uma medalha de mérito cultural atribuída Embaixada de Itália pela  aproximação que tem proporcionado entre as culturas dos dois países com a sua obra; o Colaço, para além de expressões elogiosas, é a única pessoa com a qual consegui escrever a quatro mãos.
- Maria Helena Serôdio ; notável crítica teatral e historiadora do Teatro ; apoiou-me igualmente no sentido de acreditar no valor dos meus esgatafunhamentos e a não desistir.
- José Peixoto ; encenador, actor e director do Teatro dos Aloés ; vamos mantendo há anos um debate controverso, dialéctico e proveitoso pelo menos para mim.
- Domingos Lobo ; um dos grandes escritores portugueses contemporâneos, escritor canónico da guerra colonial portuguesa, escritor, encenador e actor de peças de teatro ; vai-me apoiando com expressões de apreciação que decerto não mereço.
- Graça Pessoa ; amiga, grande amante de Teatro ela e o marido, coronel Pessoa - um dos militares de Abril  ; prossegue afirmando que os meus textos a divertem muito ( o que considero bué da bom).
- Carmen Santos ; grande actriz e encenadora ; vai aturando com regularidade aquilo que grafo, asseverando que gosta das ditas grafias.
- Tavares Marques ; encenador e actor muito conhecido, que é possível admirar habitualmente no Grupo de Teatro Intermezzo ; é um dos grandes fãs dos meus textos e da minha persistência.
- Jorge Almeida ; amigo, companheiro mais experiente de bloguices ; deu-me um bom empurrão inicial na feitura do blogue.
- Rui Rosa ; camarada e amigo, professor universitário, um dos dinamizadores das actividades culturais e teatrais em Évora, membro do CC do PCP; acolhe benevolamente tudo o que lhe envio ( e que são carradas).
- Rui Fernandes ; camarada e amigo, membro da CP do PCP ; emitiu palavras de estima pela substância da minha produção escrita ( um romance sobre a guerra colonial em Moçambique que aguarda editor faz um ano).
- Isabel Soares ; a minha mulher, ex-professora de inglês/alemão, com tendências artísticas mui variegadas, da escrita à pintura, à feitura de vestuário  ; sem ela o blogue nunca teria visto a luz do dia, pois eu, por mim, nunca teria sido capaz de lhe enfiar a bonecada que por lá vai andando.

Pelas minhas contas, os agradecimentos já abrangem 16 pessoas, o que dá para uma equipa de futebol e cinco sobressalentes. Se, por acaso, olvidei alguém, pedirei desculpa, acrescento com as devidas vénias e saltarei de imediato para o banco de treinador (ou "coach" para dar uma certa "finesse" a isto)

Amplexos mui amistosos (como sempre de garras recolhidas) do

Leopardo
   
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